Dia da Educação: a família, a escola e a Igreja à luz do Pacto Educativo Global proposto pelo Papa Francisco

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Em meados de março de 2020, quando a pandemia do novo coronavírus chegou ao Brasil, as aulas presenciais foram suspensas. A servidora pública Ana Luísa Albuquerque, por exemplo, teve de adaptar a rotina de trabalhos e afazeres domésticos às aulas do filho Heitor, de seis anos, que cursava a Educação Infantil. No começo, eram apenas tarefas e não havia muito rigor nos horários para fazê-las. As aulas continuaram ministradas pelos professores, mas agora com mediação do computador ou de algum dispositivo móvel (celular ou tablet). Ana Luísa se viu às voltas com essa nova realidade. Os primeiros dias não foram fáceis. O filho não quis participar, escondeu-se embaixo da mesa e a mãe se aborreceu.

A servidora pública Ana Luísa e o filho Heitor, de 6 anos, durante uma aula on-line. Foto: Arquivo pessoal

“Eu tive de conversar com ele, dialogar e confesso que tem sido um aprendizado dos dois lados, tanto dele quanto meu, porque, de fato, as professoras se desdobram para fazer com que as crianças participem. Acompanhar a alfabetização de uma criança é uma rotina muito pesada no sentido de que a gente precisa estar muito disposta a aprender junto com eles”, diz.

A experiência de Ana Luísa nos ajuda a refletir este dia 28 de abril, que no calendário civil é dedicado à Educação, à luz do Pacto Educativo Global (Global Compact on Education), proposto pelo Papa Francisco sobre o papel da família, da Igreja e dos segmentos sociais junto à escola na formação de uma “grande aldeia educativa”.

No Brasil, a iniciativa foi acolhida pela Conferência Nacional dos Bispos (CNBB), por meio da Comissão Episcopal Pastoral para a Cultura e Educação, pela Conferência dos Religiosos (CRB) e pela Associação Nacional de Educação Católica (ANEC), para que as comunidades, as escolas, as universidades e as dioceses possam percorrer um caminho de reflexão e aprofundamento, capazes de responder aos desafios e emergências do mundo atual. Isso inclui, obviamente, a pandemia do novocoronavírus.

Leia a mensagem do Papa: http://www.vatican.va/content/francesco/pt/messages/pont-messages/2019/documents/papa-francesco_20190912_messaggio-patto-educativo.html

Durante a fase de isolamento social, estreitar laços entre a família e a escola tem sido imprescindível. O desafio congrega a participação de pais, avós, tios e até irmãos mais velhos para apoiar o trabalho à distância dos educadores e das crianças.

“A família deve se fortalecer como espaço amoroso”, explica Irmã Fátima dos Anjos, religiosa da Congregação das Filhas de Santa Teresa de Jesus e coordenadora da Rede Teresiana de Educação. Nessa perspectiva, diz ela, o desejo do Papa Francisco é que as famílias sejam matrizes referenciais, modelo de comportamento ético e moral para os filhos, enquanto a escola tem a função do bom pastor, dando o melhor de si para o pleno desenvolvimento do ser humano.

Padre Vileci Vidal, coordenador diocesano de Pastoral da Diocese de Crato, ressalta que a catequese da Igreja “não passa apenas pelo ensinamento à vida dos sacramentos, mas pelo processo educacional”. Isso inclui motivar as famílias à vida de oração, que dignifica a educação dos filhos. Padre Raimundo Nonato, diretor das Obras Salesianas, partilha do mesmo pensamento, sublinhando que umas das propostas pedagógicas de Dom Bosco, fundador da Ordem Salesiana, é justamente formar “bons cristãos e honestos cidadãos”, comprometidos com a consciência e aprofundamento da fé, capazes de firmar compromissos eclesiais e sociais.

Para saber mais: compromissos do Pacto Educativo Global

1 – Colocar a pessoa no centro de cada processo educativo;

2 – Ouvir a voz das crianças, adolescentes e jovens a quem transmitimos valores e conhecimentos;

3 – Favorecer a plena participação das meninas e adolescentes na instrução;

4 – Ver na família o primeiro e indispensável sujeito educador;

5 – Educar e educarmo-nos para o acolhimento, abrindo-nos aos mais vulneráveis e marginalizados;

6 – Encontrar outras formas de compreender a economia, a política, o crescimento e o progresso, na perspectiva duma ecologia integral;

7 – Guardar e cultivar a nossa casa comum, protegendo-a da exploração dos seus recursos, adotando estilos de vida mais sóbrios e apostando na utilização exclusiva de energias renováveis.

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/603808-educacao-papa-lanca-pacto-global-com-sete-compromissos-por-um-mundo-diferente

Por: Patrícia Mirelly/Assessoria de Comunicação

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