Ao lançar a Encíclica “Laudato Si”, num momento-chave para o planeta, o Papa Francisco suscitou, na Conferência Geral dos Bispos do Brasil, CNBB, uma Campanha da Fraternidade Ecumênica (que inclui não católicos e pessoas de outras religiões) sobre a urgência em cuidar da “casa comum”, isto é, a proteção do planeta, com ações concretas para frear as mazelas que atingem, sobretudo, as comunidades mais pobres, como o saneamento ambiental, por exemplo.
É confiando neste importante momento para a história da Igreja, nas ações dedicadas à ecologia e à defesa do meio ambiente e da “mãe Terra”, que o Ministério Público do Estado do Ceará, sob a orientação da promotora de justiça Jacqueline Faustino, divulgou, na manhã desta terça-feira, dia 05, nas cidades de Barbalha e Milagres, a campanha “Mais Saneamento, Menos Mosquito”, numa parceria com a Comissão de Justiça e Paz da Diocese de Crato. A intenção é fazer ecoar na população a urgência em reter a proliferação do mosquito aedes aegypti a partir do melhoramento das condições de saneamento ambiental, bem como a divulgação das medidas a serem adotadas pelo MP para conscientizar e fiscalizar a atuação no combate ao transmissor da dengue, zica e chikungunya.
“A instituição Igreja, para nós, nesse momento da Campanha Ecumênica da Fraternidade, representa muito bem um parceiro, um colaborador de divulgação desse nosso projeto”, disse a promotora, que vê na Igreja uma “capilaridade” que nenhuma outra instituição possui: o engajamento e o envolvimento dos diversos movimentos e pastorais sociais. Além disso, explica, nos momentos de pregações, tem espaço para incutir princípios de cuidados e responsabilidades aos fiéis. “Neste momento, está desenvolvendo um trabalho muito próximo. A única distinção, talvez, seria na perspectiva do olhar. Enquanto a Igreja tem uma perspectiva ética cristã, o Ministério Público tem uma perspectiva ética jurídica, mas que não se afastam. É, apenas, a complementação dos trabalhos, em que o principal beneficiado é a população”, afirma Faustino.

O grande desafio, no entanto, está no que chamou de “compromisso moral”, levar à sociedade a compreensão de que a responsabilidade e o cuidado (dos bens comuns) são compromissos que recaem sobre todos. “Nós precisamo inverter essa lógica de que ‘não pertence a ninguém’. Na realidade, quando eu cuido do que é público, do bem comum, eu estou cuidando de algo que pertence a todos: a mim, aos meus filhos, aos meus netos, aos meus vizinhos, aos meus amigos e, também, aos meus inimigos. Isto é a consciência que nós temos que trabalhar na nossa população”, orientou.
O mesmo pensamento foi compartilhado pelo coordenador diocesano de Pastoral, Padre Vileci Vidal, mediador do encontro, que, em sua fala de abertura, citou uma “crise de utopia” como ameaça à promoção de ações para melhorar o ambiente.

No encontro, estava presente também a represente da Secretaria de Cidades do Estado, Marcella Facó, que orientou à plateia, formada por associações, agentes comunitários, comunidades, escolas e pastorais da Igreja, quanto ao uso adequado da água, utilizando cloro para evitar a proliferação de bactérias, por exemplo, além do manejo adequado das cisternas. Participaram do evento, aindo, o representante da Agência Reguladora do Ceará (ARCE) e Expedito Galba Batista, da Companhia de Águas do Ceará (Cagece). Outros dois encontros devem acontecer nesta quarta-feira, dia 06, no auditório da Cúria Diocesana, em Crato, e em Juazeiro do Norte, no auditório Dom Pires, nas imediações da Basílica de Nossa Senhora das Dores.






