Transfigurados com Cristo, por Cristo e em Cristo

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HOMILIA DO 2º DOMINGO DA QUARESMA – ANO B

“Este é o meu Filho amado. Escutai o que Ele diz!”

Amados irmãos e amadas irmãs!

No segundo Domingo da Quaresma, a Palavra de Deus indica o caminho que o verdadeiro discípulo deve seguir para chegar à vida nova que a aliança com Deus oferece: o caminho da escuta atenta e da adesão a Deus e dos seus planos. Pela vida e missão de Jesus Cristo, compreendemos que o caminho da obediência total aos planos do Pai é o caminho que conduz à vida plena.

Na Primeira Leitura, o livro do Gênesis apresenta-nos a Abraão como modelo de fé diante de Deus. Abraão é homem fiel, vive uma permanente escuta de Deus, aceita os seus chamados, respondendo a eles com obediência total (mesmo quando os planos de Deus parecem ir contra as promessas que o próprio Deus havia feito). Deste modo, Abraão tornou-se o modelo do fiel que sabe escutar a Deus e acolher os seus planos com obediência incondicional, com confiança total. Assim, todos nós somos chamados a acolher os planos de Deus e a realizá-los com fidelidade, mesmo que as propostas de Deus às vezes pareçam incompreensíveis ou que os seus planos estejam colidindo com os nossos planos pessoais.

Na Segunda Leitura, São Paulo lembra-nos de que Deus ama com um amor imenso e eterno. Jesus Cristo, o seu Filho amado, que morreu por nós, é a manifestação definitiva deste amor. Sendo assim, o cristão nada tem a temer. Deve enfrentar a vida com serenidade e esperança, confiando totalmente no amor de Deus. Pode, portanto, como Jesus Cristo, entregar a sua vida como dom, lutar pela paz e pela justiça, enfrentar os poderes da violência e da morte, porque confia no Deus que o ama e que o salva.

No Evangelho, ouvimos o relato da transfiguração de Jesus. Ao recorrer a elementos simbólicos do Antigo Testamento, o evangelista apresenta-nos uma catequese para revelar que Jesus vai concretizar a libertação e a salvação da humanidade por meio da doação da própria vida.  Jesus é o Filho amado de Deus e n’Ele se manifesta a glória do Pai. Ele é, também, o Messias libertador e salvador esperado por Israel, anunciado pela Lei (Moisés) e pelos Profetas (Elias).  Ele é um novo Moisés, pois é através d’Ele que Deus dá ao seu Povo uma nova lei e uma nova Aliança. A transfiguração nos ensina que a cruz e a morte não terão a palavra final, pois no fim do caminho de Jesus – e no caminho dos discípulos que seguirem Jesus fielmente – está a ressurreição, a vida plena, a vitória definitiva sobre a morte.

Os três discípulos, testemunhas da transfiguração, demonstram não ter muita vontade de descer e enfrentar o mundo e os seus problemas. Eles representam todos os que vivem de olhos voltados ao céu, querendo fugir da responsabilidade da missão de renovar e transformar o mundo. Nossa missão é regressar ao convívio com a comunidade depois de fazer a experiência do encontro com Jesus e de se manter fiel ao chamado de Deus Pai que nos recomenda insistentemente: “Este é o meu Filho amado. Escutai o que Ele diz!”.

Padre Paulo Sérgio Silva

Pároco da Paróquia São Sebastião, em Mangabeira, distrito de Lavras-CE

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