Na vigília da noite, ver nascer a Esperança

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Da chama que acende o Círio Pascal começa a renascer a esperança cristã na ressurreição de Jesus, mistério da fé. O Hino do Glória cantado à medida que as luzes são acesas e os sinos repicam também reacende a esperança em dias melhores quando todos voltarão a se reunir em torno do altar do Senhor, como de costume. É Páscoa. A passagem de um silêncio sepulcral para um momento feliz, de vida nova. “Ele ressuscitou” (Cf. Mc 16, 7).

A Vigília Pascal é o ponto mais alto do ano litúrgico. Pela segunda vez, depois do estouro da pandemia de Covid-19, a cerimônia solene foi rezada em toda a Diocese de Crato sem a presença de fiéis, que cantaram glória e aleluia de forma remota, em seus altares domésticos. A medida visa somar esforços no combate ao avanço do vírus e diminuir o número de mortos que ainda aflige o país, o estado e, principalmente, a região do Cariri.

Em Crato, era próximo das oito da noite quando o bispo diocesano Dom Gilberto Pastana iniciou a cerimônia que Santo Agostinho chamava de “mãe de todas as vigílias”. As 57 paróquias e três áreas pastorais rezaram um pouco mais cedo, algumas ao fim da tarde, outras no começo da noite. Com velas acesas, ele caminhou da entrada da Sé Catedral de Nossa Senhora da Penha até o presbitério. No espaço vazio, a imagem era diferente daquela a que o povo cratense estava acostumado. Mas as lâmpadas apagadas e o altar desnudo de qualquer adorno, exceto pelo véu escuro que escondia os as imagens dos santos, sinalizava a “vigilância daquela hora”, a hora da “Boa Notícia”. Concelebraram este momento o vigário-geral e Cura Padre José Vicente Pinto, e o vigário paroquial, Padre Francisco José Bezerra. Apenas os seminaristas do Seminário São José participaram, além de alguns leigos e um casal da Paróquia da Sé que apresentou as oferendas.

A “Solene Vigília” é composta por cinco elementos: bênção do fogo novo e do círio pascal; proclamação da Páscoa, canto de alegria, anunciando a Ressurreição do Senhor e a liturgia da Palavra, que é um conjunto de nove leituras (sete do Antigo e duas do Novo Testamento) sobre a história da Salvação. Por causa da pandemia, não houve o batismo dos catecúmenos (jovem ou adulto), apenas a renovação das promessas batismais, seguida da liturgia Eucarística.

Dose de esperança

Foi principalmente às pessoas sem esperança, atingidas mais de perto pela pandemia, seja pelos impactos econômicos ou por terem experimentado a perda de um ente querido, que o pastor diocesano dirigiu uma mensagem especial nesta “noite de vigília em honra do Senhor”.

“A Páscoa é sempre a celebração da vida, da esperança. Neste tempo de pandemia, neste tempo de morte, nossa única esperança é o Senhor da Vida”, disse Dom Gilberto, reforçando a importância da vacinação para todos. “O crescimento daqueles e daquelas que vão ficando imunizados será, sem dúvida, a única forma de nós vencermos essa guerra, essa batalha contra o coronavírus. Reacende em nós essa certeza, de que dias melhores vão se concretizando na medida que todos nós vamos, com cuidado, com atenção, procurando respeitar às orientações com relação ao enfrentamento desse vírus”.

Veja a galeria de fotos completa: https://diocesedecrato.org/solene-vigilia-pascal-abril-2021/

Celebrar na adversidade

A alta de contágio na região diocesana, composta por 35 municípios, impossibilitou a presença dos fiéis nas cerimônias da Semana Santa. Mesmo assim, de casa, reunidos em seus altares domésticos, eles celebraram o ponto alto da fé cristã, a Ressurreição de Jesus. Esta reportagem convidou algumas lideranças paroquiais para partilhar como é celebrar a Páscoa em meio ao contexto da pandemia. Leia abaixo.

Katia Samara, catequista e coordenadora do Pilar do Pão, na Paróquia São Miguel, em Crato: “Quando você olha para a Igreja vazia e se lembra das pessoas que gostariam de estar ali, é uma coisa inacreditável. Quem jamais pensou em passar uma celebração dessa em casa? É esquisito, é estranho, mas tudo isso tem uma lição para mudar alguma coisa dentro da gente, pra gente priorizar as coisas. Antes, a gente ouvia as pessoas dizerem: ‘Ah, só vou participar se tiver tempo’. E hoje tem tempo, mas não pode. Será que quando tudo isso passar as pessoas vão refletir? Esse é o tempo de reflexão, de mudança, para nos transformar em pessoas novas”.

