CARTA DE SÃO PAULO AOS EFÉSIOS – RESUMO

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Paulo, apóstolo de Cristo Jesus por vontade de Deus, aos santos que estão em Éfeso, fiéis em Cristo Jesus: a vós, a graça e a paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo. (Ef. 1,1-2)

Setembro, Mês da Bíblia. Todos os anos durante o mês de setembro a Igreja nos convida a meditar com mais atenção, zelo e amor um livro da Bíblia. Este ano nosso livro de estudo durante este mês será a Carta de São Paulo aos Efésios. Para ajudar nossas comunidades a progredir no conhecimento da Sagrada Escritura, preparamos um resumo deste referido escrito onde discorremos de forma breve sobre seus principais pontos e chaves teológicas. Boa Leitura!

1 – Destinatários da carta – A comunidade cristã da cidade de Éfeso e sua região.

A cidade de Éfeso, foi um importante centro humano na época dos Apóstolos, tanto que se tornou capital da província romana da Ásia Menor. O seu porto que servia de acesso para o comércio e a sua numerosa população a tornavam uma cidade de rápido crescimento.  São Paulo esteve nesta cidade durante duas viagens missionárias (At. 18,19-21), em sua segunda passagem permaneceu na cidade por três meses e a utilizou como ponto de acesso para evangelizar as cidades vizinhas. No final desta viagem missionária, consciente dos perigos dos hereges e falsos doutores, o Apóstolo adverte as comunidades sobre os riscos da presença deles dentro das comunidades cristãs (At. 20,29).

2 – Carta do Apóstolo Paulo ou não?

A carta aos Efésios normalmente é indicada como um dos escritos realizados no período em que São Paulo esteve preso entre os anos de 61-63. Junto com ela, a Carta aos Filipenses, aos Colossenses e Filêmon formam o grupo chamado de Cartas do Cativeiro. Embora seja atribuída desde muito tempo como de autoria do Apóstolo, alguns afirmam que provavelmente ela foi escrita e enviada aos seus destinatários por discípulos de Paulo depois da morte do Apóstolo. A favor da autenticidade estão vários fatores como: a saudação inicial (Ef.1,1), as palavras referentes a sua vocação apostólica (Ef. 3, l-12), os testemunhos dos Padres da Igreja dos séculos I e II (Santo Inácio de Antioquia, São Policarpo, Santo Irineu e São Clemente de Alexandria) e os pontos doutrinários relacionados a salvação pela fé e a formação de um único povo, formado por judeus e gentios. Estes pontos são semelhantes as cartas já declaradas como autenticamente paulinas. Já autores modernos colocam em dúvida a autoria por outros fatores: a linguagem e o estilo muito solenes e complicados são diferentes das cartas autênticas.  A doutrina sobre a pessoa de Cristo, o significado messiânico de sua morte e sua exaltação junto a Deus Pai são mais elaboradas assim como as afirmações a respeito da Igreja. Aqui as analogias são bem mais desenvolvidas. Mais do que um chefe supremo, nesta carta, Cristo é apresentado como a cabeça que une e comunica a vida aos cristãos. A doutrina acerca do sacramento do matrimônio surge bem mais aprofundada do que aquela apresentada na I Coríntios. Tudo isto leva os autores modernos a afirmar que a carta não foi escrita por Paulo, mas por um discípulo seu, muitos anos depois da sua morte. Nas palavras do biblista Gabriel Pérez: “Advertimos que esta discussão não afeta o valor da carta e o seu conteúdo como palavra de Deus. Esta dimensão não lhe vem do autor humano, mas do Espírito Santo, sob cuja inspiração fora escrita a carta. Além disso, se a carta não foi escrita por Paulo, é dos círculos paulinos que, sob a ação do Espírito, continuaram refletindo sobre a doutrina do apóstolo”.

3 – A Divisão Estrutural e o Conteúdo da Carta.

Sua estrutura segue o mesmo esquema tradicional dos outros escritos de São Paulo. Inicia-se com a característica saudação (Ef. 1,1-2). E se divide em duas partes. A primeira parte, de caráter teórico-doutrinal (Ef. 1,3-3,2) tem como tema central Cristo e a Igreja. A segunda parte, de caráter moral (Ef. 4,1-6,20), convida à unidade e recomenda os deveres próprios de cada estado de vida cristã. Ela é concluída com um epílogo (Ef. 6,21-24).

