No carnaval, quando purpurinas e confetes anunciam que é tempo de esquecer o enfado da vida e a pressa cotidiana ,para caminhar contra o vento, sem lenço e sem documento, em que bloco que eu vou?
No bloco da dor, da injustiça e da crueldade, que recusa um gesto solidário, que abandona o outro à própria sorte? Ou no bloco do perdão, da bondade e do amor?
Se o carnaval é a festa dos excessos, pois que extrapolemos os excessos da caridade, do acolhimento, da generosidade. Se é a festa onde o compromisso com a vida e com o outro se ausenta, que sejamos a presença que ameniza ausências.
Mas quando escolhemos sair na ala da hipocrisia, travestidos da falsa sensação de que somos melhores e mais santos por não participarmos do carnaval, cantarolando enredos que beiram o farisaísmo – como nos lembrava Dom Helder Câmara – polvilhamos mais prepotência e arrogância no sambódromo dos dias.
Que tenhamos, então, a capacidade de enfeitar os opacos da vida, de popularizar gentilezas e de reverenciar os bons modos, sendo folião da própria história e assumindo a responsabilidade por um mundo melhor. Na avenida da vida, precisamos decidir em que bloco vamos seguir – mas sem máscaras na alma.





