A bondade de Deus se fez carne e habitou entre nós

Compartilhe:

HOMILIA DO NATAL DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO – ANO B

DIA 24 – MISSA DA NOITE

A BONDADE DE DEUS SE FEZ CARNE E HABITOU ENTRE NÓS

“Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um Salvador, que é o Cristo Senhor.”

A liturgia desta noite fala-nos de um Deus que ama incondicionalmente a humanidade e não a deixa perdida em meio às trevas do pecado ou abandonada a percorrer caminhos de desolação e de morte. Ele envia “um menino” para oferecer plena vida e liberdade. Esse menino é “a luz” para aqueles que, cansados de perambular pelas trevas, desejam, enfim, descansar junto à misericórdia divina.

Na Primeira Leitura, o profeta Isaías anuncia a chegada de “um menino”, da descendência de David, uma vida que será dom de Deus ao seu Povo. Esse “menino” eliminará a guerra, o ódio, o sofrimento e inaugurará uma era de alegria, de felicidade, pois Ele é o Príncipe da Paz.

O Evangelho apresenta a realização da promessa profética: Jesus, o menino que nasceu na manjedoura de Belém, é o Deus que vem ao encontro dos homens para lhes oferecer – sobretudo aos pobres – a salvação. A Encarnação de Deus é o mais sublime mistério. Não somos capazes de compreender como o Criador assume a natureza da criatura. Nosso orgulho nos impede de entender a humildade de Deus, mas a razão de tudo isso é o amor divino: um amor que é graça, generosidade, desejo de proximidade e que não hesita em se doar e em se sacrificar por suas amadas criaturas. Em Jesus, a humanidade tem, de novo, a graça de caminhar ao lado de Deus como outrora Adão e Eva o fizeram no paraíso. A proposta que Ele traz não será imposta pela força, mas oferecida com ternura e amor.

Na Segunda Leitura, São Paulo lembra ao seu amigo missionário Tito – e a nós – as razões pelas quais devemos viver uma vida autêntica, comprometida com o Evangelho, porque Deus nos ama verdadeira e infinitamente; porque este mundo não é a nossa morada permanente e os seus valores são passageiros e porque, redimidos pela Graça divina, devemos ser comprometidos e identificados com o este mistério de Amor, realizando as obras d’Ele.

A radicalidade do amor de Deus, manifestado no acontecimento do Natal, lembra-nos que a lógica de Deus não é a lógica dos homens. A Salvação não nos vem pela força devastadora das armas, vem pela fragilidade de uma criança. A salvação de Deus não se manifesta nos encontros políticos, onde aqueles que pensam ser os donos do mundo decidem o destino dos seres humanos; não se revela nos salões onde estão as pompas, vanglórias e aplausos, mas numa gruta para qual acorrem pastores desesperançados, guiados por uma estrela rara. Lá, encontraram a esperança viva, brilhando na fragilidade, na dependência, na ternura e na simplicidade de um bebé recém-nascido.

No dia de Natal, a humanidade inteira recebe o maior de todos os presentes: o Filho de Deus que se torna um de nós, que quis nascer em tudo igual a nós (menos no pecado) e que prova nossas limitações e a alegria de amar. A grande novidade do Natal é que o Menino recém-nascido vem como Libertador e Salvador, vem como mensageiro da paz e do amor para todos nós.

A alegria do Santo Natal deve permanecer diariamente, pois Deus se fez carne e habitou entre nós. A boa notícia do nascimento de Jesus é atual e precisa ser ouvida e acolhida se quisermos um mundo de paz.  É uma notícia que vem trazer-nos coragem e a certeza de que nossa salvação chegou através da simplicidade de uma criança.

Padre Paulo Sérgio Silva

Pároco da Paróquia São Sebastião, em Mangabeira, distrito de Lavras-CE

Posts Relacionados

Facebook

Instagram

Últimos Posts