HOMILIA DA SOLENIDADE DE CORPUS CHRISTI – ANO B

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FELIZ OS CONVIDADOS PARA A CEIA DO SENHOR

Tomai: isto é o meu Corpo; Este é o meu sangue da nova aliança, que é derramado em favor de muitos”. (Mc. 14,22;24)

Terra, exulta de alegria, Louva o teu pastor e guia, Com teus hinos, tua voz”. Assim inicia-se a primorosa sequência composta por São Tomás de Aquino especialmente para a festa de hoje. Qual o sentido desta festa? Celebrar, proclamar, professar, expressar a nossa fé inabalável em Jesus Cristo, presente em corpo, alma e divindade, na Eucaristia!

Na primeira leitura (Ex. 24,3-8), Moisés celebra com o povo de Israel, antes de entrar na terra prometida. Faz um memorial dos 40 anos de peregrinação no deserto, lugar onde o povo através das provações, foi preparado para começar vida nova. Recorda-se que Deus não só permaneceu ao lado do seu povo como saciou sua sede e o alimentou com o maná. Assim sendo, Israel deve viver a gratidão na lembrança do que o Senhor fez: libertou, acompanhou, guiou, protegeu e alimentou o seu Povo.

Na segunda leitura (Hb. 9, 11-15), o autor da Carta aos Hebreus fazendo um paralelo entre Antigo e o Novo Testamento, recorda que a redenção humana foi realizada não com derramamento do sangue de animais, mas com o sangue do próprio Deus. Cientes deste sacrifício único, somos convidados a fugir do perigo de esvaziar a essência da celebração eucarística.

No Evangelho (Mc. 14, 12-16-22-26), Jesus, a Palavra viva de Deus que se tornou carne, se reúne na última ceia com seus discípulos. Antes de oferecer-se na Cruz, oferece-se como Pão que dá vida nova ao mundo. A oferta que Ele faz de si mesmo na Cruz foi antecipada na oferta da Eucaristia e a oferta da Eucaristia expressa sua doação plena pela nossa redenção. A celebração é encerrada com salmos e com a decisão de ir ao Monte das Oliveiras lugar onde Jesus iniciará sua Paixão. Os discípulos o acompanham como expressão de que a Igreja deve sofrer e se doar pelo seu Mestre como Ele próprio o fez. Permanece em Jesus quem o comunga e permanecer em Jesus significa viver o seu projeto do Reino.

As celebrações suntuosas, onde se instalam as divisões onde alguns são privilegiados e outros humilhados, destroem a Unidade que a comunhão do Corpo de Cristo exige (Tg. 2,2-9). Comungar o Senhor, seu Corpo e seu Sangue, significa comungar seu desejo de alimentar a vida plena da humanidade. Assim, compreendemos que para verdadeira experiência da Eucaristia, é necessário, que aqueles que comungam, ofertem a própria vida conforme o coração divino presente na Eucaristia. Não apenas receber a comunhão, é necessário se tornar também comunhão. A Eucaristia é o princípio da comunhão na vida da Igreja e convoca a todos para a mesma missão em busca da unidade. O mundo com suas divisões ideológicas e culturais, não deve influenciar a caminhada da Igreja. Devemos acolher a todos, mas sem renunciarmos aos compromissos e exigências que a fidelidade ao Evangelho impõe.

Somos convidados a adorar o Senhor. Somos convidados a receber a Eucaristia e nos tornarmos também Eucaristia. Quando comungamos nos tornamos sacrários vivos, onde Cristo se faz realmente presente em nós na Hóstia consagrada. Na procissão que realizamos depois da comunhão levamos o ostensório onde apresentamos ao mundo nosso Salvador, no entanto não esqueçamos que na mesma procissão somos testemunhas vivas de sua presença pela Eucaristia que comungamos e pelo testemunho que damos pela vivência da fé cotidiana (Jo.4,19-24).

Hoje, quando o sacerdote depois de elevar sagrado Corpo e o sagrado Sangue e afirmar: “Eis o mistério da fé”, plenos de alegria afirmemos com fé e coração eucarístico: “Todas as vezes que comemos deste pão e bebemos deste cálice, anunciamos, Senhor a vossa morte, enquanto esperamos vossa vinda.” Que nós, em nossa vida e missão, tenhamos certeza de que a Igreja nasce e vive da Eucaristia e que a Eucaristia realiza em nós, ainda aqui na terra, a comunhão que viveremos no céu com Deus que é: Pai, Filho e Espírito Santo.

Pe. Paulo Sérgio Silva

Diocese de Crato.

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