Homília do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo – (Dia 25): E o Amor se fez carne, e habitou entre nós!

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Nestes dias que são os últimos, Ele nos falou por meio do Filho.” (Hb. 1,2)

            Amados irmãos e amadas irmãs!

            A liturgia deste dia sublime convida-nos a contemplar o inefável amor de Deus, manifestado na Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é a “Palavra” que se fez carne e veio habitar no meio de nós. Com seu nascimento, Jesus assume nossa natureza humana a fim de nos oferecer a vida em plenitude e nos elevar à dignidade de “filhos de Deus”.

Na primeira leitura (Is. 52,7-10), somos apresentados aos “oráculos da consolação” onde o profeta Isaías anuncia ao povo de Israel escravizado na Babilônia, a chegada do Deus libertador. Já não mais virá ao encontro do povo um mensageiro com anúncio da promessa, mas quem anunciará a paz será o próprio Deus. Todavia, a libertação do cativeiro da Babilônia será apenas o vislumbre da mais plena e integral libertação que Deus vai oferecer ao seu Povo através do Messias. É Ele o rei que traz a paz e a salvação e proporciona uma era de felicidade sem fim. Sua chegada inaugurará um tempo novo, tempo de passar da desolação para a consolação. Deus agirá e em sua misericórdia, reconstruirá os laços que foram quebrados pela desobediência, reconduzirá o povo para casa e restaurará Jerusalém. Pois, ele não esquece nem abandona seu povo em situação de ruína. O profeta convida, então, a substituir a tristeza pela alegria, o desalento pela esperança, a desolação pela vida plena e fazer com que esta Boa Notícia chegue “até os confins da terra” (Is. 52,10)

Na segunda leitura (Hb. 1,1-6), o autor da Carta aos Hebreus rejubila de forma poética, em um resumo do plano salvador de Deus repleto de embevecimento. Aprofundando o que foi dito no oráculo do profeta Isaías, o autor da carta aos Hebreus recorda que Deus outrora nos buscou e falou conosco através de patriarcas, matriarcas, sacerdotes, juízes, líderes, profetas e sábios do povo e agora fala diretamente pela pessoa do seu Filho. Assim, Ele afirma categoricamente que a história da salvação alcança o seu ponto mais alto com o envio de Jesus, Primogênito de Deus, a quem ele nomeia como “esplendor da glória do Pai”. Ele é “Palavra” de Deus que a humanidade deve escutar e acolher. Sendo a Palavra de Deus Encarnada, Viva e Eficaz, Ele deve ser escutado pelos seres humanos na certeza de que é o único caminho para se alcançar a vida nova que o Pai desde o início dos tempos deseja nos oferecer (Hb.4,12-12). Conscientes disto, toda a humanidade deve acolher e adorar o “menino de Belém”.

O Evangelho (Jo. 1,1-18) aprofunda o tema iniciado na segunda leitura e apresenta a “Palavra” viva de Deus, na pessoa do seu Filho Unigênito. Ao iniciar seu Evangelho com a expressão “no princípio”, o evangelista João nos ensina que em Deus não existe separação e por isto, a obra criadora relatada no Gênesis deve ser contemplada na sua continuidade que é a obra redentora realizada pelo Filho, Jesus Cristo. A entrada de Deus em nossa humilde condição humana é um convite a contemplar o seu amor pela humanidade. Sua encarnação não é apenas a máxima expressão da profunda comunhão que tem conosco, mas também o ponto mais alto do diálogo histórico que Ele mantém com a humanidade desde o “dia” em que Ele se dignou trazer-nos a existência através do amoroso serviço da sua Palavra criadora (Gn. 1,26-31). De modo semelhante a presença divina que age, cria e caminha com a humanidade pelo jardim do Éden apresentada no livro do Gênesis, o evangelista João descreve Jesus como a Palavra que veio habitar no meio de nós, a fim de oferecer sua vida em plenitude, elevando-nos à dignidade de filhos e filhas de Deus.

Para o evangelista João, a missão do “Filho/Palavra” é restaurar a criação, eliminando tudo aquilo que é sinal de pecado, de morte e do mal e fazendo surgir um Homem Novo, que vive uma relação filial com Deus (Fl. 2,6-11 / Hb. 4,15; 5,7-9). Jesus é a Palavra que ao tornar-se carne gera um vínculo perene e inextinguível entre o ser humano e Deus. Diante disto, cabe-nos indagar: Jesus já se tornou a “Palavra” central e essencial em nossa vida? Ou ainda deixamos que outras “palavras” nos levem a procurar a felicidade em caminhos de egoísmo, de indiferença e de pecado?

Deus em sua inesgotável bondade envia-nos seu Filho Unigênito em nossa mais frágil condição – um bebê recém-nascido – para viver tudo aquilo que é comum à nossa vulnerabilidade, com exceção do pecado. A Encarnação é a mais fascinante ação de um Deus que ama de modo inimaginável.  Este copioso amor aceita revestir-Se da nossa fragilidade, a fim de nos dar vida em plenitude. Neste dia, somos convidados a contemplar, numa atitude de serena e assombrosa adoração, esse Deus, na sua revelação radical de um amor humilde e sem limites.

Cabe a nós, cristãos, por nossa missão e nossa vida, fazer com que esta Palavra que no momento histórico da sua encarnação foi rejeitada pelos “seus”, seja agora acolhida por toda humanidade. Como discípulos devemos caminhar na luz e abandonar todas as formas de egoísmo, mentira e injustiça que ameaçam a dignidade da vida. Toda a obra redentora de Jesus consiste em oferecer ao ser humana uma vida nova, resgatando assim o plano salvífico que Deus nos ofereceu desde o princípio da criação.

Celebrar este acontecimento é, antes de tudo, contemplar o amor de um Deus que nunca nos abandonou à nossa própria sorte. Nestes tempos em que tantos caminhos se apresentam como estradas de salvação, como cristãos, precisamos alimentar em nós a certeza de que Jesus Cristo é o único Caminho, “pois não existe debaixo do céu outro nome, dado a humanidade, pelo qual devamos ser salvos”. (At. 4,12)

Pe. Paulo Sérgio Silva

Paróquia Nossa Senhora da Conceição – Farias Brito.

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