Com a imagem de Nossa Senhora das Dores carregada nos braços devotos do padre Cícero Romão Batista saíram, ao fim da tarde da terça- feira, dia 20 de agosto, da Capela do distrito São Miguel, de Mauriti, em direção ao monumento do Patriarca do Nordeste, localizado a cinco quilômetros. Lá aconteceria a missa em sufrágio de sua alma.
No percurso eram entoados benditos, como em Juazeiro do Norte. Vivas a Jesus Cristo, a Nossa Senhora e ao “Padim”, nesta ordem, também eram dados, enquanto a banda de pífano dava o tom para entoar outro cântico e as pessoas que aguardavam na estrada acompanhavam a peregrinação.
Em poucos minutos de caminhada deu para se ver onde a imagem da Mãe das Dores iria encontrar com a imagem do Pe. Cícero. Lá aconteceria a missa presidida por dom Gilberto Pastana, concelebrada pelo padre José Máximo Ramalho de Farias.
O pôr do sol deixou o cenário ainda mais orante. Das flores que enfeitavam o espaço e a imagem do “Padim” exalava gratidão pela vida do sacerdote. Gratidão esta manifestada em suas diversas formas. A dona Antônia Etonina, por exemplo, apesar dos 92 anos, não perde nenhuma das celebrações. Com seu andador, enfeitado com duas fitas do “Padim” trazidas de lembrança de Juazeiro do Norte, sempre fica ao lado do altar, participando, atentamente, da celebração. “Eu amo meu Padre Cícero e a religião católica. Não perco uma celebração”, disse ela.
Esta peregrinação deve acontecer, cada mês em um local diferente, nas trinta e duas comunidades da Paróquia Imaculada Conceição, de Mauriti, onde existe monumento do Padrinho. A de setembro já tem destino certo: Comunidade Nossa Senhora das Graças, da Lagoa Funda.
Caravana da Mãe das Dores
Em novembro de 2018 o padre Cícero José da Silva, reitor da Basílica Nossa Senhora das Dores, de Juazeiro do Norte, levou a Caravana da Mãe das Dores à Mauriti, deixando lá a imagem de Nossa Senhora das Dores, grande devoção do Padre Cícero Romão. Este ato está sendo realizado nas Paróquias Romeiras por onde a Caravana está passando.
A partir de então, segundo o diácono Francisco Alves de Sousa, responsável pela peregrinação em Mauriti, houve impulso na devoção ao “Padim” e unidade entre aqueles que já a vivenciavam. “Com a vinda da Caravana foi criada essa conscientização de que os romeiros existiam na Paróquia, como grupo que se reunia todo dia 20 para rezar o terço. A visita está consolidando isso”, afirmou.
Para acolher a imagem da Mãe das Dores há toda uma preparação por parte da comunidade, algumas realizam até Tríduo. No dia da romaria a imagem chega cedo, é servido um café comunitário e depois realizado momentos de oração e encontros de reflexão sobre os ensinamentos deixados pelo sacerdote que levam os fiéis ao caminho de Cristo. Junto a imagem do padre Cícero, onde eles rezam o terço todo dia 20, é preparado um altar onde acontece a Missa ou Celebração da Palavra, culminando a visita.
Pe. Cícero do Muquém
A comunidade de Mauriti visitada pela imagem da Mãe das Dores neste mês de agosto tem sua criação ligada a religiosidade popular e, especificamente, ao padre Cícero Romão Batista.
Através de um resgate, feito no período das Santas Missões Populares, foi reconstruída, por fonte oral, a história. Segundo este resgate no local onde está o monumento do padre Cícero, que tem por detrás uma lagoa, não tinha água. Então a família Caboclo, romeira do Patriarca do Nordeste, foi até Juazeiro do Norte, para pedir ao sacerdote para que ele mostrasse uma cacimba naquele lugar.
“Na história, passada de pai para filho, diz que o padre Cícero colocou a mão sobre o seu cajado, olhou e disse que não estava vendo São Miguel, mas que após São Miguel estava vendo um lugar onde tinha três pés de Muquém e deu a ordem para que quando chagassem lá, cavassem e levassem até ele uma pedra que tinha no local. Conta-se que eles foram, encontraram a pedra e a levaram para Juazeiro. Durante o inverno choveu e o local de onde foi tirada a pedra encheu de água e até hoje está”, relatou o diácono.
Por isso que, mesmo localizado no Distrito São Miguel, o local onde está o monumento é conhecido como Pe. Cícero do Muquém.
Por: Jornalista Patrícia Silva- DRT 3815/CE