Parte doutrinal-dogmática: inicia-se com um hino sobre a ação da Santíssima Trindade na condução da obra da salvação (Ef. 1,3-14). Depois afirma a redenção pessoa do Cristo, sua superioridade aos anjos e seu papel de cabeça Igreja (Ef. 1,15-23). Em seguida discorre sobre a situação universal do pecado e afirma a salvação amorosa e gratuita do homem (Ef. 2,1-10) e sobre como a ação redentora de Cristo uniu todos em um só povo que é a Igreja (Ef. 2,11-22). A seguir, fala do próprio ministério apostólico (Ef. 3,1-13)) e encerra com uma exortação onde aconselha os cristãos a permanecerem abertos a ação do Espírito Santo afim de serem fortalecidos para a vivência da fé e da santidade.

Parte Moral: começa com um caloroso convite à unidade, dentro da diversidade de carismas que Deus oferece na Igreja (Ef. 4,1-16). Em seguida, uma exortação para viver a coerência na fé através da conversão para abandonar a vida passada (o homem velho) e revestir-se da redenção em Cristo (o homem novo), pois “os cristãos devem viver como filhos da luz, imitando a Cristo, praticando as virtudes e fugindo dos vícios.” (Ef. 4,17-5,21). Adentrando nos conselhos familiares, o Apóstolo acentua os mútuos deveres dos esposos, cujas relação deve ter como modelo Cristo e a Igreja (Ef. 5,21-23), aos pais e aos filhos, aos senhores e aos servos (Ef. 6,1-9). Conclui com uma analogia onde compara o cristão com um soldado romano: assim como o soldado deve ir para missão com a sua armadura, o cristão deve sempre está revestido de Cristo (Ef. 6,10-20). O epílogo coroa a carta com o tão aguardado desejo de graça e a paz (Ef. 6,21-23).

CHAVES TEOLÓGICAS PARA UMA BOA LEITURA E COMPREENSÃO

Este escrito considerado como um dos mais bem elaborados teologicamente do Novo Testamento tem influenciado a teologia e a prática pastoral da Igreja até os dias de hoje. Suas temáticas se mantêm essenciais em todas as épocas. São contribuições que discorrem sobre a relevância da Graça de Deus na salvação e na unidade da Igreja, a Unidade eclesial que independe da origem étnica ou social de seus membros, a nova vida em Cristo, a missão da Igreja, o relacionamento conjugal e a luta espiritual. Além destes assuntos ainda temos: a eleição divina, a redenção e a herança dos santos, a missão de Paulo de pregar o Evangelho aos pagãos e a exortação para que os efésios vivam uma vida digna de sua vocação cristã. Podemos ver a metodologia do autor no modo como ele separa e reflete sobre cada tema ao longo dos capítulos.

Efésios 2:1-10A Graça de Deus: Paulo destaca a riqueza da graça de Deus e como ela é essencial para a salvação e a vida cristã.

Efésios 4:1-6; 11-16Eclesiologia: Paulo exorta os cristãos a manterem a unidade promovida pela ação do Espírito Santo, enfatizando que todos são um só povo em Cristo, independentemente de sua origem étnica ou social. A Igreja vista como o Corpo de Cristo, com cada membro, através dos dons, desempenha um papel importante na edificação do corpo.

Efésios 4:17-24A nova vida em Cristo e a conversão permanente: Paulo ensina que, por meio de Cristo, os cristãos têm uma nova identidade e devem viver uma nova vida em justiça e santidade.

Efésios 5, 6-20; 6,10-20Os desafios da vida cristã e a luta espiritual: Paulo narra a vida cristã como uma batalha espiritual que os cristãos enfrentam em meio aos costumes pagãos e apresenta conselhos sobre como devem se proteger por meio do uso da armadura de Deus.

Efésios 5,21-33; 6,1-4 A fé e sua vivência no cotidiano da Família: Paulo ensina que o casamento deve seguir o exemplo da relação existente entre Cristo e a Igreja, e exorta maridos e esposas e filhos a amarem e respeitarem uns ao outros.

Efésios 6, 5-9Conversão e libertação pela vivência da fé: este trecho apresenta muitas polêmicas e controvérsias por se tratar de conselhos paulinos aos escravos sobre seu relacionamento com o patrão. Muitos acusam o Apóstolo de apologia a escravidão e que ele foi conivente com a lamentável e vergonhosa prática da escravidão. Quem leu a Carta a Filêmon sabe que o Apóstolo jamais foi conivente com tal situação (Fm. 1,15-17) Os conselhos aqui são para que a vivência da fé na vida do escravo ajude a facilitar sua vida. Na verdade, conforme os testemunhos dos Padres da Igrejas, a vivência da fé dos escravos despertou os patrões para querer conhecer a fé cristã e estes com o tempo acabaram libertando seus escravos por entenderem que tal prática era incompatível a fé e a salvação em Cristo.

Pe. Paulo Sérgio Silva – Paróquia Nossa Senhora da Conceição – Farias Brito.

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