Solene, mas silenciosa. A Sexta-feira Santa é o único dia no ano em que não é rezada Missa, mas há uma celebração com a distribuição da Comunhão, a chamada “ação litúrgica”. Esta começa em silêncio e assim procede até o fim, composta em três partes: liturgia da palavra, adoração da cruz e sagrada comunhão.
Na Sé Catedral de Crato, o ambiente estava sóbrio, com o altar desnudo. Apenas um pano, na cor preta, tecido de cima abaixo, foi posto no altar mor, cobrindo a imagem da Mãe da Penha. A Virgem Santa estava em luto. A Igreja, também.
Em comunhão com as demais paróquias do mundo inteiro, a solenidade foi realizada pontualmente às três da tarde, hora em que Cristo “deu-nos vida por Sua morte”.
O cortejo processional adentrou à Igreja em silêncio. Trajando casula vermelha, o bispo dom Gilberto Pastana presidiu a cerimônia. Com ele concelebraram os padres Rocildo Alves Lima Filho (Chanceler da Cúria Diocesana), José Vicente Pinto (cura da Catedral), Monsenhor Bosco Cartaxo (reitor do Santuário Eucarístico Diocesano) e Francisco Roserlândio (diretor do Departamento Histórico da Diocese). Eles também usavam vermelho, para lembrar o martírio de Cristo. Após o cortejo, todos prostraram-se ao chão, em sinal de profundo despojamento e pesar. O gesto é reservado aos ministros ordenados, porque os remete ao dia da ordenação.
O anúncio do Evangelho (Jo 18,1-19,42) foi solenemente cantado, sob o coro afinado da SCAC (da Sociedade de Cultura Artística do Crato).
“Que realidade, que consequência a morte traz para nossa vida? Jesus deu a vida por todos nós, mas como nós nos envolvemos nessa morte, no nosso dia a dia?”, questionou dom Gilberto ao iniciar a homilia. Recordando os passos da via dolorosa que ainda hoje se repetem, afirmou: “Nos continuamos crucificando Jesus quando não dignificamos, nem sacramentamos a vida”. Depois, convidou a assembleia a meditar sobre os personagens da Paixão de Jesus: “Nós somos Cirineu, Verônica, Maria, João ou um membro daquela mutirão? A história continua – e os atores somos nós!”.
Beijo da Cruz
Concluída a Oração Universal, uma cruz, coberta com um véu vermelho, foi preparada para adoração e o beijo devocional (beijo da Cruz), momento de profunda contrição para os fiéis, que dela se aproximaram com grande piedade. O rito foi acompanhado com cânticos penitenciais, intercalados à recitação do Terço da Misericórdia.
Depois da comunhão procedeu-se à desnudação do altar, deixando a cruz, utilizada na adoração, ao lado, com dois castiçais. Após a celebração, os fiéis ainda participaram da procissão do Senhor Morto, que saiu do Seminário em direção à Sé.
Para os que não participaram da solene ação litúrgica, a cruz permanece na Catedral, para a veneração pública. A imagem do Senhor dos Passos e de Nossa Senhora das Dores, também. Ambas estão localizadas na lateral da igreja, próximo à Porta Santa.
Neste sábado, a Catedral inicia a “Vigília Pascoal” a partir das dez da noite. É recomendado aos fiéis que tragam velas, para, junto ao bispo e seus colaboradores, celebrarem a “noite da Luz”.
Texto: Patrícia Mirelly
Fotos: Jornalista Patrícia Silva















