Profetas chamados a anunciar o Salvador

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HOMILIA DO 3º DOMINGO DO ADVENTO – ANO B

PROFETAS CHAMADOS A ANUNCIAR O SALVADOR

“Eu vos batizo com água; mas no meio de vós está aquele que vós não conheceis.”

Amados irmãos e amadas irmãs,

Nossa caminhada espiritual no Advento nos recorda que Deus tem um plano de
salvação e de vida plena para oferecer a toda humanidade, a fim de fazê-la passar das trevas do pecado à luz da Graça divina.

Aprofundando a reflexão sobre a vocação dos profetas, iniciada no domingo passado, o Evangelho nos convida novamente a voltar nosso olhar para João Batista, a “voz” que prepara os homens para acolher Jesus Cristo, a “luz” do mundo. O objetivo de João não é centralizar em si as atenções. Ele, ciente de sua missão, deseja levar os seus ouvintes a acolher, “conhecer” e “reconhecer” Jesus, o enviado de Deus Pai, que traz a revelação definitiva do amor divino com uma proposta de vida e de liberdade plena para os seres humanos.

Na Primeira Leitura, o profeta Isaías apresenta-se aos habitantes de Jerusalém como mensageiro do “ano da graça” vinda de Deus. Este profeta, ungido pelo Espírito, reconhece que sua missão é anunciar um tempo novo, de vida plena e de felicidade sem fim, um tempo de salvação que Deus vai oferecer aos “pobres”. No contexto bíblico, o termo “pobre” não significa uma categoria sociológica, mas uma categoria espiritual. Os pobres são os carentes de bens, de dignidade, de liberdade e de direitos e, por isso, são considerados os preferidos de Deus e o objeto de sua especial proteção e ternura. E se somos objetos da ternura de Deus, devemos nos esforçar para viver à altura de tão sublime afeição.

Assim, na Segunda Leitura, São Paulo explica aos cristãos da comunidade de Tessalônica – e para nós também – qual é a atitude vital que precisamos assumir enquanto esperamos o Senhor que vem ao nosso encontro. Paulo afirma ser necessário que sejamos uma comunidade “santa” e irrepreensível, isto é, que viva alegre, em atitude de louvor, de adoração e com verdadeiro testemunho da fé, aberta aos dons do Espírito e aos desafios que o anúncio do Evangelho nos impõe.

Como já percebemos, João Batista é consciente da essência de sua missão e não aceita nenhuma tentativa de centralizar a atenção à sua própria pessoa. Quando indagado se é o Messias, oferece três respostas negativas. Ele não busca a glória ou autoafirmação; sabe que a sua missão é meramente dar testemunho da “luz”. E é para essa “luz” que os olhos e os corações devem ser apontados. Em meio à sociedade em que vivemos, sobrecarregada de ansiedades e tão preocupada em ser vista e valorizada numa perigosa estrada egocêntrica, a atitude de João Batista é um grito ensurdecedor que nos recorda que não somos o Messias, somos também anunciadores de sua vinda e de sua presença redentora. Não somos a luz, apontamos para a luz.

Depois de tantos séculos, aparentemente ainda não conhecemos Jesus Cristo, por isso andamos tão preocupados em defender nossas ideologias mesmo sabendo que elas não nos trazem a salvação que nossos anseios desejam. É o batismo do Messias (batismo no e do Espírito Santo) que transformará totalmente os corações dos seres humanos. Somente Ele nos fará livres e nos dará a vida em abundância.

Anunciado por João Batista, Jesus Cristo já está presente, realizando e atualizando a sua obra libertadora e redentora. Em consequência disso, o evangelho de hoje nos recorda que a exigência essencial de nossa fé é que procuremos conhecê-lo e amá-lo, ou seja, para viver nossa missão, é justo e necessário escutar e acolher a sua proposta de vida e de libertação redentora.

Encerremos rezando com nossa Santíssima Mãe: “O Poderoso fez por mim maravilhas, e Santo é o seu nome! Seu amor, de geração em geração, chega a todos que o respeitam.”

Pe. Paulo Sérgio Silva
Pároco da Paróquia São Sebastião, Mangabeira, distrito de Lavras – CE

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