Mês Vocacional: “Não fostes vós que me escolhestes; fui Eu que vos escolhi…” (cf.Jo.15,16)

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A etimologia da palavra Vocação: sua origem está na união de vários vocábulos ou palavra no latim como vocatio, vocatiōnis, para estabelecer a ideia de um chamado, com base no sufixo vocāt-, por vocātus, como particípio passado do verbo vocāre, por chamar, associado a vōx, que se refere à voz, sobre a raiz indo-européia wekw-, por revelar ou dizer, acompanhado pelo sufixo -ção, adotando as formas latinas -io, ōnis, para atuar na substantivação; VOCATIO, “um chamamento”, de VOCATUS, “pessoa chamada”, de VOCARE, “chamar”, de VOX, “voz, som, chamado, grito, fala”.

            Vocação: em sentido mais preciso, é um chamamento, um convite, uma convocação vinda diretamente sobre mim, endereçada à minha pessoa, a partir da pessoa de Jesus Cristo, convocando-me a uma ligação única com Ele, cuja resposta me levará a segui-lo, (cf. Mc 2,14). Vocação, portanto, significa que antes de sermos gerados no ventre de nossa mãe já há um chamado (cf. Jr. 1,5-10/ Sl.139,13), uma escolha pessoal que vem de Jesus Cristo, como afirma São Paulo na Carta aos Romanos: “Eu, Paulo, servo de Jesus Cristo, apóstolo por vocação, escolhido para o Evangelho de Deus” (cf. Rom 1, 1).

Vocação e discernimento vocacional são temas de muita relevância para a Igreja. Sobre vocação entende-se o chamado que Deus faz a cada homem e a cada mulher para colaborar com a obra redentora. Esse chamado exige, de cada um de nós, uma resposta livre e um coração generoso, capaz de assumir os compromissos e as exigências do Reino de Deus. Já o discernimento vocacional diz respeito ao processo pelo qual a pessoa reconhece sua vocação na Igreja, ou como afirmava Santa Terezinha, seu lugar no coração da Igreja. Segundo Papa Francisco: “a nossa vida e a nossa presença no mundo são frutos de uma vocação divina”, por isto se torna necessário um processo de discernimento que nos leve a contemplar o caminho a que somos chamados em busca da santidade. No Brasil, desde 1981 foi instituído agosto como o mês vocacional, assim em cada semana de agosto, de domingo a sábado, todos são convidados a celebrar e rezar por uma das vocações específicas da Igreja.

TEMA E LEMA: Em 2022, o tema escolhido pela Comissão para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para celebrar o Mês Vocacional é “Cristo Vive! Somos suas testemunhas” e o lema é “Eu vi o Senhor!” (cf.Jo 20,18).

OBJETIVOS: O mês vocacional tem objetivos gerais bem definidos:

1 – criar consciência vocacional; 2 – despertar todos os cristãos para suas responsabilidades na Igreja, assumidas no Batismo; 3 – envolver todas as pastorais para a importância da Pastoral Vocacional; 4 – enfatizar que todos os membros da Igreja, sem exceção, têm a graça e a responsabilidade de rezar e zelar pelas vocações; 5 – privilegiar um tempo na Igreja para uma pregação direta sobre o mistério da vocação na Igreja, sobre o valor do sacerdócio ministerial, e sobre a sua urgente necessidade para o Povo de Deus; 6 –  para responder ao mandato do Senhor: “De fato a colheita e grande, mas os operários são poucos. Peçam ao dono da messe que mande mais operários para fazer a colheita” (Mt 9,37-38).

ORGANIZAÇÃO:

Na primeira semana, de 1º a 7 de agosto, será recordada a vocação dos ministros ordenados (diáconos, presbíteros e bispos). No dia 4, Dia do Padre, celebra-se a Festa Litúrgica de São João Maria Vianney – patrono dos padres e, no dia 10, a de São Lourenço – patrono dos diáconos.

Na segunda semana, de 8 a 14, lembramos da vocação matrimonial, sendo que, a Pastoral Familiar celebra a Semana Nacional da Família, além de ser Dia dos Pais.

Na terceira semana, de 15 a 21, olhamos para a vocação das pessoas de vida religiosa consagrada que professam os votos de pobreza, castidade e obediência. Desde o ano passado, também é celebrado a Semana Nacional da Vida Consagrada. Essa recordação é inspirada pela celebração, em 15 de agosto, do Dia da Assunção de Maria aos céus.

Na quarta semana, de 22 a 28, olhamos para a vocação dos cristãos leigos e leigas (ministérios não ordenados), com seus diversos serviços e ministérios. E por fim, de 29 a 31 de agosto, a vocação dos e das catequistas, ministério tão importante em nossas comunidades no processo de Iniciação à Vida Cristã. Ano passado o Papa Francisco publicou a Carta Apostólica Antiquum Ministerium – pela qual de institui o ministério de catequista.

Não fostes vós que me escolhestes; fui Eu que vos escolhi…” (cf.Jo.15,16)

Como uma estrada de mão dupla, a Vocação é ao mesmo tempo um chamado e uma resposta. É uma palavra divina que se liga a um coração humano. Nem a percepção do chamado, nem a resposta a ele são tão fáceis de se perceber. Eles exigem abertura de coração e docilidade ao Espírito Santo, sem as quais não há vocação verdadeira e real.

É Ele, o Espírito Santo, que suscita as inúmeras vocações e aguarda a resposta de cada coração. Essa escolha pessoal, de amor, é concretizada de uma forma bem objetiva no Sacramento do Batismo, que é o fundamento e fonte de todas as vocações. É neste chão fértil (o coração humano dócil a Deus), regado pelo sangue de Jesus, que brotam as vocações específicas, aquelas que cabem diferentemente a cada um. Algumas delas são mais comuns, como a de casal cristão, de leigo cristão, de catequista, de animador da comunidade, etc. Outras são definidas pela Igreja como vocações de “singular consagração a Deus”, por serem igualmente exigentes e mais radicais no processo de seguimento de Jesus: são as vocações de sacerdote, de diácono, de religioso, de religiosa.

Se durante este mês destaca-se a importância de todas as vocações na Igreja, torna-se importante ressaltar que não há, na Igreja, uma vocação que seja mais relevante que as outras. Na diversidade dos carismas e nos inúmeros ministérios, somos todos chamados à formação e ao desenvolvimento da vida em comunidade. Devemos compreender que, independentemente do tipo de chamado, todo cristão é vocacionado à santidade. Como bem destacou o Papa Francisco: “Ser santo é uma vocação para todos”. O nosso batismo já nos coloca neste caminho da busca pela santidade de vida.

Peçamos, insistentemente, ao Senhor da messe que continue enviando operários para a sua messe. Rezemos pelas vocações!

Pe. Paulo Sérgio Silva

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