HOMILIA DO 15º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B

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ENVIADOS E TRANSFORMADOS EM MISSÃO

E, saindo, eles começaram a anunciar, afim de que o povo se arrependesse. Expulsaram muitos demônios, ungiam com óleo numerosos enfermos e faziam curas.” (Mc. 6,12-13)

            O Tempo Comum é o momento propício para o amadurecimento da fé que recebemos no Batismo. Por isto, recordamos e celebramos os ensinamentos de Jesus e sua missão realizada com a colaboração dos homens e mulheres que Ele chama e envia como testemunhas do Reino dos Céus. Esses discípulos missionários devem ter como prioridade a fidelidade ao Reino e não a busca dos seus próprios interesses ou privilégios. Todos os batizados são chamados e enviados em missão.

            A primeira leitura (Am.7,12-15) apresenta-nos o exemplo do profeta Amós. Escolhido, chamado e enviado por Deus, o profeta vive para anunciar com verdade, fidelidade e coerência a vontade divina. Para isto, o profeta deve ser livre, não se calar diante da manipulação dos poderosos e nem se deixar vencer pelos desejos de poder que rodam o coração humano. Nossa missão é semelhante à do profeta. Somos escolhidos e chamados em meio nossa vida cotidiana, enfrentamos perseguições e rejeições, mas somos fortalecidos pelo Senhor para continuarmos. Deus nos chama e mediante nossa fidelidade nos oferece a Graça para seguir adiante. Somos profetas do Senhor no mundo contemporâneo.

            Na segunda leitura (Ef.1,3-14), o apóstolo Paulo realiza uma oração de ação de graças reconhecendo         que Deus tem um projeto de vida verdadeira para cada ser humano. Esse projeto apresentado em definitivo através de seu Filho, Jesus Cristo, exige de cada um de nós uma resposta decidida e fiel. Como é que assumimos e vivemos a missão que Jesus nos apresentou? Somos profetas que testemunham, diante do mundo, o Reino de Deus?

            O Evangelho (Mc.6,7-13) apresenta Jesus, depois oferecer de momentos de formação catequética, enviando os discípulos para irem dois a dois em missão. Essa missão que é o prolongamento da própria missão de Jesus, consiste em anunciar o Reino e em se opor decididamente contra tudo aquilo que escraviza o homem ferindo a sua dignidade – “deu-lhes poder sobre os espíritos impuros” (Mc. 6,7). Não são suficientes discursos e pregações. O Reino precisa ser comunicado também em atos (“Os Apóstolos partiram e pregaram o arrependimento, expulsaram muitos demônios, ungiram com óleo muitos doentes e curaram-nos” Mc. 6,13).

            Os discípulos recebem instruções sobre como realizar a missão. Jesus os convida viver à pobreza, à simplicidade, e o despojamento dos bens materiais, fugindo do desejo de poder e dominação que muitas vezes leva a buscar os próprios interesses. Um discípulo deve apoiar o outro, e juntos, os dois, devem se comprometer fielmente com o anúncio da mensagem de Jesus: “O Reino de Deus está próximo, convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc. 1,15).

            O envio e as instruções do Evangelho proclamado permanecem válidos, pois a verdade independe do tempo. As condições para a missão e os contextos são diferentes no tempo atual, todavia a recomendação de que a Palavra de Deus permaneça como centro da missão e que nossas atitudes sejam reflexos da pregação permanecem como condições essenciais para que todas as atividades missionárias frutifiquem em sinais concretos do Reino de Deus.

            Marcos define a missão recebida pelos discípulos como o envio para expulsar os espíritos impuros. De que se trata isto? Aqui o evangelista, não está falando exclusivamente de uma possessão demoníaca. Se trata de expulsar ou exterminar tudo aquilo que escraviza o coração humano impedindo-o de alcançar a vida em abundância. A missão dos cristãos é lutar contra tudo que contamina a existência humana, seja de caráter físico, seja de caráter espiritual.

            Às vezes imaginamos a missão unicamente como viagem para visitas e partilha da Palavra de Deus. A missão não é um momento acontecido esporadicamente na nossa vida cristã. Na verdade, constitui a nossa essência. Assim sendo, um monge ou uma freira que vivem enclausurados em oração são tão missionários quanto o leigo ou sacerdote que ajuda em um país distante. Todos os discípulos são convidados a assumir a vida cotidiana como missão, pois se trata da realidade na qual devemos servir a Deus em cada pessoa com a qual nos encontramos. Assim compreendemos que não realizamos uma missão, nossa vida é missão.

Pe. Paulo Sérgio Silva.

Diocese de Crato.

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