Há 90 anos, nascia o “Vigário do Nordeste”

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Há noventa anos, em 31 de outubro de 1930, nascia em Barbalha-CE, no chamado “Vale do Cariri”, Monsenhor Francisco Murilo Corrêa de Sá Barreto. Por quase 50 anos, ele foi pároco da Paróquia Nossa Senhora das Dores, depois elevada à Basílica Santuário, em Juazeiro do Norte-CE. Os romeiros o consideravam sucessor da ação pastoral de Padre Cícero Romão, a quem era comparado até mesmo no jeito de acolher e de tratar a todos, do mais simples ao mais letrado, em seus conselhos e direcionamentos. Por isso, passaram a chama-lo “Vigário do Nordeste”.

A história das romarias, a luta pela reconciliação da Igreja com a figura de Padre Cícero e a valorização da piedade popular de seus afilhados estão também ligadas à missão do então Padre Murilo, que foi enviado a Juazeiro um ano depois de sua ordenação e onde permaneceu por 48 anos, sempre guiado pelo lema: “De todas as coisas divinas, a mais divina é cooperar com Deus na salvação das almas”. O título de Monsenhor veio em 6 de dezembro de 2000, concedido pela Santa Sé. Significa “meu senhor”. Antigamente, era dado aos sacerdotes residentes fora de Roma em reconhecimento aos serviços prestados à Igreja.

Dentre as suas tantas virtudes, destacava-se a pontualidade. Uma ocasião, foi chamado a integrar a comitiva que recepcionaria no aeroporto o então presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. Como o voo demorasse a pousar, Monsenhor voltou para a Casa Paroquial e deu seguimento à agenda: rezar a renovação do Coração de Jesus. E quando, por algum motivo, atrasava-se para seus compromissos, reagia com muito bom humor. “Padre Murilo, o senhor está atrasado para a missa”, disse-lhe uma beata. Ao que ele devolveu: “E a missa já começou?”. “Não”, respondeu-lhe a beata. “Então, eu não estou atrasado”.

Era também escritor, torcedor do Vasco da Gama, time de futebol carioca, e fã das músicas do Rei do Baião, Luiz Gonzaga. Publicou cinco livros, dentre eles “De Juazeiro a Terra Santa”, “Testemunho de Serviço” e “Padre Cícero”. Tantas qualidades lhe renderam, em 31 de outubro de 2005, a outorga Antônio Martins Filhos, uma medalha de mérito concedida pela Universidade Regional do Cariri.

Monsenhor Murilo tinha 75 anos quando faleceu na manhã do dia 4 de dezembro de 2005, em Fortaleza – CE. A notícia de sua morte costuma ser comparada a de Padre Cícero, dada à comoção com que foi recebida pelos paroquianos e romeiros, que disputaram lugar para vê-lo pela última vez. Personalidades culturais e políticas também lhe prestaram homenagens, inclusive com discursos nas tribunas do Congresso Nacional. Seu corpo está sepultado na Capela do Encontro, no interior da Basílica Santuário, em Juazeiro. Noutras instalações da igreja, é possível conhecer mais detalhes de sua história, representada em objetos pessoais e litúrgicos. Monsenhor Murilo também dá nome a um instituto, considerado o braço social da Basílica.

Neste dia em que completaria 90 anos de vida, o clero cearense e do Nordeste, os romeiros e devotos de Padre Cícero e da Mãe das Dores rendem graças a Deus pelo testemunho do eterno “Vigário do Nordeste”, ao mesmo tempo em que pedem a sua intercessão.

Fonte: https://www.maedasdoresjuazeiro.com/postagens/ha-90-anos–nascia-o–vigario-do-nordeste–1859

 

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