“Tudo está encaminhado”, disse Dom Fernando Panico sobre beatificação de Benigna Cardoso

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“Benigna está para receber, aqui na terra, também, o prêmio que já está gozando na plenitude dos céus. Esta poderá ser, meus irmãos, quem sabe, a última ou a penúltima romaria antes da beatificação”, assim sinalizou o bispo diocesano, Dom Fernando Panico, a multidão de fiéis que celebrou nesta segunda-feira, dia 24, em Santana do Cariri, a décima terceira edição da romaria em louvor à menina Benigna Cardoso da Silva, considerada mártir da pureza e da castidade.

De acordo com as palavras do bispo, proferidas durante a homilia, muito em breve, poderá Roma, através do representante do papa, proclamar Benigna beata. Não há, segundo Dom Fernando, há qualquer impedimento para seguir adiante. “Tudo está pronto, tudo está encaminhado para, no próximo ano, o papa Francisco nos dizer: podem venerar Benigna com o título de ‘beata’”, anunciou, confiante.

O processo para beatificação encontra-se já, na Santa Sé, há quatro anos. “E vai muito bem”, no dizer do pastor diocesano, “indo adiante, sempre mais com a convicção que, em breve, se Deus quiser, quem sabe até no próximo ano, nós possamos fazer a grande festa da beatificação”.

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(Devotos na capela dedicada à Benigna: fé e gratidão àquela martirizada por amor a Deus. Foto: Patrícia Silva)

À Benigna, morta ao negar a violação de sua castidade, já fora atribuído o título de “Serva de Deus”. Se aprovado o procedimento, a jovem será a quarta brasileira com o título de beata, depois de Nhá Chica, Padre Victor e Dom Othon Motta.

A análise, por sua vez, está sendo feita através da “Congregação para as Causas dos Santos” que prepara, a cada ano, tudo o necessário para que o papa possa propor novos exemplos de santidade. Depois de aprovar os resultados sobre os milagres, martírio e virtudes heroicas, o santo padre procede a uma série de canonizações e delegará a celebração da beatificação.

O processo diocesano fora findado em 21 de setembro de 2013 e entregue à Congregação no dia 7 de outubro do mesmo ano.  Além do bispo, outro grande postulador da causa de Benigna fora o Monsenhor Vitaliano Mattioli, falecido em dezembro de 2014.

(Padres da Diocese de Crato concelebraram a santa missa em honra à jovem mártir. Foto: Patrícia Silva)
(Padres da Diocese de Crato concelebraram a santa missa em honra à jovem mártir. Foto: Patrícia Silva)

Segundo o pároco da cidade de Santana, padre Paulo Lemos, o Vaticano, inclusive, já solicitou depoimentos antigos, “para mostrar que a devoção não é de hoje, mas está plenamente plantada no coração do povo, desde as origens do martírio”. “Nós mandamos novos vinte e cinco depoimentos que relatam, dos antigos, esta devoção. O processo está caminhando”, disse.

Testemunho

A agricultora Juscineide Bezerra de Brito é uma das tantas devotas que atribuem milagres à Benigna Cardoso. Há quatro anos com hemorragia e sem qualquer esperança de melhoras, pediu à menina que a curasse. Conseguiu. Fez, então, a promessa de passar todo o mês de outubro vestida como ela. “Eu me apeguei a ela e hoje estou aqui para agradecer. Os médicos disseram que eu não tinha mais cura, mas eu resolvi procurar outras curas, procurar a santa Benigna”, afirmou.

Trajar o mesmo vestido, aliás, foi à forma que muitos fiéis encontraram para demonstrar gratidão e quitar as promessas. No percurso até a capela, dedicada a jovem mártir, era possível avistar crianças, jovens e adultos com o mesmo vestido vermelho.

(Dom Gilberto Pastana abençoa criança durante a romaria. Foto: Patrícia Silva)
(Dom Gilberto Pastana abençoa criança vestida como a menina Benigna. Foto: Patrícia Silva)

Para o bispo coadjutor, Dom Gilberto Pastana, que, pela primeira vez, participou da romaria, “é muito bom, bonito, ver o testemunho, a fé dessas pessoas e todas elas contando as experiências, sobretudo, de milagres na sua vida pela intercessão de Benigna”. “Eu penso que isso é fundamental, sobretudo, para o processo de beatificação dessa menina que preferiu testemunhar a graça de Deus do que enveredar pelo pecado. Isso é um testemunho para toda essa multidão”, afirmou.

Romaria

Embora fosse uma segunda-feira, devotos vindos dos mais variados recantos da cidade de Santana, bem como das cidades circunvizinhas e até de outros lugares do estado, percorreram dois quilômetros de caminhada, em chão batido, para render louvores à mártir da pureza e da castidade.

O percurso de fé e devoção recorda a data do martírio da jovem, em dia 24 de outubro de 1941. Iniciado na capela dedicada à jovem, localizado no distrito de Inhumas, em direção à Igreja Matriz, o tema deste ano celebrou: “Com Benigna, testemunhamos uma Igreja romeira e missionária”. A romaria, segundo a organização, aconteceu em preparação para o centenário da paróquia, que será comemorado em janeiro próximo.

(Devotos percorreram dois quilômetros de caminhada em louvor à menina Benigna Cardoso. Foto: Patrícia Silva)
(Devotos percorreram dois quilômetros de caminhada em louvor à menina Benigna Cardoso. Foto: Patrícia Silva)

Homenagens

Em nome do pároco, padre Paulo Lemos, e paroquianos de Sant’Ana, ao final da santa missa, foi lido um texto em homenagem ao Dom Fernando “por seu trabalho missionário de pastor junto à comunidade nestes quinzes anos de bispado”. A mensagem exaltava, sobretudo, a atenção particular dispensada ao povo santanense, “não medindo esforços para estar presente nos momentos fortes de nossa caminhada de igreja”.

Na ocasião, o pastor diocesano também recebeu um quadro com fotografias que relembravam suas visitas pastorais, crismas, festa da padroeira e romaria da Serva de Deus. Depois, os padres que concelebraram a missa impuseram as mãos sobre o bispo e fizeram uma prece por sua saúde. Dom Gilberto Pastana, bispo coadjutor, também foi presenteado com uma camisa da menina Benigna.

Leia o texto em homenagem a Dom Fernando aqui: homenagem-a-dom-fernando-panico

(Dom Fernando recebe quadro em sua homenagem. Foto: Patrícia Silva)
(Dom Fernando recebe quadro em sua homenagem. Foto: Patrícia Silva)

Para saber mais:

Benigna Cardoso da Silva nasceu em Santana do Cariri, em 15 de outubro de 1928. Era extremamente religiosa e temente a Deus. Aos 12 anos, começou a ser assediada por um rapaz com propostas de namoro, sempre rejeitadas de forma categórica. Depois de várias tentativas sem sucesso, numa tarde fatídica de sexta-feira, dia 24 de outubro de 1941, sabendo que Benigna ia pegar água numa cacimba próxima à sua casa, ficou rapaz à espreita atrás do mato, observando-a com o pote na cabeça, com seus recém completados 13 anos. Ao aproximar-se, abordou-a sexualmente. Ela recusou, mas ele insistiu tentando violentá-la. Ela disse “não” com veemência e lutou heroicamente para se defender do ato pecaminoso, que no seu entender cristão ofenderia seu corpo. Daí ser considerada “mártir da pureza e da castidade”.

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