A consternação pelo falecimento do Prof. Plácido Cidade Nuvens tem sido demonstrada por muitos e em muitos meios. A Diocese do Crato sente especialmente esta dor, em se tratando de um filho desta igreja local que desde sua infância, sob a influência do Padre Cristiano Coelho, vigário de Santana do Cariri, preparou-se para o serviço da comunidade, inicialmente na perspectiva do ministério sacerdotal e, depois, já concluído em Roma toda sua formação eclesiástica, na opção de dedicação à causa política, social e humanitária, numa militância multifacetada de leigo e cristão que Dom Vicente soube apoiar e estimular.
Em 1957, Plácido ingressou no Seminário São José. Desde então conservou-se em relação com sua Diocese. Foi um seminarista próximo do seu bispo que o mandou cursar teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana, formando na época um grupo de cinco futuros padres, para o Crato.
Plácido percebeu que muito lhe valeria uma formação na área de ciências sociais no que foi atendido por Dom Vicente que o estimulou a se formar nesta área.
A professora Edith Menezes de Oliveira descreveu, por ocasião da concessão do título de Doutor Honoris Causa pela Urca ao Prof. Dr. Plácido Cide Nuvens, o envolvimento deste com a Diocese de Crato, particularmente com a Fundação Padre Ibiapina:
Da Europa, “Plácido retorna ao Brasil em dezembro de 1973. Em janeiro de 1974 passa a trabalhar na Diocese do Crato, precisamente na Fundação Padre Ibiapina – FPI, instituição criada por Dom Vicente de Paulo Araújo Matos, então bispo Diocesano. Nesta instituição, a contribuição maior consistiu em dar fundamentação filosófica e teológica a ação de Promoção Humana desenvolvida pela FPI. A ação se voltava para a quebra do isolamento cultural das comunidades do interior dos municípios da Diocese do Crato, além de criar condições para despertar o trabalhador rural para ir buscar a organização da categoria em sindicatos. A Promoção Humana tinha por lema: “O homem todo e todos os homens”. Ele trabalhou na Fundação durante dez anos, dando incansável suporte teológico, filosófico e também científico. Um ponto que não posso deixar de ressaltar da sua atuação na Coordenação Colegiada foi a criação de um setor que expressa, entre outras coisas: sua preocupação com a memória regional e da instituição, a valorização dos talentos regionais e sua ampla divulgação, a preocupação com as riquezas naturais e, por fim, a qualificação continuada de todos aqueles que faziam a Fundação Padre Ibiapina. O setor recebeu o nome de Centro de Estudos, Documentação e Pesquisa – CENDEP, onde ele foi coordenador durante vários anos.”
E lembrou que entre as diversas iniciativas de Plácido na FPI, merecem registro a publicação do livro “Cante lá que eu canto cá”, de Patativa do Assaré, em coedição com a Editora Vozes. Coube ao CENDEP a divulgação do livro, e que tomou uma dimensão tão ampla que chegou a ultrapassar as fronteiras nacionais.
O atual Departamento Histórico Diocesano Padre Gomes – da Diocese de Crato – tem sua história ligada às ações do CENDEP, e portanto, à figura e ação de Prof. Plácido. Este colaborou com pesquisas, orientações, partilha de experiências.
Professor Plácido foi professor de muitos padres de nossa Diocese, sendo igualmente membro da Associação dos Ex-alunos do Seminário São José – ADSUM, ocupando uma das vice-presidências, juntamente com o companheiro Tibúrcio Bezerra.
Exerceu por dois mandatos a Prefeitura Municipal de sua terra como quem tivesse atingido a meta para a qual se preparara desde a infância: era sua paróquia. E alí plantou uma árvore frondosa: o Museu de Arqueologia de que toda a Região se orgulha. Foi Reitor da Universidade Regional que ajudou a criar.
A Diocese do Crato bendiz ao Senhor pela trajetória de vida deste seu filho em cuja história percebe a realização de uma vocação para o serviço dos irmãos e da sociedade.





