Solenidade de São Pedro e São Paulo – Igreja: comunidade de pessoas que conhecem a Cristo

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Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé.” (2Tm. 4,7)

Celebrar os Apóstolos Pedro e Paulo como testemunho de fé da Igreja una, santa, católica e apostólica é recordar e ter consciência da vitalidade das raízes de onde nós surgimos. Os dois foram martirizados em Roma, na perseguição de Nero, por volta do ano 64 d. C.  Pedro é a Pedra que recebe sua firmeza diretamente da pedra angular que é Cristo; Paulo, a Fonte de onde flui o ardor missionário nascido do encontro com o Senhor Ressuscitado. Celebrar sua memória é recordar o caminho de nossa fé ao longo destes dois milênios e pensar no nosso próprio seguimento de Jesus. Uma solenidade que desde o século III nos convida a professar a fé e a assumir o compromisso da missão.

            A primeira leitura (At. 12,1-11) mais do que destacar o personagem Pedro, deseja apresentar a vida dos primeiros cristãos logo após a ressurreição de Jesus. Por isto, se enfatiza que a libertação de Pedro não é resultado de forças da violência, mas da confiança em Deus pela oração (At 12,5). A oração da comunidade é respondida com a intervenção de um mensageiro de Deus (At 12,7). A oração recebe a resposta de Deus de modo semelhante como muitas vezes experimentamos quando pedimos e ou agradecemos a Deus.

            A segunda leitura (2Tm. 4, 6-8.17-18) nos coloca diante de Paulo escrevendo, a um amigo e colaborador missionário, o seu testamento espiritual. Usando as imagens da oferta do sacrifício, da luta e da competição esportiva, Paulo mostra o final de uma vida oferecida a evangelização. Todavia, ao contrário da coroa de louros oferecida aos atletas (2Tm 4,8), o Apóstolo tem plena certeza de que receberá a Cristo. Compreendemos que no fim da vida, um discípulo de Jesus, apesar dos perigos, desafios e provações, sempre reconhecerá a permanente presença do Senhor em meio a todas elas.

            O Evangelho (Mt. 16,13-19) nos introduz no centro da fé dos discípulos em Jesus. Ao fazer sua profissão de fé, Pedro se torna a voz que comunica a fé da sua comunidade e recebe de Cristo, nova identidade e missão.

            A questão que Jesus propõe é fundamental para a compreensão da sua identidade (Mt. 16,13). A multidão compreendia e afirmava que Jesus falava em nome de Deus. Apesar de O enxergar como um profeta enviado parte de Deus, faltava a eles o passo decisivo que levava ao encontro pessoal como aconteceu com Zaqueu, o cego Bartimeu ou a Samaritana. Por isso, a grande multidão permaneceu como “discípulo da curiosidade”. Os discípulos caminhavam com Ele há quase 3 anos e mesmo assim muitos ainda não sabiam quem ele era e qual sua missão.

            Em resposta a sua profissão de fé, Pedro é chamado de bem-aventurado porque já possuía no coração algo precioso que o restante dos discípulos ainda buscava alcançar. Sua profissão de fé não é fruto puramente da inteligência humana, mas da misericórdia de Deus (Mt. 16,17). Jesus então confere nova identidade ao discípulo. Pedro torna-se como pedra, rocha. Recebe o compromisso de manter-se firme e confirmar os outros discípulos na fé professada. Para ser capaz de tão grande missão, Pedro recebe as chaves do Reino dos céus e o poder de ligar e desligar as coisas dos céus e da terra (Mt 16,19). As chaves representam a missão da Igreja de refletir e anunciar o mistério do Reino anunciado por Jesus Cristo.

            A vida e a evangelização das duas colunas da Igreja que hoje celebramos não se apoiam sobre uma mensagem intelectual, mas sobre uma experiência pessoal e transformadora que resulta numa caminhada sofrida e testemunhada com a palavra do Evangelho de Jesus Cristo. Hoje, graças aos meios de comunicação, muitos cristãos tem acesso a todos os livros que a fé cristã produziu ao longo destes dois milênios. No entanto, apesar da ampla leitura, são poucos que fazem esta experiência pessoal com Cristo. Como resultado disto, conhecem doutrina moral, teológica e canônica, mas se tornam incapazes de ter compaixão e solidariedade como o próprio Cristo teve. O risco é nos tornamos intelectuais nos moldes dos fariseus, mas distantes da humildade e mansidão do coração de Jesus.

O lugar de Pedro e dos seus sucessores não é um cargo de honra ou o topo de uma escada onde se corre para subir os degraus enquanto se derruba os irmãos de fé. É um serviço. O serviço de apascentar as ovelhas do Senhor (Jo. 21, 15ss). O serviço de presidir a Caridade. Ser Testemunha de Cristo, pastor e servo dos cristãos são direitos e deveres que Cristo passou a Pedro e a Paulo e aos seus sucessores, os bispos de Roma e do mundo inteiro, mas também a todos nós que uma vez batizados nos tornamos igualmente discípulos seus.

            Por isto, ao longo de nossa vida e missão, o Senhor permanece mirando com amor os nossos olhos e sorrindo, repete a pergunta: “E vós, quem dizeis que Eu sou? (Mt. 16,15). Nossa resposta como reflexo de nossa caminhada ao seu lado, de modo semelhante a Pedro e Paulo, não pode ser algo mecânico e intelectual, mas fruto da presença de Deus em nossa vida e eco da verdade que carregamos no nosso coração.

            Rezemos pelo Santo Padre, sucessor de Pedro, para que Deus Uno e Trino, que o confiou tão desafiante e sublime missão, o ilumine e o torne, cada vez mais, capaz de confirmar na fé a nós, os seus irmãos.

Pe. Paulo Sérgio Silva

Paróquia Nossa Senhora da Conceição – Farias Brito.

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