“O ser humano e as forças do mal”. O título impactante foi tema da Jornada Teológica, do Instituto Diocesano de Filosofia e Teologia, durante toda esta quarta-feira (27), no Centro de Expansão Dom Vicente Araújo Matos, em Crato. O evento contemplou três conferências proferidas por professores e estudiosos.
A proposta foi levar à compreensão desses fenômenos, não como uma entidade espiritual, mas um mal; não a ser filosofado, mas combatido, segundo explicou o reitor do Instituto, Padre Acúrcio Barros. “Hoje nós vivemos, na sociedade brasileira, uma influência do mal muito grande, que reina na injustiça, na corrupção, onde os cidadãos vivem nadando nas mais profundas das misérias sociais. O norte do viver está se perdendo. O sentido da vida está se acabando. E isso é fruto do mal, um mal que destrói o homem. Por isso nós pensamos nessa temática”.
Outra intenção foi instigar os participantes ao combate desse mal, uma vez que o próprio Jesus assim o fez no lenho da Cruz. “Esse tema enriquece, exatamente, porque vai nos levar ao comprometimento. O cristão é aquele que combate, que busca soluções para combater o mal que está nos afligindo. Desenvolver a nossa dimensão profética e denunciar aquilo que é maléfico, edificando aquilo que é benéfico. Essa deve ser a nossa consciência”, reforçou Padre Acúrcio.
Além de padres e religiosas, houve participantes ligados a movimentos, pastorais e serviços da Igreja. Para Angelita Maciel, agente de pastoral, o evento foi oportunidade de encontrar fundamentos para sustentar suas ações junto ao povo. “Isso vai nos ajudar muito, por exemplo, a conversar com as pessoas. Os demônios são os nossos adversários políticos, que a gente vai encontrando na pastoralidade, no trabalho, na vida da gente”, considerou.
Já o estudante Luiz Felipe Mesquita apontou que o tema, por estar associado à perspectiva religiosa e espiritual, pode ajudar a combater as influências que se configuram como ameaças a vida de fé.
Conferências
Após o credenciamento e uma apresentação da Escola de Canto Iesus Salvator, do Seminário São José, houve a abertura oficial, cuja mesa contou com a presença do bispo de Crato, Dom Gilberto Pastana; Dom Edson de Castro Homem, bispo de Iguatu; Padre Acúrcio Barros, reitor do Seminário; Jair Rodrigues e Maria do Carmo Pagan Forti, doutorando e mestra em Ciências da Religião, respectivamente; e Padre Antônio Eronildo de Oliveira, da Diocese de Quixadá, mestre em Teologia.
A conferência de abertura ocorreu às 8h30, com o tema “O Diabo e os Demônios a partir da exegese (interpretação) e hermenêutica (sentido das palavras) bíblica”, ministrada pelo Prof. Jair Rodrigues. Destaque também para “As diferenças entre influência diabólica e possessão demoníaca”, proferida por Dom Edson, e “O que a psicologia diz da presença do demônio”, moderada pela profa. Maria do Carmo.
A Jornada Teológica, por fim, teve espaço para orientações pastorais, isto é, como aplicar na vida cotidiana aquilo que se aprende nos documentos da Igreja. Estas foram conduzidas por Dom Gilberto, mestre em Teologia Espiritual, e Padre Eronildo, mestres em Teologia Bíblica.
Para saber mais
O professor Jair Rodrigues, doutorando em Ciências da Religião pela Universidade Católica de Pernambuco, proferindo a primeira conferência, tratou sobre o “Diabo e os Demônios” a partir da exegese (interpretação), e hermenêutica (sentido das palavras) bíblica. Segundo ele, na mentalidade das pessoas, há uma ideia de que o mal pode ser condessado num ser ou objeto. Isso, no entanto, é um fenômeno psicológico. Por outro lado, a própria bíblia fala na existência do Diabo e dos Demônios. E, como os católicos baseiam sua vida na bíblia, acredita-se na existência deles. Mas a sagrada escritura não é unívoca [que admite somente uma interpretação ou significado] ao falar desse tema – disse o professor. Ela apresenta os termos “diabo e demônio” com conotações distintas, que as pessoas precisam aprender a lidar, para poder não gerar confusão. “Satanás” e “Diabo”, por exemplo, referem-se ao mesmo ser, o ser que se o opõe a Deus, tenta as pessoas e induz ao mal. Já os demônios, na concepção antiga, eram espíritos maus que causavam doenças ou comportamentos estranhos.
“Essas doenças eram físicas ou psicológicas. Dizer que Jesus tirou o mal de uma pessoa, implicava dizer que aquele estrago – que aquele espírito mal fazia – também saía. Em outras palavras, houve a cura. E aí tem casos diversos que apontam que esse espírito mal impediam as pessoas de viverem bem, por exemplo, na bíblia, como a febre da sogra de Pedro, a mudez, a surdez, são todos elementos associados à ação demoníaca”, explicou o professor Rodrigues.
Nesse sentido, em sua orientação pastoral, Dom Gilberto, bispo diocesano, pontuou: “Uma pessoa que é, realmente, evangelizada e fez o encontro com o Senhor, dificilmente sofrerá esse tipo de influência ou força. Certamente ela enfrentará com os olhos da fé e engajada na comunidade”.
Por: Jornalista Patrícia Mirelly













