Quatro lições da pandemia para a Quaresma

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Que lições a pandemia de Covid-19 nos ensinou sobre o “Sacramento da confissão e da Eucaristia”, a “vida de oração e espiritualidade”, a “vida em comunidade e sentimento de pertença à Igreja”, a “caridade e partilha” para serem aplicadas principalmente neste tempo da Quaresma? Fizemos essa pergunta para alguns padres, religiosas e leigas de nossa Igreja Diocesana. Confira.

Sacramento da confissão e da Eucaristia

“A pandemia nos ensinou, em primeiro lugar, a olhar para dentro de nós mesmos, olhar para a nossa limitação, para nossa humanidade e perceber que nós não somos Deus. E aí é onde está o pecado: achamos que somos imortais com o nosso orgulho e com a nossa indiferença. Este distanciamento social nos mostrou que somos humanos, frágeis, nos ensinou a valorizar os sacramentos, principalmente da Confissão, que nos faz abrir o coração a Deus e aos irmãos; e da Eucaristia que é o banquete do Corpo e Sangue de Cristo, que gera vida, partilha e comunhão, o alimento que nos traz a salvação, principalmente neste tempo da Quaresma quando somos convidados a olhar para dentro de nós mesmos, somos convidados à mudança de vida, à reconciliação com Deus e com os irmãos”, Padre Gilberto Junior, vigário paroquial da Paróquia de Senhora Sant’Ana, em Santana do Cariri.

“Fez-me sentir, cada vez mais forte, a história do profeta Jonas, que teve de sair de sua terra para tentar evangelizar o povo a respeito de sua má conduta, pregando o arrependimento. Neste período de pandemia, fez-me perceber isto: muitas pessoas, de fato, fizeram penitência, se aproximaram de Deus. E a lição a ser tirada de tudo isso é que estávamos distantes de Deus e se fez necessário voltarmos para Ele”, Padre Claudiano Ferreira, vigário paroquial da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Mauriti.

Vida de oração e espiritualidade

“O tempo difícil da pandemia tem nos ensinado muitas lições para estarmos mais vigilantes na oração, pois, como diz Santa Teresa de Jesus, pela via da oração chegaremos a beber da água viva que só o Cristo pode no-la oferecer. É tempo de cuidar do jardim espiritual com zelo e bons propósitos, muitas vezes em terra árida e ervas nocivas, abrindo espaço para que o Cristo venha plantar as ervas boas e benfazejas na vida da comunidade que reza e recolhe os frutos de uma oração coroada de bondade, de amor e de fé. O tempo Quaresmal nos ajuda a percorrer um caminho de sincera conversão em preparação para a Festa da Páscoa, certeza de vida plena para todos, em Cristo Ressuscitado, em meio à angústia e à insegurança vividas com a pandemia do coronavírus. ‘Ponha os olhos no Crucificado e tudo vos parecerá fácil’, exorta-nos Santa Teresa de Jesus no [livro] Castelo Interior. Assim aprendemos, no cotidiano da vida, o exercício libertador de escuta à Palavra de Deus, em postura de silêncio, recolhidos e contemplativos sobre o Mistério da Cruz, única realidade salvadora”, Madre Vera Lúcia Alves de Andrade, coordenadora geral da Congregação das Filhas de Santa Teresa de Jesus, com sede em Crato.

“O Catecismo da Igreja Católica citando Santo Agostinho, faz-nos compreender que ‘a oração, quer saibamos ou não, é o encontro entre a sede de Deus e a nossa. Deus tem sede de que nós tenhamos sede Dele’ (CIC 2560). E o motor que impulsiona a vida de quem se reconhece cristão é o desejo de saciar sua maior e mais profunda necessidade: a sede de Deus. Com a imposição da pandemia em nossa realidade, transformando a normalidade da vida cotidiana, deparamo-nos com a urgência em reacender a chama da Igreja doméstica – muitas vezes abafada pelo frenesi do ativismo diário – fazendo-nos voltar às origens da nossa fé. A bem da verdade, podemos dizer que estamos vivendo desde o início de 2020 uma longa quaresma. A necessidade de permanecer recolhidos em casa nos ofereceu mais tempo: para a oração, a reflexão, a meditação e o conforto da Palavra de Deus; para a convivência com os próximos mais próximos, exercitando virtudes – renúncia, compreensão, misericórdia, silenciamento, uma espécie de jejum cuja consequência é a paz; para ajudar nas mais diversas formas os irmãos atingidos pelo caos do desemprego, da doença, da fome, da miséria absoluta, do abandono… Se a Quaresma pede que nos voltemos para nós mesmos, em busca da conversão, estimulando a prática da oração, do jejum e da esmola, nesse tempo de pandemia é como se nos tivesse sido proporcionada uma grande oportunidade de vida quaresmal”, Francimary Alencar, professora no Seminário Propedêutico, em Crato, e ministra extraordinária da Comunhão Eucarística.

