HOMILIA DO 2º DOMINGO DO ADVENTO – ANO C

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CHAMADOS A VER A SALVAÇÃO QUE VEM DE DEUS

Esta é a voz daquele que grita no deserto: ‘preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas’. […] E todas pessoas verão a salvação de Deus

            A Palavra de Deus proclamada neste domingo possui dois propósitos que estão unidos: apresentar o ministério de João Batista e também o de Jesus. Através da figura João Batista, último dos profetas e precursor do Messias, nos convida a refletir sobre a missão profética. Somos assim atingidos por um vigoroso grito em forma de apelo à conversão e à renovação da nossa espiritualidade. Convidados a “aplainar ou planear” as montanhas do orgulho e autossuficiência que impedem o coração humano de acolher e colher os frutos da salvação que vem de Deus. É preciso entender que ser profeta é uma missão feita a todos os batizados e pessoas de boa vontade, afinal se todos foram redimidos por Jesus Cristo, todos são igualmente chamados a dar testemunho da salvação/libertação que Ele realizou.

            Na primeira leitura (Br.5,1-9), o profeta Baruc conduzido pelo Espírito de Deus, proclama o convite à conversão feito a cidade de Jerusalém para que todos renovem o coração e mentalidade. A cidade de Jerusalém é convidada a recuperar a esperança e ânimo porque o Senhor restaurará sua beleza e glória de outrora. Ele indica ao povo de Israel que este caminho de conversão deve ser vivido como um novo e verdadeiro êxodo que se percorrido sabiamente os fará passar da terra da escravidão do pecado para a terra da felicidade, liberdade e vida em plenitude. Assim também deve ser vivido este tempo do Advento. Durante esta peregrinação espiritual de quatro semanas, somos convidados a abandonar as algemas que nos impedem de acolher e viver a proposta libertadora que Deus nos faz. Como uma família que se regozija pelo nascimento do seu filho, somos convidados a viver este tempo numa serena alegria, que é fruto da confiança em Deus que – apesar da nossa debilidade e fragilidade – está sempre nos apresentando sua proposta de salvação.

            Na segunda leitura (Fl. 1,4-6.8-11), São Paulo, com sentimentos de ternura e paterna nostalgia, recorda aos Filipenses que a verdadeira comunidade deve viver sua missão profética através do anúncio do Evangelho, e que neste anúncio está implícito também a prática de ações concretas e o testemunho da Caridade que manifesta a solidariedade para com todos os necessitados. A solidariedade e a partilha são sinais de que a comunidade decididamente abraçou a fé em Jesus Cristo. Todavia, para que a comunidade possa permanecer pura e irrepreensível enquanto aguarda o dia do retorno do Senhor, deve acabar com as divisões e os conflitos que impedem o anúncio do Evangelho. Assim ela dará testemunho do Senhor que vem.

            O Evangelho (Lc. 3,1-6) apresenta-nos o profeta João Batista, que exorta a humanidade a uma radical transformação que atinja tanto nossa forma de pensar e de agir, quanto aos valores e às prioridades da nossa vida cotidiana. A missão do último dos profetas é preparar a humanidade para viver um tempo de consolação, mas que exige também conversão. O batismo de penitência pregado e praticado por ele é sinal dessa necessária mudança do coração para que todos possam, livre e disponivelmente, acolher o tempo de salvação, que alcançou sua plenitude com a presença de Jesus, o Messias enviado de Deus.

            Os cristãos possuem missão semelhante à de João Batista, isto é: anunciar o Jesus Cristo e preparar a humanidade para acolher a sua Boa Nova do Reino de Deus. Pelo Espírito Santo que nos foi dado no Batismo e confirmado na Crisma, fomos constituídos profetas anunciadores do Reino. Todavia, é preciso lembrar que temos como missão não apenas anunciar a necessidade de conversão, mas nós mesmo vivermos esta conversão transformadora deixando para trás toda forma de egoísmo, individualismo, dominação, injustiça e violência que tanto ferem a dignidade humana. Afinal, preparar o caminho de Deus significa em última instância, redirecionar nossa vida para sua Graça de modo que seu amor e sua vontade se tornem o centro de nosso coração, tornando-se a prioridade essencial em nossa vida. Assim toda humanidade poderá ver a salvação que vem de Deus.

Pe. Paulo Sérgio Silva.

Diocese de Crato.

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