À Fátima Vieste, ó Mãe Querida!

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Era treze de maio de 1917. O mundo, ceifado pela guerra, clamava como que em dores de parto. Três crianças – Francisco, Jacinta e Lúcia – pequenos pastores da freguesia de Fátima, Portugal, veem, do céu, surgir uma “Senhora mais brilhante que o sol”. Pondo-se em uma azinheira, a eles questionou: “Quereis vos consagrar a Deus?”. Ao que responderam: “Sim, queremos…”. A cena se repetiu até outubro. Às crianças foi revelado que a chave de salvação para tantas atrocidades estava na conversão, na oração, na penitência e na recitação do Santo Terço.

Passados cem anos, o mundo, transformando num altar, contemplou, em júbilo, a graça das aparições da Imaculada Conceição, como ela mesma se apresentara, depois. Na exultância deste dia treze de maio de 2017, quando dois novos santos [Jacinta e Francisco] são elevados às honras dos altares,devotos, incontáveis à mente humana, entoaram hinos de amor e gratidão à tão Boa Mãe, irradiados com o brilho que emana de sua benevolência materna.

Na cidade de Crato, em comunhão com toda Igreja, a Festa de Nossa Senhora de Fátima do bairro Pimenta, cujo tema recordou “Por fim, meu Imaculado Coração Triunfará”, ápice da mensagem revelada aos pastores, foi encerrada no entardecer deste sábado.

Andor de Nossa Senhora de Fátima. (Foto: Patrícia Mirelly)

Guiados pelo bispo diocesano, Dom Gilberto Pastana, o administrador paroquial, Padre Aureliano Gondim e o vigário paroquial e reitor do Seminário Propedêutico, Padre Cícero Luciano Lima, os fiéis participaram de Missa campal, seguida de procissão e bênção do Santíssimo Sacramento.

A terceira maior festa da cidade, atrás apenas da festa de Nossa Senhora da Penha [da Catedral] e de São José [do Seminário Diocesano], o percurso pelas principais ruas reuniu milhares de fiéis, que seguiram, em oração, o carro-andor com a imagem de Nossa Senhora, cuidadosamente ornado com flores naturais e tecido azul.

Compadecida do povo teu

A professora universitária aposentada Ana Esmeraldo Callou cresceu frequentando o Santuário dedicado à Nossa Senhora de Fátima, em Fortaleza. Lá casou-se e viu os filhos crescerem. Fixando morada em Crato, por providência, passou, de novo a ser paroquiana de Fátima. Hoje, coordenadora dos Ministros Extraordinários da Eucaristia, Legião de Maria, dentre outros movimentos, é dos incontáveis devotos que elevam neste dia 13 preces de gratidão ainda mais fervorosas.

Dom Pastana com as crianças que acompanharam a procissão vestidas dos três pastorinhos e de anjos. (Foto: Patrícia Mirelly)

– Ela [Nossa Senhora] sempre me acompanhou. Não tem explicação, mas a gente sente a presença dela na nossa vida. Na minha casa, há o que eu chamo de “sala de oração” e lá tem uma imagem. Quando eu estou precisando de algo, seguro nas mãozinhas dela e peço. E consigo. Paz, principalmente – disse ela.

Dona Maria Filomena, 60 anos, aposentada, também:

– Ave-Maria, é muito amor por essa Mãe! Ela tem me valido em tanta coisa, em tanto momento…

E já o mundo inteiro Te venera

No bairro Pimenta a festa está acontecendo desde o dia 1º de maio, com novenário, com participação não apenas dos paroquianos, mas de outros lugares da cidade e da região. Na avaliação do administrador paroquial, Padre Aurelino Gondim, “é um tempo bonito, de festa, que serve como um grande retiro espiritual, onde as pessoas renovam a fé, abraçam, cada vez mais, a devoção e se voltam à Mãe de Deus, à Mãe de Jesus de Nazaré”.

– A paróquia, inclusive, está também se preparando para os seus 50 anos de criação. É, portanto, uma festa com boas raízes e bem alicerçada na vida do povo e que a cada ano se renova e aumenta – testemunhou.

A missa foi campal. (Foto: Patrícia Mirelly)

E considera o amparo Teu

O bispo Dom Gilberto, celebrando junto ao povo os cem anos das aparições de Nossa Senhora, deu por aberto o Ano Jubilar da paróquia, que, em 2018, estará celebrando seus “50 anos de criação, de existência e de devoção mariana e de seguimento a essa mulher que é Mãe de Jesus e também nossa Mãe”.

– Toda celebração a gente festeja como se fosse a primeira e a última. E, cada uma, tem de ser um encontro especial com o Senhor, de experiência de fé e da espiritualidade cristã. Que todos, então, possam criar este ambiente de oração, mergulhando no Mistério de Deus, saindo, assim, mais esperançosos e comprometidos com a vida e a mensagem do Senhor Jesus – orientou.

Discorrendo sobre a mensagem de Fátima “Por fim, só o Meu Imaculado Coração é que triunfará”, disse que ela continua profética, pois o que Nossa Senhora deseja é a paz. E essa paz ela não existe sem justiça.

Essa foi a primeira vez que dom Pastana participou da festividade na Paróquia de Nossa Senhora de Fátima. (Foto: Patrícia Mirelly)

– A gente percebe que, ainda hoje, a guerra ela não existe só quando se mata de uma forma imediata. A vida é tirada quando muitas pessoas não têm casa para morar, não têm ainda o que comer. A quantidade de pessoas que passam fome é muito grande com relação àqueles que estão estragando e jogando fora o que falta na mesa de outras pessoas. Então essa mensagem continua. Nossa Senhora quer nos dizer: “Olha, nós precisamos salvar a humanidade, nós precisamos rever os nossos estilos de vida, cuidar da vida e essa vida no seu sentido mais global, de todas as raças e etnias.

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