“Que sempre nos dê os olhos da luz”: Comunidade Passagem de Pedra, em Missão Velha, celebra 100 anos de devoção à Santa Luzia

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Localizada há cerca de oito quilômetros da cidade de Missão Velha, o sítio Passagem de Pedra é conhecida pela forte devoção a Santa Luzia, “protetora da visão”. Embora a capela dedicada à santa tenha apenas 26 anos de criação, a devoção a santa é centenária. O que começou como o cumprimento de uma promessa, feito por um casal de oleiros, se espalhou e hoje é tradição.

Para celebrar esta dada jubilar, Dom Gilberto fez uma surpresa à comunidade, chegando para presidir a Santa Missa de encerramento do novenário. “Cem anos é cem anos! É uma data importante, e eu tinha que me fazer presente!”, disse o bispo diocesano ao chegar ao local. A Santa Missa foi concelebrada pelo pároco de Missão Velha, o Padre Antônio Luís.

Ao ver o bispo diocesano chegar, os moradores que aguardavam para participar da celebração ficaram surpresos, e logo começou o falatório: “Olha, é o bispo!”, diziam uns aos outros. O sentimento foi de entusiasmo e grande alegria, como expressou a aposentada Maria Amaro, de 89 anos. “Ave Maria, foi uma surpresa muito boa. Eu estou com uma felicidade tão grande em ver o nosso bispo. Queria muito conhecê-lo. Foi Jesus que mandou”. Ela é a primeira neta do casal Antônio e Raimunda Amaro, que iniciaram a devoção. Além dela, duas filhas do casal ainda celebraram o dia jubilar, Angelina Amaro, de 91 anos, e Sebastiana Amaro, de 93 anos.

Em sua homilia, o bispo convidou a comunidade a voltar-se para o exemplo de sua padroeira, e assim como ela, ter os olhos fixos em Deus. “Santa Luzia, a vossa padroeira, na qual hoje celebramos os 100 anos de devoção, e dessa pequena imagem, é conhecida como padroeira da visão. Ela tinha os olhos muito bonitos e os consagrou totalmente a Deus. Por isso, hoje, nós devemos pedir a Santa Luzia que ela nos ensina a enxergar, a ver a Luz que é Jesus, para assim viver e dar testemunho do Senhor”, exortou.

Cem anos de devoção

Antônio Amaro dos Santos e Raimunda Amaro do Espírito Santo trabalhavam com olaria, em um sítio  Buriti, em Barbalha. No ano de 1919, enquanto confeccionava potes, “Sá Raimunda”, como era conhecida, na tentativa de espantar um sapo que havia no local, assustou o animal que, pulando em sua direção, jorrou um líquido em seus olhos, causando irritação e início de cegueira, deixando-a aflita.

Indo até Juazeiro do Norte, na companhia do esposo, foi conversar com o Padre Cicero Romão Batista. Ao ver a situação, o padre falou ao casal que ou fariam uma cirurgia no exterior, ou somente com uma grande graça conseguiria a cura da enfermidade. Voltando para casa, em meio ao sol causticante de meio-dia, pararam em baixo de uma árvore para descansar. Lá, de joelhos na terra quente, Raimunda suplicou a Santa Luzia que não a deixasse ficar cega, e que alcançando a graça ela rezaria a novena dedicada a santa.

E assim, dias depois a enfermidade foi cessando até que a oleira recuperou toda a visão. Como prometido, no ano seguinte, em 1920, junto à família, começou a devoção à protetora da visão. Mudando-se para a comunidade Passagem de Pedra, zona rural de Missão Velha, a tradição continuou, contagiando todos os moradores da pequena vila.

Cem anos depois, a pequena imagem de menos de 20 centímetros, adquira pelo casal no primeiro ano do novenário, ainda é venerada pela família Amaro e pelas mais de 200 famílias que vivem na Passagem de Pedra.

Por Jornalista Mychelle Santos / Assessoria de Comunicação

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