Combate espiritual em tempos difíceis

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O próprio termo utilizado para designar “combate espiritual” refere-se a duas ou mais partes que se encontram em um espaço de conflito, na busca de alcançar um suposto ideal, que neste caso trata-se de uma realidade espiritual, um objetivo transcendente, de caráter definitivo.

Em Efésios, Paulo destaca que “a nossa luta não é contra o sangue e a carne, mas contra os principados, as potestades, os dominadores deste mundo tenebroso, os espíritos malignos espalhado pelo espaço” (Ef 6,12), diz respeito a um conjunto de forças espirituais que permanentemente buscam determinar o caminho do homem, em um espaço e tempo específico. Portanto, corresponde a uma batalha em que o homem deve vencer a si mesmo, pois suas próprias vontades, desejos e paixões são os motores que determinam suas escolhas, e estas, por sua vez, nem sempre se encontram bem direcionadas, dada a íntima tendência de buscar o que é belo e atraente à nossa carne. Por isso, Paulo faz questão de nos alertar: “revesti-vos com a armadura de Deus, a fim de que possais resistir no dia mau e permanecer firmes depois de terdes superados toda prova” (Ef 6,13).

Uma batalha contra nós mesmos é caracterizada por um conflito com a força da concupiscência, que intensifica nossas fraquezas e limitações, na busca de se sobrepor de nossas virtudes e de pouco em pouco conseguir nos desconfigurar do Bem Eterno, fazendo com que as belezas divinas percam sua atração aos nossos olhos, desviando nossas paixões e vontades para realidades e objetos de caráter passageiro, distantes das belezas que nos são ofertadas por Deus em suas virtudes.

Interessante é a afirmação de que essa realidade de combate não é comum apenas para as pessoas que estão distantes de Deus ou O renegam. Pelo contrário. Quanto mais próximo de Deus, mais se intensificam os combates com forças e encantamentos novos, de fato, capazes de emergir uma força de atração aos nossos olhos ainda mais contundentes. Por esse motivo, as provações não se resumem apenas da parte inimiga, mas são lançadas da parte de Deus provas de fidelidade, a fim de que sejamos n’Ele perfeitos adoradores, capazes de renunciar a tudo pelo amor, como nos diz o autor sagrado: “Meu filho, não desprezes a correção do Senhor, não te desanimes quando ele te repreende; pois o Senhor corrige a quem ele ama e castiga a quem aceita como filho” (Hb 12,5-6).

Em outra tradução, podemos encontrar que o Senhor “açoita os que d’Ele se aproximam”, ou seja, devemos estar felizes pelas provações que passamos, e este combate espiritual que todos os que se decidem se aproximar de Deus passam não se trata de uma oportunidade para nos afundarmos cada vê mais no pecado nos afastando de d’Ele. Não. É um sinal claro e visível de que estamos vencendo a batalha e que estamos nos aproximando do grande Amor, ou como Santa Teresa de Àvila se refere a Ele em sua obra “Moradas”, nos aproximamos do espaço onde se encontra Vossa Majestade.

Acreditamos que a maior lição que o combate Espiritual nos traz é a conversão da nossa visão, do nosso modo de ver as coisas. Paulo, em oração, pede que “Ele ilumine os olhos do vosso coração” (Ef 1,18), isso porque o nosso modo de ver a realidades, as situações em que somos postos na batalha, é que determina qual posição tomaremos e, consequentemente, o resultado, pois tudo o que nos sobrevier será filtrado pelos olhos do coração que estará pelo de Deus e assim ganhará um novo significado.

Não foi isso que aconteceu com os primeiros martirizados? Não foi assim que a Santa Virgem Maria entendeu quando o Profeta Simeão profetizou sobre a espada que transpassaria seu coração de Mãe? Não foi por essa mesma perspectiva que Jesus tomou o cálice de nossa redenção? Da mesma forma, no Antigo Testamento, com Abraão, Moisés, Ester, Elias e tantos outros. O que determinou sua vitória sobre todo o mundo que se voltou contra ele foi abraçar a vontade de Deus expressa em um novo modo de ver as coisas. Eles esperaram em Deus: “nos gloriamos também de nossas aflições, sabendo que a tribulação gera perseverança, a perseverança leva a uma virtude comprovada, e a virtude comprovada desabrocha em esperança. Ora, a esperança não decepciona” (Rm 5,3-5).

Por: Seminarista Cícero Cladson Pereira da Silva

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