Restabelecidos pelo Amor de Deus, anunciemos o Evangelho com a vida e a verdade

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HOMILIA DO  5º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B

RESTABELECIDOS PELO AMOR DEUS, ANUNCIEMOS O EVANGELHO COM A VIDA E A VERDADE

“Ele se aproximou, segurou sua mão e ajudou-a a levantar-se”.

Amados irmãos e amadas irmãs!

A liturgia deste domingo reflete sobre questões fundamentais que se evidenciam diariamente em nossas vidas, principalmente neste tempo de pandemia que vivenciamos: qual o sentido do sofrimento e da dor que acompanham a nossa caminhada pela terra? qual a atitude de Deus diante dos dramas que marcam a nossa existência? São perguntas que nós fazemos em meio às nossas orações cotidianas. Todavia, sua Palavra nos garante que o plano de Deus não é um projeto de morte, mas um caminho de vida verdadeira, de felicidade sem fim.

Na Primeira Leitura, Jó comenta, com decepção e desilusão, que a sua vida está marcada por um sofrimento pavoroso e que Deus parece ausente e indiferente ao seu desespero. Apesar da amargura, Jó se dirige a Deus, pois, mesmo em meio ao sofrimento aterrador, sua fé lhe revela que Deus é a sua única esperança e que fora d’Ele não há possibilidade de salvação. Jó sabe, pela fé, que “Ele conforta os corações despedaçados”, e que “Ele enfaixa as feridas e as cura” como nos recorda o Salmo de hoje.

No Evangelho, iluminando essa realidade, manifesta-se a eterna preocupação de Deus com os seus filhos através da ação libertadora de Jesus em favor dos que sofrem. Jesus “aproximou-Se” da sogra de Pedro que estava doente. É o Deus que vem ao nosso encontro. A iniciativa de se aproximar de quem está prisioneiro do pecado, do sofrimento, da doença, revela que a missão que recebeu do Pai consiste em realizar a libertação de tudo aquilo que faz o ser humano sofrer e lhe usurpa a vida. Jesus “segurou-a pela mão e ajudou-a a levantar-se”. A mulher está prostrada pelo sofrimento que lhe impede de viver, mas o contato com Jesus devolve-lhe a vida e equivale a uma ressurreição. “E ela começou a servi-lo.” O Evangelho sugere, ainda, que a ação de Jesus tem de ser continuada pelos seus discípulos, pois o efeito imediato do encontro com Jesus e da vida que brota d’Ele é a ação missionária que se concretiza no serviço aos irmãos.

Na Segunda Leitura, São Paulo acentua a obrigação de testemunhar a continuação da missão de Jesus. Os discípulos de Jesus não podem ser guiados por interesses pessoais, mas pelo amor a Deus, ao Evangelho e aos irmãos. Quem fez uma experiência pessoal com Jesus e dedica a sua vida ao serviço do Reino não é um funcionário com salário agradável, que cumpre as suas horas de serviço. Mas é alguém que põe o amor aos irmãos e à comunidade como centro da vida, que está sempre disponível para servir aos irmãos, para escutá-los e acolhê-los. Para o discípulo de Jesus, o amor deve expressar-se e concretizar-se no dom, no serviço, na entrega total.

No entanto, algo deve nos chamar ainda a atenção. Marcos apresenta-nos Jesus (depois de curar, libertar e salvar a todos) retirado num lugar solitário, em oração. É importantíssimo perceber que a ação redentora de Jesus é finalizada na oração e que a sua ação missionária é outra vez iniciada a partir da oração. A oração é, para Jesus, a fonte de onde emana sua força, sua vida e sua missão.

Encerremos meditando e rezando com o Apóstolo Paulo: “Bendito seja Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias, Deus de toda a consolação, que nos conforta em todas as nossas tribulações, para que, pela consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus, possamos consolar os que estão em qualquer angústia! Com efeito, à medida que em nós crescem os sofrimentos de Cristo, crescem também por Cristo as nossas consolações” (II Coríntios, 1. 3-5).

Pe. Paulo Sérgio Silva

Paróquia São Sebastião, Mangabeira, distrito de Lavras-CE

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