Era perto das oito e meia da manhã desta Sexta-feira Santa, 19 de abril, quando a aposentada e cursilhista Maria Fernanda Oliveira buscou assento na Igreja Catedral Nossa Senhora da Penha, no centro de Crato. Com um guarda-sol e um par de sapatos confortável, ela, juntando-se a inúmeros outros peregrinos, aguardava a saída da Via-sacra até o Seminário São José. “Não tem contas”, mas disse que sempre acompanha o trajeto.
Do lado de fora, o jovem Lucas Mateus também aguardava a saída do cortejo. Para ele, esse é um momento de reflexão e silêncio. “Ele [Jesus] sofre e se entrega para salvar toda a humanidade e, assim, nós também devemos refletir sobre esse gesto”, considerou.
Na Sexta-feira Santa, a Igreja no mundo inteiro recorda a Paixão do Senhor. Por isso a Via-sacra, rezada de modo matricular neste dia, não é uma simples prática de devoção popular com caráter sentimental, mas uma manifestação da mais profunda experiência cristã. E como um convite à consciência cidadã dos féis, ela foi meditada evocando as Políticas Públicas, tema da Campanha da Fraternidade deste ano.
A caminhada penitencial até o Seminário saiu por volta das nove e meia. Como de costume, a Irmandade do Santíssimo solenizou e abriu o cortejo, seguida pelos coroinhas, sob a presidência do bispo diocesano, Dom Gilberto Pastana, acompanhado dos padres Joaquim Ivo, George de Brito e José, além dos diáconos permanente e transitório.
Na quinta estação, o pastor diocesano convidou os jovens, entre quinze e dezoito anos, a levarem o andor do Senhor dos Passos. A intenção foi fazê-los participar, de uma maneira mais próxima, da caminhada penitencial. Na décima estação, outro gesto parecido, agora direcionado às crianças que acompanhavam o percurso, junto aos pais. O bispo, chamando-as para perto de si, invocou sobre elas uma bênção especial.
Ao chegar ao Seminário, a Via-sacra parou na penúltima estação, devendo ser retomada ao fim da tarde, após a solene ação litúrgica da Paixão e Morte de Jesus, quando os peregrinos, outra vez reunidos, carregam a imagem do Senhor Morto até o Casarão de São José, com a mesma piedade e devoção.












