Favorecer “não a nulidade dos matrimônios, mas a rapidez dos processos” – é este o pilar do documento “Motu Proprio” (em latim, “de sua própria iniciativa”), uma série de medidas que facilitará a rapidez do processo canônico, para as causas de declaração de nulidade no Código de Direito Canônico e no Código dos Cânones das Igrejas Orientais. As normas entrarão em vigor em oito de dezembro, início do Jubileu Extraordinário da Misericórdia.
A fim de refletir o tema o clero permanece reunido nesta terça-feira (27) e quarta-feira (28) no Centro de Expansão Dom Vicente de Araújo Matos, em Crato – CE. A Assembleia Diocesana, que acontece entre os dias 13 e 14 de novembro, também será debatida durante o encontro, conforme explica o representante do clero, Padre Benedito Evaldo: “Nós vamos trabalhar já a Assembleia Diocesana, pela manhã, com o Padre Vileci (Vidal) e à tarde as questões matrimoniais que está agora para ser posto em prática. Então nós vamos se debruçar sobre esses assuntos”.
O Vigário Geral da Diocese de Crato, Padre José Vicente Pinto, enfatiza que “foi pensando em como se facilitar a vida de tantas pessoas que, não tendo dado certo em seus casamentos, possam receber da Igreja uma atenção especial”, que o Papa Francisco escrevera o documento, procurando agilizar a ação dos tribunais. “Não a forma de como se procede com o processo em si mesmo para o julgamento das situações, mas acelerar, nos tribunais, a resposta que as pessoas tanto esperam”, disse.

O tribunal ao qual o Padre se refere é regional, sediado em Fortaleza. No entanto, nas Dioceses, de modo geral, há Câmaras Eclesiásticas, onde um juiz auditor e um notário recebem os pedidos dos fiéis e, após análise, os remetem para o tribunal. Na troca de informações entre o tribunal e câmara é que se vai dando o ritual do processo de nulidade, explica o Padre José Vicente.
Unidade presbiteral
Como são costumes, os encontros do clero, além de momento de formação, também há espaço para o reencontro, de acordo com o Padre Paulo Evangelista, da Paróquia Nossa Senhora das Angústias, em Tarrafas, a cerca de 130 km da sede da Diocese. “Dado o fato de nossa vida ser tão corrida, tantas tarefas e obrigações pastorais, uma das primeiras coisas que tornam o encontro importante é a nossa possibilidade do reencontro. A outra, também, é porque se torna espaço de formação permanente. Cada encontro tem um tema, a gente reflete junto, pensa junto, e isso é importantíssimo, porque leva em consideração a necessidade permanente de formação do padre. A gente precisa sempre disso. Então, eu estou muito feliz, a gente fica muito contente por essas possibilidades”, afirma.
Até amanhã (28), os padres permanecem recolhidos em oração e formação. O último encontro do clero aconteceu em julho, quando os religiosos se afastaram de suas atividades paroquias para um tempo de reflexão na intenção de renovar a vida de oração e espiritualidade, por meio da prática do silêncio e da oração.





