Nos dias atuais, vivemos diversas situações que nos incomodam. O mundo está agitado, como um trem que perdeu a direção. Realmente precisamos, urgentemente, de um novo Pentecostes. Na realidade, se faz necesário um olhar direcionado à vida. Primeiro, perceber que este sopro está dentro de cada um de nós, e o que precisamos é abrir-nos a esse Fogo e a esse Vento do Espírito que, às vezes, parece estar soprando em vão. É que estamos trancados em nossos “cenáculos” e não queremos abrir as portas para arejar nossos ambientes, internos e externos. Pentecostes é isto: abrir-se ao que está aí, como possibilidade e surpresa, deixando-nos transformar pelo Espírito, sacudindo nossas comodidades e medos.
O medo nos distancia das pessoas, nos aprisiona a nós mesmos e nos imposibilita de perceber a beleza da vida. Conforme Padre Adroaldo Palaoro, SJ, em uma de suas homilias, “No relato da Criação, ‘a Ruah de Deus (em hebraico, Ruah é feminino) pairava sobre as águas’: trata-se de uma bela imagem da matriz ou útero originário fecundo de tudo quanto existe; tudo é amorosamente acolhido, fecundado, gestado, carregado neste grande ventre cósmico que podemos chamar divino: ‘Deus’. Alento, sopro, vento, respiração, força, fogo, com nome feminino que fala de maternidade e de ternura, de vitalidade e carícia. Seu calor gera harmonia no caos, realça a beleza e originalidade de cada criatura, dando a cada uma seu lugar, o espaço que necessita para potencializar seu ser. Nessa relação adequada, cada erva, cada montanha, cada ser que vive, tem seu lugar e seu sentido”.
Portanto, neste dia de perceber a presença da “Ruah” em nós, se faz necessário assumir o compromisso de cuidar da casa comum, sentir que cada ser tem sua importância, abrir espaço para aqueles que estão sofridos, marginalizados, aqueles que excluímos nas prisões, ou que tantas vezes vemos tombar na queda pelos homicídios injustos e que, por vezes, justificamos a sua morte como tendo sido motivada por suas impulsividades, esquecemos que esses nossos irmãos pertencem a casa comum e mais: há neles o Espírito que habita todos nós.
No texto do Evangelho, Jesus dá-nos o Espírito, deseja-nos a paz, mas exige de nós que saibamos perdoar os pecados, e perdoar pecados não é só se arrepender, mas é entrar no cerne da vida do outro e acolher, com atitude generosa, aquele que feriu; levantar do chão os que estão caídos, descobrir que causas os derrubaram, sem julgar ou punir os seus direitos.
Um pentecostes só pode, realmente, acontecer quando todos tivermos o direito de “ser gente”, e que em nossas vidas haja o entendimento que somos todos moradores e dependentes da Casa Comum e não nos é dado o direito de tirar vidas. E logo lembro que somos criaturas de Deus chamadas a cuidar e gestar novas vidas nas mais diversas formas, porque é o sopro de Deus que nos une e motiva à vida.
Faço hoje a minha prece a Deus: peço que o mundo encontre a paz, que a humanidade encontre o sentido da vida, de modo particular a juventude; que não haja derramamento de sangue e que uma vida não seja ceifada por falta de amor; que todos encontrem o direito da vida, pão em cada mesa, trabalho para cada pessoa, saúde para os doentes e que a “Ruah” habite o coração de cada um de nós, de modo especial os jovens, e aqueles mais necessitados. Assim seja. Amém!
*Do quadro, na “Trilha da Juventude”, da Pastoral Diocesana da Juventude, PJ.





