Solenidade de Nossa Senhora da Penha: Como Maria, peregrinar anunciando Jesus

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Presidida por dom Gilberto Pastana, sendo concelebrada por dom Edimilson Neves Ferreira, bispo da diocese de Tianguá, e vários sacerdotes, a Solenidade de Nossa Senhora da Penha, na Sé Catedral, realizada na manhã deste domingo, dia primeiro de setembro, mostrou o júbilo vivenciado pela diocese de Crato por estar celebrando o dia da padroeira.

A Igreja estava ornada de devotos, que vieram de várias cidades, e de detalhes com uma delicadeza majestosa, enaltecendo a “Imperatriz Constante”. “Para nós é uma imensa gratidão e amor puder contribuir para realização desta celebração, no serviço a Igreja de Cristo”, expressou Eliziane Siebra, membro da organização.

No altar estava a imagem da Mãe com o Menino Jesus no colo, tendo uma coroa na cabeça, estrelas no manto representando sua glória. Em volta flores, simbolizando a vegetação de Penha de França, da província de Salamanca, onde ela foi encontrada.

A assembleia com os louvores, as respostas à liturgia e o silêncio, nos momentos próprios, fez com que a celebração se tornasse ainda mais orante. O cântico do hino da Penha, entoado com emoção ao fim da solenidade, demonstrava no olhar de cada fiel o agradecimento pela intercessão da Virgem que ensina seus filhos a peregrinarem anunciando o evangelho de Jesus Cristo, conforme a temática da festa deste ano.

É importante lembrar que, em conformidade com o Diretório Litúrgico da Igreja, todas as paróquias da cidade de Crato celebram, neste domingo, a Solenidade de Nossa Senhora da Penha.

Foto: Mychelle Santos

Conclusão da festa

Ao todo, na Sé Catedral, foram dez dias de festa em honra a padroeira da cidade e da diocese, com uma programação que contribuiu para que os fiéis manifestassem sua fé e permanecessem no caminho de Deus.

Apesar da saudade, dom Gilberto disse que os devotos devem perpetuar cada ensinamento vivenciado. “É uma passagem que fica, permanece para sempre em nossa vida porque fomos convidados a fortificar a nossa fé, nossa peregrinação, nosso caminhar para o Senhor. Como é bom escutar a Palavra de Deus e, escutando-a, acolhê-la em nosso coração e em nossa vida, colocando-a em prática”, reforçou.

Na homilia o bispo refletiu a liturgia do dia e deu destaque ao evangelho, dividindo- o em quatro partes.

A vista de Maria a Izabel

A primeira parte foi a visita de Maria a Izabel, sua prima. De acordo com o relato do evangelho Maria fez isso apressadamente, levando, no ventre, o filho de Deus. “Ao levar Jesus a Izabel, Maria o oferece a todos que encontrava na caminhada. Ela não leva a si mesmo, mas leva o Filho de Deus e, levando o Filho de Deus, leva consigo o Espirito Santo”, explicou.

O bispo destacou uma característica importante para a vida cristã presente em Maria: a humildade. “Ela não faz para aparecer, faz com humildade e simplicidade para cumprir a vontade do Pai. Ela é por excelência a peregrina do evangelho porque carrega o evangelho consigo, o Salvador, o Senhor e é isso que faz com que peregrine, saia de Nazaré para ir a Judéia, para casa de sua prima”, continuou.

O discurso de Izabel

A segunda parte esteve baseada no discurso de Izabel que, ao receber a visita de Maria, exultou: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor? Pois assim que a voz de tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança estremeceu de alegria no meu seio. Bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas!”. (Lc 1, 42-46)

De acordo com o bispo, este foi um discurso inspirado pelo próprio Espírito de Deus. “Izabel acolhe a Mãe do Salvador e acolhe aquele que ela carrega consigo”, disse.

Dom Gilberto ainda revelou que o encontro entre as duas foi tão edificante que não só as duas mães se encontraram, mas também as duas crianças: o Precursor (João Batista) e o Messias (Jesus Cristo), o último dos profetas e o profeta.

E continuou: “Como é bom também sermos nós peregrinos do Senhor, o portarmos conosco não só nestes momentos de liturgia, mas em toda nossa vida. Devemos ser portadores do Senhor, termos consciência de que Ele está conosco, verbalizar através de nossas ações e atitudes”.

Nesta parte, o bispo também ressaltou a importância da valorização das pessoas e o respeito que se deve ter pela história de cada ser humano.

O Cântico de Maria

O Magnificat foi a terceira parte. Segundo dom Pastana, através do conhecido cântico do Magnificat Maria deu uma resposta a Izabel e aos acontecimentos da sociedade, que deve ser atualizada no tempo e na história, inclusive, nos dias atuais. “Maria canta esse cântico com coisas que aconteceram no passado porque o que Deus fez no passado é o que Ele quer fazer voltar. Ele quer que esse passado se atualize”, pontuou.

Conscientizando que cada cristão é responsável por esta atualização, o bispo disse que cada cristão deve praticar a justiça e a misericórdia de Deus. “Deus inverte a relação da vida humana para relação pela ordem de Deus, que é a ordem que Maria proclama no Magnificat”, garantiu.

Retorno de Maria para casa

Após permanecer três meses com Izabel, Maria retorna para casa. Assim é concluído o evangelho do dia. “Foram três meses de evangelização, de partilha fraterna, de revelação do reino”, destacou o bispo.

Aproveitando a oportunidade, dom Gilberto também relacionou sua reflexão com o tema da festa, afirmando que a “Virgem da Penha é a Mãe dos peregrinos do evangelho”. “Devemos refletir sobre o caminhar da nossa vida e a existência. Deus quer que caminhemos para Ele. Temos essa possibilidade de confirmar esse desejo de Deus a medida que confirmamos essa atuação para fraternidade com Ele, o testemunho dos Seus valores”, assegurou.

Concluindo, dom Gilberto disse que, como Izabel, todos devem acolher Maria e seu Filho Jesus em suas vidas.

 

Por: Jornalista Patrícia Silva- DRT 3815/CE

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