Vida em comunidade e sentimento de pertença à Igreja

“A pandemia nos ensinou que a aproximação com o outro é construída a partir de uma relação profunda do amor que afirma o sentimento de Jesus, sentimento da solidariedade, da compaixão, da misericórdia. Este sentimento vai nos ajudando a perceber que nós pertencemos a uma Igreja de comunidade de irmãos e irmãos. E nessa caminhada de fé, nós precisamos construir uma nova sociedade, onde ela possa nos ajudar a afirmar atitudes novas, que nós podemos trabalhar durante esse período quaresmal. A pandemia foi nos mostrando a mesquinhez do ser humano na sua dimensão de racismo, de preconceito, de xenofobia, de feminicídio. Precisamos superar esse sentimento, entrar no deserto de nossa vida para romper essas barreiras que, muitas vezes, nos impedem de construir o novo. Não dá para recomeçar a vida depois da pandemia da mesma forma. Muita coisa tem que mudar e essa mudança tem que proporcionar o verdadeiro sentido da libertação, colocando Jesus como sendo a nossa paz, gerada da superação do conflito, na luta do dia a dia, na caminhada da vida”, Padre Vileci Vidal, coordenador diocesano de Pastoral e pároco da Paróquia Santo Antônio, em Araripe.

“Amar o próximo significa também não se aproximar, tendo a experiência de ajudar por outros meios, internet, telefone, ser presença on-line. Mesmo cada um em sua casa continuamos uma comunidade, uma Igreja doméstica. Claro, ficar junto, rir, discutir, fazer refeições fazem falta. Mas isso não sendo possível, aprendi a dar valor a esses momentos, que terão novo jeito, novo sabor quando tudo isso passar”, Angelita Maciel “Nininha”, membro do Conselho Diocesano de Pastoral e articuladora das Pastorais da Basílica Santuário Nossa Senhora das Dores, em Juazeiro do Norte.

Caridade e partilha

“Diante dessa pandemia, precisamos trabalhar a necessidade de crescermos na compaixão, de nos colocarmos no lugar do outro. Crescer no sentimento de compaixão, de sentir a dor do outro, é diferente de sentir pena. Quem sente pena pode até ajudar, mas a pena é um sentimento mesquinho. Na sede da Pastoral do Menor, aqui na Paróquia, nós acolhemos os moradores de rua e foi uma experiência única, sem contar o trabalho de assistência às famílias que nós já acompanhávamos e conseguimos ajudar com, em média, duas mil cestas básicas. Também inspirados no exemplo de São Francisco, fizemos uma campanha de adoção e arrecadação de alimentos para os animais de rua. Esse tempo de pandemia fez com que tudo aquilo que a gente vinha pregando, falando e testemunhando fosse colocado em prática. A nossa comunidade cresceu muito no amor, porque foi capaz de partilhar, de se colocar no lugar do outro no tempo de dificuldade, no tempo de crise em todos os sentidos. Agradeço a todas as pessoas que foram se envolvendo, ajudando e fazendo a diferença. A nossa vida só tem sentido quando nós damos sentido à vida do outro”, Padre Arileudo Machado, Pároco da Paróquia São Francisco de Assis, em Crato.

“Se nós não assumirmos, de fato, a empatia não vamos conseguir jamais lidar com essa pandemia, como é se colocar no lugar do outro, ver a sua realidade. A centralidade da Quaresma é a unidade, o compromisso e o amor. Precisamos praticá-los, não adianta ficar só na fala. Tem que ter o compromisso com a causa, com a missão, com o Evangelho e, acima de tudo, o amor e a empatia. É desafiante essa pandemia, mas temos de nos colocar no lugar do outro. E quando fazemos esse papel, damos esse testemunho de caridade, de solidariedade, conseguimos superar”, Solange Santana, agente Cáritas, em Crato.

 

Por: Patrícia Mirelly| Assessoria de Comunicação

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