#NaTrilhaDaJuventude: Poucos os operários*

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Domingo, 11º do Tempo Comum. Preparamo-nos desde casa para a Celebração que, posso adivinhar, terão canções que falarão de vocação e entrega. Claro, a liturgia convida a este tipo de reflexão. A minha canção preferida sobre este Evangelho é “Oração pela Messe”, do Padre Zezinho: “Poucos os operários, poucos trabalhadores e a fome do povo aumenta mais e mais, és o Senhor da Messe, ouve essa nossa prece, põe sangue novo nas veias da tua Igreja”… E por aí vai.

Não há nenhuma canção mais tocante do que essa que possa significar e nos ajudar a refletir sobre o que Jesus nos apresenta a partir de suas atitudes. Convido você a ler mais uma vez o Evangelho antes de continuar a ler este texto, prestando bastante atenção nas atitudes e sentimentos de Jesus. Leu? Então, sigamos!

São estes os aspectos que nos ajudarão nessa reflexão: ver, sentir, perceber, chamar e enviar. Vamos observar tudo isso a partir da perspectiva dos jovens daqueles que estão “fora”, do sangue novo… Poderemos assim examinar o próprio caminho, o caminho de quem já tem certa experiência, e sendo você jovem ou não, vai poder se perceber como está no caminho de seguimento das propostas do Mestre.

Jesus é um homem extremamente sensível, reza com os sentidos e a partir daquilo que o atinge, demonstra com o olhar a que veio, para quem veio e quais as coisas que lhe atraem.
Jesus vê! Vê um povo cansado, abatido, sofrido, com fome, sem pastor, sem referência, verdadeiras ovelhas sem cuidado. É muito comum andar e visitar os grupos de jovens – de Igreja ou não – e perceber, simplesmente, com o olhar, que o que falta a estes é uma referência, alguém que, com um pouco mais de experiência na vida, possa orientar sem tirar o protagonismo juvenil e nem a identidade de ovelha que lhe cabe. Falta liderança, falta iniciativa e liberdade. Ovelhas sem pastor…

Jesus sente compaixão! Compadecer-se exige de nós uma saída de si. É mais comum perceber este sentimento de compaixão nas mulheres, principalmente nas mães. Jesus, ao sentir compaixão tem uma atitude materna. Ele traz aquela realidade, que o impressiona visualmente, para o coração. Podemos chamar também de empatia. Colocar-se no lugar e sentir a dor do outro. Imaginemos as mães e os pais que sofrem por seus filhos jovens, muitas vezes sem perspectiva de emprego, de uma faculdade, outros envolvidos no tráfico… Destes, geralmente é mais difícil sentir compaixão, ainda mais se não for nosso parente. Pensemos!

Jesus percebe as necessidades! O diferencial de Jesus é que ao ver e sentir o que sentiu, não fica de braços cruzados, vê as necessidades! Precisa-se de mais pessoas, mais gente comprometida com o Reino, não no aspecto devocional, mas verdadeiramente procurando soluções e colocando a mão na massa! Falta compromisso, o que se torna sempre uma desculpa clichê quando o assunto é a participação dos jovens nas Paróquias e Comunidades… Jesus teria percebido isso facilmente se tivesse vivido nas nossas realidades Paroquiais, mas ele não ficaria parado, tentaria entender as causas e procuraria soluções.

Jesus Chama! Quando Jesus chama alguém – vemos isso nos Evangelhos – ele já tem presente a realidade da pessoa, sabe o que se passa na vida dela, conhece sua história, chama pelo nome. Quantos jovens da sua comunidade e do seu bairro você conhece pelo nome? A quantos você já convidou para ter alguma participação efetiva na comunidade? A quantos você já deu oportunidade de colocar seus dons a serviço? A quantos?

Jesus envia! Para que alguém seja enviado por outro alguém a uma missão, é necessário confiança, afinal, você envia em seu próprio nome para realizar algo que você mesmo gostaria de fazer, você envia como se fosse a você mesmo. O envio é fruto de uma experiência e do desejo de ir ao encontro do outro. Exige preparação e relação.

É óbvio que, para aqueles que são de caminhada eclesial, é muito mais fácil pensar nesta característica do segmento, o envio. Mas pensemos: a quem estamos preparando para enviar depois de nós? Quantos novos líderes estão surgindo da missão que hoje nós realizamos?

Ser Igreja e seguir Jesus exige desprendimento desde o primeiro dia até o último. E este texto do Evangelho, onde ele praticamente implora que peçamos a Deus mais operários, nada mais é do que o seu desejo profundo de que nós, que estamos no caminho, preparemos e convidemos novas pessoas para assumir junto a responsabilidade de propagar a sua mensagem.

Aqui, no desejo de Jesus “Pedi ao Senhor da messe”, não há lugar para poder ou carreirismo. O que ele nos pede é que acreditemos uns nos outros, principalmente no jovem chamado a assumir o Seu projeto e exercitar o olhar, a sensibilidade, a percepção das necessidades ao seu redor.

Afinal, é tudo nosso! A messe é nossa! A Terra é nossa, a vida é nossa… E nos foi entregue para ser cuidada. Essa é a nossa vocação!

E como canta ainda o Padre Zezinho, cantemos também nós: “És o Senhor da messe, ouve essa nossa prece, põe sangue novo nas veias da tua Igreja!”.

*Ir. Gizele Barbosa, é religiosa, da Congregação Filhas de São Paulo (Irmãs Paulinas), fsp.

 

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