Formação: O Reino de Deus é o próprio Jesus Cristo

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HOMILIA DO 34º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

SOLENIDADE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, REI DO UNIVERSO

O REINO DE DEUS É O PRÓPRIO JESUS CRISTO

“Vinde benditos de meu Pai!”

Amados irmãos e amadas irmãs,

Com a Liturgia do 34º Domingo do Tempo Comum, encerramos o Ano Litúrgico e celebramos a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo. Assim, a Palavra de Deus nos falará do Reino de Deus, que nasce com o seu Filho Jesus, que é o rei. Esse Reino se apresenta como uma realidade que Jesus semeou e que os discípulos são chamados a edificar e construir na história, através do mandamento do amor caritativo.

Continuamos acompanhando o discurso escatológico que Mateus utiliza para encerrar seu evangelho. Depois de relatar três parábolas – do mordomo fiel e do mordomo infiel (cf. Mt 24,45-51); das dez virgens (cf. Mt 25,1-13) e dos talentos (cf. Mt 25,14-30) – com a intenção de preparar sua comunidade para a segunda vinda de Jesus Cristo, Mateus nos apresenta um relato do julgamento final, no qual o “Rei” Jesus indaga os discípulos acerca do amor que compartilharam com os irmãos, sobretudo com os pobres e fragilizados. A atitude do Rei manifesta que o egoísmo, a ambição e a indiferença diante do sofrimento não possuem espaço no Reino de Deus. Há lugar para toda a humanidade, mas quem permanecer conduzindo a sua vida através do pecado será excluído. Em suma, depois de convidar à vigilância e à fidelidade, o evangelista mostra agora qual será o fim daqueles que se mantiveram preparados e daqueles que não se mantiveram vigilantes para a vinda do Senhor.

Qual critério ou norma o rei usa para separar as ovelhas (os discípulos fiéis) dos cabritos (os discípulos infiéis)? Na ótica de Mateus, é a atitude de amor ou de indiferença para com aqueles que se encontram em necessidade: os que têm fome, os que têm sede, os peregrinos e migrantes, os que não têm roupa, os que estão doentes, os que estão presos e os que Jesus chama de irmão. Sendo assim, socorrer e estar solidariamente ao lado dos pequenos, dos pobres e dos excluídos é fazê-lo ao próprio Jesus; e manifestar egoísmo, frieza e indiferença para com eles é fazê-lo ao próprio Jesus.

Para Mateus, o Rei é movido pela misericórdia e compaixão. Por isso, a Primeira Leitura, retirada do Profeta Ezequiel, apresenta Deus como um solícito pastor que realiza a redenção e a libertação de seu povo escravizado na Babilônia. O povo, que está longe da Terra Prometida, sem o Templo, sem o sacerdócio e sem as celebrações litúrgicas, começa a cair em desespero e duvida da bondade e do amor de Deus. Então, com a imagem do Bom Pastor, o profeta Ezequiel apresenta Deus e a sua relação com os seres humanos. A imagem manifesta a autoridade de Deus na condução do seu Povo pelos caminhos da história, mas também sua preocupação, carinho, cuidado e amor pelo povo. Com esse, o profeta nos questiona se estamos – ou não – dispostos a seguir este Bom Pastor, a deixar-nos conduzir por Ele, confiando-Lhe a travessia nos caminhos sombrios, para que os nossos pés não se firam nas pedras e espinhos. Às vezes, em nossa rebeldia ou ilusão, agarramos-nos a outros “pastores” e fazemos deles a nossa referência, a nossa liderança, a nossa idolatria. Cabe, então, a pergunta: o que utilizamos como critérios para escolher nosso guia é a riqueza, é a força, é o poder?

São Paulo, escrevendo a comunidade dos coríntios, lembra que não existe outro nome, na Terra e no Céu, no qual o ser humano deva colocar sua fé que não seja o Senhor Jesus Cristo, cuja autoridade e poder não emanam da guerra ou da força, mas do amor que encontra seu ápice na entrega da própria vida. Essa oblação é recompensada com a Ressurreição e a vida eterna, que é o início de uma nova humanidade. E o caminho dessa nova humanidade é o Reino de Deus. Esse Reino é – e será – uma realidade onde o egoísmo, a injustiça, a miséria, o sofrimento, o medo, o pecado e até a morte não mais existirão, pois Cristo os terá vencido.

Provavelmente – como acontece conosco e na nossa época – os cristãos da comunidade de Mateus vivem de modo desinteressado e instalados em um grave comodismo. Vivendo a fé de forma morna e sem compromisso – e talvez alguns diante das dificuldades e desafios – deixaram a comunidade e renunciaram ao Evangelho. Assim, sua catequese deseja revitalizar a fé, revigorar o entusiasmo, levar à convicção e à conversão. Diante do perigo da comunidade abandonar a fé por causa do poder do mundo, o evangelista lembra a necessidade viver a fé, tendo como caminho a vida do próprio Jesus Cristo, que sempre esteve ao lado dos mais fracos e dos excluídos, que espera e deseja que sua comunidade seja o seu coração, suas mãos e seus pés que continuarão seu serviço, edificando os fundamentos e os alicerces do seu Reino por meio do testemunho.

Embora se utilize da imagem do rei para apresentar Jesus Cristo, Mateus sabe que o reino do seu Mestre não é construído pela força e pela opressão como os reinados do nosso mundo geralmente são. O rei normalmente possui um cetro e uma coroa incrustada de ouro e joias preciosas. A coroa de Jesus é de espinhos; o cetro e o trono são a Cruz. É nela que Ele exerce autoridade e justiça. O seu exército é constituído por homens desarmados. A sua Lei são as bem-aventuranças.  Por isso, o critério fundamental para fazer parte e permanecer no seu Reino é a prática da Caridade, vivendo como Ele viveu. Dizer que se ama a Cristo e não viver seus ensinamentos no amor a todos os seres humanos é uma mentira, uma contradição e uma incoerência (cf: 1Jo 4,20).

Mesmo que seja uma realidade ainda em crescimento, o Reino de Deus já está em nosso meio e é confirmado por nós na celebração eucarística, quando ouvimos: “O Senhor esteja convosco”; e prontamente respondemos: “Ele está no meio de nós!”. Nossa missão é fazer com que ele seja uma realidade viva, concreta e presente no mundo, não uma ilusão ou uma ideia. Lembremo-nos de São João da Cruz que, talvez, pensando no evangelho de hoje, afirmou: “No entardecer de nossa vida seremos julgados pelo Amor”.

Encerremos meditando o Salmo de hoje: “Felicidade e todo bem hão de seguir-me por toda a minha vida. E na casa do Senhor, habitarei pelos tempos infinitos”.

Pe. Paulo Sérgio Silva

Paróquia São Sebastião – Mangabeira – CE

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