Em uma missa nesse sábado, dia 10 de junho, às 9h, na Paróquia Imaculado Coração de Maria, em Abaiara, presidida por dom Gilberto Pastana e concelebrada por vinte e cinco padres da diocese de Crato, foi dado o último adeus ao monsenhor José Leite Sampaio, falecido, aos 98 anos, na última quinta- feira, dia 8 de junho, por insuficiência respiratória aguda.
O momento, de grande comoção, reuniu também diáconos, familiares e amigos do padre Duza, como o monsenhor era carinhosamente conhecido. Na verdade, apesar de ter recebido o título de monsenhor em 2009, o humilde sacerdote sempre quis ser chamado de padre, pois para ele “monsenhor” era apenas um título, o que valia mesmo era o sacramento que recebeu na ordenação sacerdotal. Portanto, em respeito ao seu desejo, discorreremos os próximos parágrafos se referindo a ele como padre.

Padre Duza é, para os abairenses, sinônimo de homem integro. Isso foi citado em todas as homenagens feitas pela comunidade antes da celebração. Na homilia dom Pastana também ressaltou a dedicação que o presbítero tinha no serviço do Reino e afirmou que esse dia, apesar da dor provocada pela separação, era dia de agradecer a Deus pela vida exemplar do quase centenário sacerdote. “Eu me deixei tocar pelo seu jeito de ser, pela sua sinceridade, pelo jeito de dizer as coisas e depois por tudo o que eu escutei seja da comunidade, seja dos irmãos presbíteros. Glorifiquemos ao Pai por toda contribuição, todo o serviço, toda dedicação, todo testemunho que o padre Duza deixa para a diocese de Crato. Esse dia é dia de agradecer a Deus a vida desse irmão, de agradecer essa sua presença. Presença que nos traz a presença do Pai, a presença do Senhor. É dia de dizer: Senhor obrigado pela vida do padre Duza”, disse o bispo.
Dom Gilberto esteve com o padre Duza em dois momentos: o primeiro em uma visita, acompanhado de dom Fernando Panico, logo que chegou a diocese como bispo coadjutor, em 2016, e a outra na sexta- feira que antecedeu seu falecimento, dia 2 de junho, quando ele estava internado no Hospital Geral de Brejo Santo.

Sepultamento
Após a missa de exéquias aconteceu o sepultamento do padre Duza, na própria Igreja Matriz de Abaiara, aquele que ele ajudou a construir. Depois da encomendação do corpo feita pelo bispo, cada um dos sacerdotes aspergiram água benta. A urna funerária, que estava na frente do altar, foi fechada e os padres a levaram até o espaço onde descansará em paz os retos mortais do sacerdote, localizado a direita da porta principal da Igreja.
“A Igreja Matriz do Imaculado Coração de Maria foi edificada por ele. Ele muito se esforçou, trabalhou, se dedicou para construir este templo sagrado, ele mesmo sendo presença na obra, começando a partir dos alicerces. Tudo foi pensando por ele, então nada mais justo que ele viesse repousar na casa que ele mesmo construiu”, explicou o padre Elias Ribeiro, pároco de Abaiara.

As lágrimas no rosto de cada um expressavam o amor sentido por aquele que sempre testemunhou uma vivencia espiritual enraizada a partir da realidade do povo sofrido, comprometido com a causa da justiça e do Reino de Deus, testemunhando simplicidade, humildade e pobreza. Que o diga isso dona Maria Auxiliadora Ribeiro (Dôra), que dos 58 anos que tem, 30 deles foram dedicados aos cuidados com o padre Duza. “Ele era como um pai para mim, muito bom, me ajudava em tudo que podia. Pai, irmão, amigo, me dava muito conselho. Me ensinou a ser honesta, ser direita, tratar as pessoas bem. Tudo de bom eu vou guardar dele. Vai fazer muita falta”, disse ela em prantos, com o som do choro se sobressaindo as palavras.
A jovem Nayana Alves, de 29 anos, da Capela São José criada pelo padre Duza, também fez de tudo para dar o último adeus. Subiu em um banco da Igreja e se esticou. O esforço valeu a pena. “Ele fez parte da nossa vida. Agora fica em nós um vazio. Ele nos deixa o ensinamento de coragem, luta e dedicação a comunidade”, disse a jovem. Durante a sexta- feira o corpo do padre foi velado na Capela da Vila São José.

Legado
Padre Duza viveu boa parte do seu sacerdócio em Abaiara, inclusive foi o primeiro pároco do município. Ajudou a construir a Paróquia do Imaculado Coração de Maria, local onde foi sepultado. Mas o seu legado não foi só no âmbito espiritual, também como escritor e parapsicólogo, deixou grandes contribuições para a educação da cidade.
“A escola de primeiro grau que aqui não tinha, foi ele que nos ajudou para que fosse iniciada a nossa escola e depois a escola de segundo grau, o ensino médio hoje. Tudo foi através dele. Eu muito agradeço a Deus e a ele que trabalhou muito para aumentar a educação de Abaiara. Para nós foi uma grande perda, mas tenho certeza que ele não sairá do nosso pensamento”, concluiu o prefeito municipal, Afonso Tavares Leite.

Várias vocações também foram suscitadas a partir do testemunho do padre Duza, dentre elas a do padre José Eliomar Tavares, pároco de Milagres, que teve o padre Duza presente em sua vida, desde o batismo até sua vestição na ordenação sacerdotal. “Um homem inteligente, prático, que procurava vivenciar sua fé nas ações, esse foi o padre Duza. Pelo contato que tive com ele vi que ele sempre buscou viver para as pessoas, que levou a sério o seu ministério sacerdotal. Em momentos como este a gente sente aquela dor no coração, mas algo nos alegra, pois vemos uma pessoa que vivenciou a sua fé, testemunhou Jesus Cristo, assumiu seu ministério sacerdotal e está conosco nessa comunhão pois somos uma Igreja viva que celebra a esperança e o padre Duza está no lugar seguro, está junto de Deus”, disse emocionado recordando da carta que ele tem, escrita a próprio punho pelo padre Duza, o encaminhando para o seminário.





