Há um século e meio a Capela São João Batista marca o caminho espiritual e a vida da comunidade Brejinho, localizada na zona rural, território da Paróquia São Vicente de Paulo, em Barbalha. É a mais antiga do município.
A devoção consta no “Diário Oficial da Vila do Ceará” como um “fato religioso”. Mas para os moradores católicos é milagre a ser propagado por gerações.
Em julho de 1868, um surto de cólera acometeu vários estados do Nordeste, entre eles o Ceará e, precisamente, a região dos Cariris Novos, que abrangia as cidades de Missão Velha, Barbalha, Jardim e Crato, causando a morte de milhares de pessoas, tanto do campo quanto da cidade. Foi quando uma piedosa senhora, Maria Pereira, prometeu a São João Batista, o “precursor” de Jesus: se o mal não chegasse ao sítio Brejinho, nem matasse nenhum de seus moradores, ela celebraria, todos os anos, uma novena.
Com a prece atendida, os moradores logo creram se tratar de um milagre. No ano seguinte, do dia 15 ao dia 24 de junho, Maria Pereira reuniu a família e os vizinhos, em agradecimento ao Senhor, que os valeu por intermédio de São João Batista.
Da devoção, foi erguida a capela. À época, ainda em chão batido, com taipa e palhas de palmeiras. Por ter apenas uma porta, ganhou o apelido carinhoso de “quartinho de oração” ou capelinha de São João.
O “quartinho”, no entanto, foi alargado. Ainda hoje conserva algumas características arquitetônicas daquele período, como a cruz na ponta da torre e a inscrição de uma estrelas nas laterais.
Ação de graças
Para celebrar essa data tão cheia de significados e memórias, o conselho comunitário fez um pedido especial ao pároco, Padre Edivaldo Marques: ter a presença do pastor diocesano, Dom Gilberto Pastana. E prontamente foi atendida.
“É dia histórico! Então quisemos unir estes dois acontecimentos: a festa do padroeiro e os 150 anos da capela, com a presença de nosso bispo. É para celebrar a vida e a comunidade com essa característica junina”, explicou Padre marques.
A cerimônia de boas-vindas aconteceu na entrada do sítio, com faixas, fogos e banda de música: Os Batutas do Rosário. Aí foi rezada a 7ª noite da novena. Depois, guiados pelo bispo e pelo pároco, os fiéis devotos seguiram em cortejo com a imagem do padroeiro até a capela. Aí chegando, celebraram com oração e louvor, os 150 anos de fundação do pequeno templo.
Na homilia, Dom Gilberto disse estar feliz em encontrar-se com a comunidade, por ocasião de data tão significativa. E lembrou a todos a importância de se manterem sempre unidos, na oração e no trabalho, afastando qualquer sentimento que atrapalhe a vida em comunidade, como o individualismo.
E como se já soubessem da orientação, levaram ao Senhor, no ofertório, o sacrifício de seus trabalhos na agricultura familiar: frutas, legumes e até uma macaxeira de 1,50 m e 45 kg. E ao fim da celebração, unidos as vozes e os corações, entoaram o hino jubilar: “150 anos de fé e tradição, com São João Batista seguimos na missão…”.
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