Deus é liberdade em plenitude e vida em abundância

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HOMILIA DO 4º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B

“Ensinava como quem tem autoridade.”

A liturgia deste domingo revela-nos que Deus não se conforma com ações e atitudes de egoísmo e de morte que ferem a dignidade e que escravizam os seres humanos. A ação redentora de seu Filho manifesta que Ele vem ao nosso encontro para nos propor um caminho de liberdade e de vida plena.

A Primeira Leitura nos convida – a partir da vocação de Moisés – a uma reflexão sobre ser profeta. O profeta é alguém que Deus escolhe, chama e envia para proclamar sua “Palavra” viva aos seres humanos. O verdadeiro profeta não transmite uma mensagem pessoal ou aquilo que o povo gosta de ouvir. O profeta é aquele que tem a coragem de enfrentar a realidade que escraviza, que causa a morte e que testemunha fielmente as propostas de Deus para os homens e para o mundo. A missão profética deve sempre servir a Deus, aos planos e à Verdade dEle, e não ao serviço de planos pessoais, interesseiros e egoístas que causam desolação e sofrimento no mundo.

Sendo assim, na Segunda Leitura, São Paulo convida os fiéis cristãos a repensarem as suas prioridades e a não deixarem que as realidades passageiras os impeçam de viver o verdadeiro compromisso com o serviço de Deus e dos irmãos. No trecho que meditamos, no entanto, é preciso ressaltar que não se trata de uma rejeição do Apóstolo ao matrimônio. Paulo nunca diz que o casamento é uma realidade má ou um caminho a evitar. Ao contrário, é uma realidade importante. Ele considera que tanto o casamento como o celibato são dons de Deus (cf: 1 Cor 7,7).

O Evangelho insere-nos no início da missão onde Jesus começa a se revelar como Messias e caminho de salvação. Pela Sua Palavra e pela Sua ação, Jesus Cristo renova e transforma em pessoas livres todos aqueles que vivem prisioneiros do egoísmo, do pecado e da morte. Na perspectiva bíblica de Jesus, esses “espíritos maus” que dominam ou possuem a pessoa, tinham um poder absoluto que os seres humanos não podiam – sozinhos e com as suas débeis forças – vencer. Assim, acreditava-se que só Deus, com o seu poder e autoridade absoluta, era capaz de vencer os “espíritos maus” e devolver a vida e a liberdade perdidas. Apesar do exemplo se referir a um homem possesso, para Marcos, a ação libertadora de Jesus se realiza contra toda realidade que escraviza o ser humano e isso inclui não apenas a possessão por um espírito mau, mas também realidades concretas como fofocas, julgamentos dos erros alheios, puritanismos, falsidade, imoralidade sexual, etc.

Assim sendo, temos a mesma missão de Jesus Cristo. Apesar da incompreensão e da intolerância de que são vítimas, os discípulos de Jesus não devem se fechar nas sacristias, ignorar o sofrimento ou se curvar diante da dominação dos perversos; devem assumir corajosamente e de forma bem visível e concreta o serviço missionário na transformação das realidades políticas, econômicas, sociais e familiares.

Padre Paulo Sérgio Silva

Paróquia São Sebastião – Mangabeira, distrito de Lavras – CE

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