Homilia da Solenidade da Assunção de Maria – Ano B

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“O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas: Santo é o seu nome”.

 Trazemos na memória e no coração a proclamação do dogma por Pio XII em 1º de novembro de 1950. A Constituição Apostólica Munificentissimus Deus afirma: “A imaculada Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial”. A solenidade de hoje deseja nos revelar: aquilo que Deus realizou em Maria é a conclusão de tudo que Ele deseja realizar com e em toda a humanidade. Na conclusão da vida e missão de Maria vemos realizar-se o que acontecerá conosco, caso também participemos da vida de Jesus  e sejamos discípulos fiéis. Tendo realizada plenamente em sua vida a vontade divina, Ela foi ressuscitada por Deus, ou seja, foi assumida de corpo e alma, em sua totalidade, por Ele.

A Primeira Leitura  (Apocalipse 11:19; 12: 1-6, 10) narra a visão da abertura do Santuário de Deus, no Céu. Essas visões repletas de fenômenos naturais eram comuns também nas teofanias [1] no Antigo Testamento. A Mulher mencionada, na Tradição, tanto pode ser a representação de Maria como da própria Igreja, pois Maria gerou a Jesus Cristo e a Igreja gera os discípulos de Jesus por meio do sacramento do Batismo. O dragão que a persegue representa não apenas o diabo, mas todo e qualquer ser que se oponha à salvação e busca destruir os planos de Deus para a humanidade. A ação de Deus, que protege o seu Filho do dragão, revela que o poder do mal nunca terá a última palavra. Com a figura do Filho que ocupa seu lugar no Trono, no Céu, compreendemos e reconhecemos que, no seguimento de Jesus e na pessoa de Maria, a nova humanidade já é acolhida junto de Deus.

Na Segunda Leitura (I Coríntios 15: 20-27), o Apóstolo afirma que ser cristão significa acreditar que Cristo ressuscitou verdadeiramente dos mortos. Toda a nossa fé se baseia nesta verdade fundamental. No contexto da solenidade, a assunção é entendida como antecipação da ressurreição final dos fiéis, que serão ressuscitados em Cristo. Ao ser glorificada por Deus, Maria não é transformada em um anjo, não é separada de nossa natureza, mas é unida ainda mais intimamente à nossa humanidade. Como primeira cristã, tornou-se, assim, a primeira na fé a ser elevada à glória do Céu em corpo e alma, graça oferecida e alcançada pela Ressurreição de Jesus. Maria, como Mãe e discípula, seguiu nosso Mestre fielmente durante toda a sua vida. Assim, é justo e necessário que tenha entrado com Ele na vida eterna, na Casa do Pai.

O Evangelho (Lucas 1: 39-56) nos apresenta o encontro de duas mães que se preparam para trazer vida nova ao mundo: um filho traz a renovação da esperança da promessa messiânica; o outro Filho é a esperança encarnada; é o próprio Deus feito Homem. Somos convidados a cantar o Magnificat, o cântico da esperança. Maria dá voz ao Povo de Deus em peregrinação aqui na Terra que mesmo experimentando a luta cotidiana entre a vida e a morte, entre o bem e o mal, permanece crendo na Ressurreição de Cristo e na vitória do Amor Divino.

Acompanhar nossa Mãe em seu cântico é reconhecer que Deus fez grandes coisas em Maria e com Maria. Concebida sem pecado e unindo sua liberdade plenamente à Graça, permanecendo fiel a Deus e ao seu projeto de salvação, Maria transformou sua vida em comunhão perfeita e eterna com a Trindade Santíssima. A sua assunção é efeito dessa vida toda entregue a Deus. Nela, Deus realizou em plenitude tudo aquilo que desejou para a humanidade.

Maria elevada ao céu pela Graça de Deus permanece com o coração unido à humanidade. O Papa Francisco, rezando sobre a Assunção de Maria, diz: “Maria, a mãe que cuidou de Jesus, agora cuida com carinho e preocupação materna deste mundo ferido. Assim como chorou, com o coração trespassado, a morte de Jesus, assim também agora se compadece do sofrimento dos pobres crucificados e das criaturas deste mundo exterminadas pelo poder humano. Ela vive, com Jesus, completamente transfigurada, e todas as criaturas cantam sua beleza” (Laudato Si’, n. 241).

[1] Teofania é uma manifestação visível do próprio Deus. A palavra teofania tem origem na combinação de duas palavras gregas, theos, que significa “Deus”, e phainein, que significa “mostrar” ou “manifestar”. Portanto, literalmente teofania significa “manifestação de Deus”.

Pe. Paulo Sérgio Silva

Paróquia Nossa Senhora da Conceição – Farias Brito

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