Encontrar-se e permanecer com o Mestre para edificar o Reino de Deus

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HOMILIA DO 2º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B

ENCONTRAR-SE E PERMANECER COM O MESTRE PARA EDIFICAR O REINO DE DEUS

“Foram, pois, ver onde Ele morava e, neste dia, permaneceram com Ele.”

Irmãos e irmãs,

Ao longo da semana que encerramos, o evangelista Marcos nos apresentou os primeiros passos da missão de Jesus e suas atitudes como sementes de uma nova humanidade. A liturgia deste Domingo nos oferece uma reflexão sobre a nossa disponibilidade para acolher os chamados que Deus nos faz para seguir seu Filho, Jesus.

A Primeira Leitura apresenta-nos a história de uma das mais belas vocações bíblicas: a vocação de Samuel. A história mostra, de modo claro, que a vocação é sempre uma iniciativa de Deus que vem ao encontro do ser humano e o chama pelo nome (“o Senhor chamou Samuel”, cf: 1Sm 3,4). A nós, que ouvimos o chamado, é pedido que nos coloquemos numa atitude de total disponibilidade para escutar a voz de Deus e seguir os seus apelos (“fala, Senhor; o teu servo escuta”, cf: 1Sm 3, 10). A atitude de Samuel é um testemunho para todos nós que tantas vezes,  em nossas orações, estamos mais preocupados em falar do que em escutar o que Deus deseja nos falar. No mundo bíblico, “escutar” não significa apenas ouvir com os ouvidos. Significa, sobretudo, acolher no coração e transformar aquilo que se ouviu em compromisso concreto de vida.

Na Segunda Leitura, a partir atitude de se deixar transformar pela vocação, Paulo convida os cristãos de Corinto a viverem de forma coerente o chamado que Deus lhes fez. O cristão que vive em comunhão com Cristo deve manifestar sempre a vida nova de Deus. Isso significa que certas atitudes e hábitos desordenados devem ser totalmente afastados da vida do cristão. Para o Apóstolo Paulo, através do Batismo, o cristão torna-se membro de Cristo e forma com ele um único corpo. Sendo assim, os pensamentos, as palavras e as atitudes do cristão devem testemunhar, diante do mundo, o próprio Cristo. Não é à toa que ele proclamava em suas comunidades: “Tende em vós o mesmo sentimento que havia em Cristo Jesus” (Fl. 2,5).

No Evangelho, João descreve o encontro de Jesus com os seus primeiros discípulos. Temos que ter atenção às perguntas e aos verbos que aparecem no Evangelho: “E vendo que o estavam seguindo…”. Seguir significa caminhar atrás de Jesus, percorrer o mesmo caminho de amor e de entrega que Ele percorreu, ter as mesmas atitudes de Jesus e colaborar com Ele na missão.

Neste seguimento, não há lugar para dúvidas ou para desculpas que adiem a decisão. A pergunta de Jesus – “o que estás procurando?” – sugere que é necessário, para os discípulos, terem consciência do caminho e daquilo que Jesus lhes pode oferecer para que não O sigam por motivos errados, procurando n’Ele a realização de objetivos pessoais que não são essência da missão de Jesus. Os discípulos respondem com uma pergunta: “Rabi, onde moras?”. A indagação manifesta a sua vontade de aderir totalmente a Jesus, de aprender e estabelecer comunhão de vida com Ele. Eles desejam morar com Deus e partilhar da sua vida.  Jesus os convida: “Vinde ver”.

O convite de Jesus significa seguimento e partilha da vida. Os discípulos devem fazer a experiência de um encontro pessoal com o Ele, pois a identificação não acontece por informação, é algo que se alcança apenas através de uma experiência pessoal de comunhão e de encontro.

“Permaneceram com Ele”. Para João, o verbo “permanecer” significa uma atitude eterna. Ele afirma a hora: quatro da tarde. Nasce, assim, a comunidade do Messias. É a comunidade daqueles que se encontram pessoalmente com Deus que vem ao nosso encontro, a família dos que procuram a verdadeira vida e a verdadeira liberdade e que, identificando-se com Ele, aceitam segui-l’O no seu caminho de amor e de entrega, estando dispostos a uma vida de total comunhão.

O último caminho vocacional é o testemunho. Os discípulos tornam-se testemunhas. O encontro verdadeiro com Jesus conduz sempre a uma vida missionária, nunca é um caminho fechado e individual. Mas é um caminho que leva ao encontro dos irmãos e que deve tornar-se sempre anúncio e testemunho. Quem experimenta a vida e a liberdade que Cristo oferece, sente a incontrolável necessidade de partilhá-la com os outros, a fim de que também eles possam encontrar o verdadeiro sentido para a sua existência. O grito “Encontramos o Messias!” deve ser o anúncio alegre de quem fez uma verdadeira experiência de vida nova e que anseia por levar os irmãos a fazer a mesma experiência libertadora, salvadora e transformadora.

Pe. Paulo Sérgio Silva

Paróquia São Sebastião – Distrito de Mangabeira

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