Minha história de amor com a Santíssima Virgem Maria, a quem chamo, carinhosamente, de “Senhora de Branco”, deu-se aos sete anos de idade.
Levado por minha avó materna, Cecilia Cordeiro (in memoriam), à Sé Catedral de Nossa Senhora da Penha, em Crato – CE, deparei-me com a imagem de uma bela senhora de branco, que, até então, desconhecia. Mas posso dizer, com muita sinceridade, que foi amor à primeira vista.
Sem saber de quem se tratava, fiquei diante daquela imagem, doce, serena e de uma beleza ímpar. Nascia ali minha inteira pertença à “Senhora Branca de Fátima” e uma relação de confiança que jamais imaginava. E todo ano, no mês de maio, mesmo ainda menino, sem entender muito das coisas, um fato sempre me chamou atenção: as senhoras, mulheres respeitadas de nossa cidade, usando somente roupas brancas. Aquilo me deixava admirado: como usar, durante 31 dias, peças de uma única cor? E logo branco, que suja com tanta facilidade? 
Aquele gesto me parecia tão nobre, que quis repeti-lo, embora não fosse comum entre crianças, menos ainda entre homens. Geralmente, as mulheres é que vestem branco e o fazem por alguma promessa feita. O mês de maio, no entanto, chegava e meu desejo era vestir branco como àquelas senhoras tão zelosas e devotas.
O tempo passou e fui amadurecendo na fé, estreitando minha intimidade com a Senhora de Branco. Entendi que também eu poderia prestar aquela homenagem. Foi quando, aos dezesseis anos, cheguei para minha mãe e disse: preciso que vá à escola falar com o diretor. Vou passar os próximos 31 dias usando somente roupa branca.
Minha mãe, a princípio, não compreendeu, mas apoiou a decisão. Não só foi à escola, falar com a direção, como providenciou mais roupas brancas. A direção autorizou e meu coração transbordou de felicidade. E naquele primeiro de maio de 2003, estava eu todo de branco como Àquela Senhora que vira na Catedral da Sé e por quem me fiz devoto.
Na escola, porém, virei motivo de chacota. Não era comum um rapaz, aos dezesseis anos, usar somente roupas brancas. Mas não me abalei. Ao contrário. Mantive os olhos ainda mais fitos n’Aquela que tanto me inspirou – e inspira. Em casa, cheguei a usar as roupas ainda um pouco molhadas. A lavagem precisava ser diária. Era da lavanderia para o corpo.
E já transcorreram dezessete anos depois disso. Fui destemido e quebrei os rótulos de que somente mulheres poderiam usar branco. Para devoção não há idade, nem sexo, nem cor, nem classe social. Enquanto vida eu tiver, estarei de branco para homenagear a “Senhora Branca de Fátima”.
Salve Maria!