Rosimeire Oliveira, coordenadora da Catequese e de Círculo Bíblico na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Crato: “Acreditar sempre que a vida é um recomeço, não desanimar, ainda que inundados de muitos desafios. Nosso grande exemplo é Jesus, sua Palavra, que nos encoraja, que nos prepara, que nos faz novos. Deus diz na sua Palavra que não nos deixará, que estará conosco até o fim dos tempos. Então é baseado nessa Palavra que a gente fita o nosso olhar, direcionando a nossa vida, inspirada nessa Palavra. Nós precisamos usar a Páscoa para sermos pessoas melhores, testemunhando a humildade, o amor, a caridade”.

Laumira Ribeiro, coordenadora do Conselho Missionário Paroquial, na Paróquia São Francisco das Chagas, em Baixio: “A pandemia nos obrigou a fazer um distanciamento físico, mas não afetivo. Momentos de se unir em oração e ação. Ter uma boa convivência com os membros de casa e reconhecer nossas falhas. É tempo de viver a igreja doméstica, a igreja familiar. Nesta se refletem nossos erros, nossas falhas e a falta de amor a Deus e ao próximo. Vivemos tempos sombrios de dores, perdas e lástimas em que o único refúgio é Deus”.

Arturivania Gomes da Silva, membro da Equipe de Liturgia e do Conselho Econômico da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, em Crato: “Celebrar a Páscoa neste tempo é a capacidade de aceitar todos os desafios deste tempo pandêmico. É viver de modo mais intenso, a partir das nossas igrejas domésticas, momentos fortes de oração à espera da ‘Festa da Alegria’. Nestes dois últimos anos, pude viver momentos de maior conscientização – e por que não dizer momentos de muita emoção? – lembrando como está difícil para muitas famílias viver o verdadeiro sentido da Páscoa. Acreditemos que dias melhores virão e só porque Ele [Jesus] vive podemos acreditar num amanhã próspero”.

Raquel Marcelino, coordenadora da Catequese da Paróquia Nossa Senhora Aparecida (Batateira), em Crato: “Vivenciarmos a Páscoa em tempos de pandemia é, literalmente, acompanharmos o sofrimento de Cristo até o sepulcro, com a nossa própria vida. É nos colocarmos no lugar daquele irmão que se encontra preso ao medo, que sofre devido às necessidades financeiras, a falta de emprego, a fome e a sede de justiça; a morte diária física e espiritual que nos assola a alma. Mas Jesus ressuscitou. E dessa forma as esperanças ressurgem nos tornando também capazes de rolar a pedra. Saiamos do sepulcro junto com Jesus, porque Ele vive e nos convida a viver no seu Amor e confiar que tudo isso vai passar e vai nos transformar em pessoas mais humanas”.

Elza Ribeiro Esmeraldo, ministra extraordinária da Eucaristia na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Crato: “A Ressurreição de Jesus Cristo, nesta noite pascal, é a manifestação plena do Deus da paz e da misericórdia. A certeza de que, se vivemos em Cristo, com Ele ressuscitaremos”.

Diego Fernandes Arraes, membro da coordenação diocesana de Catequese: “Mesmo em meio a esse contexto tão conturbado, tão sofrido, tão doloroso e em meio a tantas situações de morte, é renovar as nossas esperanças nesse mistério de Amor revelado por Jesus, na sua Cruz. E manifestar, sim, para o mundo, que nós temos em quem depositar a nossa confiança. Deus tudo sabe, tudo governa e sabe o momento certo para todas as coisas”.

Emanuel Alexandre, Paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Granjeiro: “Celebrar a Páscoa em tempos tão desafiadores é celebrar a certeza de que a vida vence a morte, é ter a certeza de que Cristo não nos abandonou, mas nos traz a certeza de que a união da nossa cruz à cruz d’Ele nós conseguiremos chegar até o fim. É símbolo de vitória. Pela fé, como o Papa Francisco diz, ‘esperançar’ tempos melhores”.

Evandro Freitas, candidato ao diaconato permanente e coordenador da Catequese na Paróquia São Cristóvão, em Juazeiro do Norte: “Estamos vivendo um momento difícil e diferenciado. E a Páscoa de Jesus nos dá uma nova força, nos dá esperança, renova a nossa fé e nos faz acreditar em dias melhores, que a morte não tem a última palavra. Com a ressurreição de Jesus, acreditamos que não é o fim. Mesmo num contexto crítico de pandemia, é preciso que nós celebremos, que estejamos unidos ao Mistério, que é o que move e é a razão de nossa fé”.

Solange Almeida, ministra extraordinária da Eucaristia na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Crato: “Pelo segundo ano consecutivo celebramos a Páscoa em meio a uma pandemia. Hoje, a celebração, a meu ver, não é só uma atitude pessoal e sim coletiva, de amor a Deus e aos irmãos. E só a nossa fé no Ressuscitado e ações de amor à vida nos proporcionará uma boa e alegre Páscoa”.

Reportagem: Patrícia Mirelly|Assessoria de Comunicação

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