Salve, Rainha! Coroação de Nossa Senhora na Catedral faz memória aos trezentos anos de Aparecida

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Recordando o segundo mistério gozoso, que narra a Visitação de Maria à sua prima, Isabel, a devoção popular mariana em toda a Igreja tem seu ápice com a coroação da Imagem da Imaculada Rainha, concluindo, desse modo, as atividades celebrativas ao mês de maio.

Na cidade de Crato a devoção de coroar a Imagem de Nossa Senhora é antiga. Acontece há 117 anos. Começou com o padre Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva, que depois tornou-se dom Quintino.

Este ano, o tema foi cuidadosamente pensado por Dom Edimilson Neves, que por tantos anos esteve à frente da Igreja Catedral. A cerimônia  fez memória aos trezentos anos de benefícios dispensados por meio da Senhora Aparecida nas águas do Rio Paraíba do Sul, cujo surgimento aos três pescadores – que nada conseguiam apanhar – foi expressão sensível de sua complacência materna, simbolizada nos tantos peixes que se prenderam às redes, depois.

A cerimônia deu-se por volta das 20h, e a frente da Igreja foi toda preparada para esse momento solene e festivo. Com olhos marejados e câmeras a postos, o público exultou de alegria e emoção.

“A multidão hoje aqui reunida é uma resposta das pessoas a essa devoção que é tão cara aos cristãos, como um todo, e aos fiéis devotos de Nossa Senhora”, explicou o cura da Catedral, padre José Vicente.

Acompanhando ao longe toda cerimônia, a professora Maria Negi de Sousa, também catequista do batismo, leiga consagrada do Instituto Secular Filhas de Sant’Ana e paroquiana de São Francisco, contou que sua devoção a Maria vem desde a infância, quando era trazida pela mãe, acompanhada da avó, para assistir a coroação. O que leva consigo desta tradição é o amor fiel que Maria sempre teve com Deus e com a humanidade, dizendo “sim” ao projeto do Senhor em sua vida. “Isso é o que, pra mim, é importante. A gente ser fiel àquilo que é vontade de Deus, como Maria”, considerou.

O rito de coroação      

O rito, acompanhado pelo coral dos Seminaristas do Seminário São José, deu-se solenemente, com jovens e crianças vestidas de anjos, simbolizando “o dia sem ocaso da eternidade, quando a Virgem gloriosa, entrando triunfante na pátria celeste, foi através das hierarquias bem-aventurada, e dos coros angélicos sublimada até ao trono da Trindade beatíssima” *, enquanto a coroa (recordando o tríplice diadema de glória) lhe era cingida a fronte, e o manto azul anil apresento-a à Corte celestial como Rainha do universo, sobretudo do Brasil. Na encenação, esses símbolos foram levados pelos casais do ECC (Encontro de Casais com Cristo).

[Assista ao momento em que a Imagem é coroada, clicando no vídeo]

Pequena Catequese com Dom Gilberto Pastana

Sentado para acompanhar a cerimônia, ladeado pelos padres José Ricardo (de Ponta da Serra, distrito de Crato) e Paulo Borges (do Bairro Batateiras), dom Gilberto Pastana ensina que a espiritualidade cristã é rica no sentido de aprender, com o Senhor, o verdadeiro sentido da vida. E, dentro dessa espiritualidade, é impossível não referenciar àquela que traz Jesus para o nosso meio, que é Nossa Senhora. Então, certamente, a vida de Nossa Senhora motiva a vida não só das mães, mas de todos nós, dos filhos, dos esposos, das crianças. Ela inspira, através do seu exemplo de vivência cristã, o seguimento do seu filho, Jesus. Hoje, por exemplo, ao coroarmos Nossa Senhora, nós recordamos esse gesto, que parece tão simples, mas é tão significativo na vida cristã, que é o gesto da visitação. Maria sai de sua casa e vai até Isabel, para levar o Senhor. Ela não vai sozinha… Hoje nós estamos aqui, também, acolhendo o Senhor. Pela sua coroação, ela apresenta o Senhor. Então, essa é uma noite muito rica de espiritualidade, que nos enriquece no seguimento de Jesus.

(Dom Gilberto: Pela sua coroação, Maria nos apresenta o Senhor. Foto: Patrícia Mirelly)

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