Santidade: dom de Deus e resposta humana

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REFLEXÃO PARA A SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS – ANO B

SANTIDADE: DOM DE DEUS E RESPOSTA HUMANA

“Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa no céu.”

Na liturgia desta Solenidade, a Igreja na Terra volta seu olhar e seu coração para o céu e contempla jubilosa uma multidão que participa da glória e da plenitude do Deus. A nossa fé nos ensina que somente Deus é plenamente Santo. Ele é Santo, mas não solitário. A fé também nos ensina que esse Deus santo e pleno, como Pai, reclina-se sobre nossa humanidade para compartilhar conosco a sua própria vida, tornando-nos participantes de sua própria Santidade.

Na Primeira Leitura (Ap 7,2-4.9-14), vislumbramos a assombrosa imagem revelada pelo livro do Apocalipse de São João. Embora seja narrado um número, na verdade, fala-se em “uma multidão que ninguém podia contar”. Assim compreendemos que essa multidão são todos os povos da terra, chamados e reunidos por Cristo, em sua Igreja, para a salvação, para a santificação que Deus nos oferece. A santidade é para todos. Não se trata de um privilégio para uma elite espiritual. A humanidade inteira foi redimida na cruz pelo sangue do Cordeiro Divino. Logo, a vida divina, a santidade que Deus quer partilhar, é para todos.

Na Segunda Leitura (1Jo 3,1-3) somos abordados novamente por São João com um convite. Na verdade, trata-se de um grito jubiloso reafirmando o que a Primeira Leitura proclamou: “Caríssimos, Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos!”. Deus no seu infinito amor, em Seu Filho Unigênito, Jesus Cristo, acolheu-nos como filhos. Desse modo, entendemos que a santidade consiste em vivermos como filhos e filhas de Deus. Pelo batismo que nos foi dado, recebemos a graça de sermos seus filhos adotivos, chamados a participar da glória eterna. A santidade não é fruto do esforço isolado da humanidade. É dom do amor de Deus e também resposta do ser humano à iniciativa divina. Uma obra realizada por dois corações: Divino e Humano.

No Evangelho (Mt 5,1-12a), ouvimos serenamente as Bem-aventuranças. As “bem-aventuranças” são frequentes na tradição bíblica. Elas aparecem nos profetas, nos salmos e nos livros sapienciais. São reflexos de uma alegria oferecida por Deus. Quando foram proclamadas por Jesus na sua missão de anunciar o Reino de Deus, tornaram-se um meio para os discípulos renovarem a antiga Lei do Sinai com o novo código ético anunciado por Jesus. O Papa Francisco afirmou que as bem-aventuranças são a identidade do cristão. Elas são como “placas” a indicar o caminho de santidade para o qual somos insistentemente convidados a percorrer ao longo de nossa vida aqui na terra enquanto buscamos a vida eterna no céu.

As bem aventuranças são o testamento de Jesus, porque revelam o seu rosto: Ele é o verdadeiro pobre de espírito, o aflito, o manso, aquele que tem fome e sede de justiça; o misericordioso, o puro de coração, o pacificador. Ele sofre perseguição por causa da justiça. Na vida de Cristo, compreendemos que todas as bem aventuranças trazem um ato de sofrer aqui na terra. Quem as vive, escolheu não viver o desejo do mundo. Mas traz a esperança também, a esperança de ver o mundo transformado pela santidade advinda da vivência da fé na vida cotidiana.

Em um mundo tão repleto de diferentes caminhos que nem sempre nos conduzem à felicidade, contemplar a vida dos santos nos alegra, porque nos ensina qual caminho seguir para encontrar a plenitude que nosso coração almeja. Neles, redescobrimos para onde vamos e qual é o sentido da nossa vida.

Invoquemos, então, a intercessão dos santos para que nos ajudem a imitá-los e a responder ao amor de Deus com generosidade. Que eles roguem por nós, pois o que eles foram – cristãos, anunciadores do Reino de Deus – nós o somos; e o que eles são – Santos e Santas – todos nós somos chamados a ser.

Pe. Paulo Sérgio Silva

Paróquia Nossa Senhora da Conceição – Farias Brito

 

Capa: reprodução da Internet

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