No domingo, dia 3 de novembro, a Igreja celebrou a Solenidade de Todos os Santos. Inspirados pelo sentido litúrgico desta festa, membros da Comunidade Boa Nova renderam graça a Deus também pelos sete anos de missão na diocese de Crato durante a missa celebrada na capela da Casa de Acolhimento Feminina, em Crato.
A celebração aconteceu no fim da manhã e foi presidida por dom Gilberto Pastana, sendo concelebrada pelo monsenhor João Bosco Cartaxo Esmeraldo e pelos padres José Eliomar Tavares Serafim e Joaquim Ivo Alves dos Santos.
Na homilia dom Gilberto agradeceu a dedicação dos missionários que atuam nesta casa e ressaltou que todas as pessoas são chamadas à santidade, dom de Deus. “Deus nos possibilita viver esta experiência da solidariedade, da comunhão, da participação e por isso nós somos marcados, mas essa marca começa com o batismo. No batismo recebemos a graça da santificação justamente para enfrentarmos os maus pensamentos, as más atitudes daqueles que vem apenas para destruir. A vida do santo é sempre uma vida lutadora não apenas de uma forma individual, mas comunitária. Ele luta por uma sociedade mais justa, por políticas públicas, por uma sociedade que não pense só no dinheiro. O santo tem que ser de Deus, fazer a vontade de Deus”, enfatizou.
Além de membros da comunidade local e dos missionários da instituição, a celebração também contou com a participação das acolhidas, ex-acolhidas, religiosas e membros da Pastoral da Sobriedade.
A manhã festiva foi concluída com um almoço comunitário na própria sede da instituição.
Testemunhos
Ao fim da missa, foram convidadas à frente do altar as mulheres que são atendidas pela Comunidade Boa Nova e também aquelas que passaram por lá e já retornaram às suas casas.
Hoje a casa acolhe doze mulheres que residem por um ano, tempo que dura o tratamento terapêutico. Uma delas é a Tatiane Garcia, de 22 anos. Ela é natural de Jardim e conheceu a obra de evangelização através de uma amiga que a convidou para participar do “Resgata-me”, evento promovido pela Fraternidade O Caminho. Depois de muita insistência aceitou participar do retiro e ingressar na vida de conversão residindo na Casa de Acolhimento da Comunidade Boa Nova. Há um mês para concluir o período de estadia na casa, ela conta que encontrou a felicidade verdadeira. “Hoje, graças a Boa Nova, tenho uma felicidade espiritual, que não passa. É essa felicidade quero ter pelo resto da vida”, disse.
Foi esta mesma felicidade que fez Luana Michele, de 26 anos, render graças a Deus naquela celebração. Ela foi acolhida pela comunidade em 2018, passou o ano de acompanhamento e há seis meses retornou à Trindade, cidade pernambucana onde mora. “Eu tinha uma vida totalmente desregrada. Perdi minha mãe com dezesseis anos. Tinha um marido e duas filhas, mas quando eu bebia me transformava, fazia muitas coisas erradas, traia meu marido, esquecia as crianças. Eu estava no fundo do poço e a Boa Nova fez eu ver que posso ser uma pessoa melhor. Queria desistir, mas aprendi que devo fazer a vontade de Deus acima de tudo. Agora estou aqui para ser serva de Deus”, testemunhou a ex- acolhida que agora é membro da Comunidade de Aliança presente em Triunfo.
Para Luana um dos maiores presentes que a comunidade lhe deu, além da aproximação com Deus, foi a restituição de sua família.
A Comunidade
A Comunidade Católica, de Aliança e Vida, Boa Nova, nasceu há 30 anos, em Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco, com a missão de acolher pessoas feridas pelo sofrimento da vida, cativas nas diversas dependências, espiritualmente enfermas e oprimidas, levando-as à cura interior, especialmente dos medos e da depressão.
Como o próprio nome diz, seus membros são chamados a ser uma Boa Notícia para o mundo e anunciar a Jesus Cristo. Hoje ela possui 14 Casas de Acolhimento, sendo 12 masculinas e 2 femininas, distribuídas nos estados de Pernambuco, Paraíba, Ceará, Rio Grande do Norte e Bahia.
Na Diocese de Crato ela foi inaugurada em 2012 como uma Casa de Acolhimento Masculina, mas a partir do sonho ousado da Irmã Regiane Farias, atual coordenadora da Casa, dois anos após sua inauguração o espaço foi transformado em uma Casa de Acolhimento Feminina, tornando-se a primeira da instituição (a segunda Casa Feminina está presente em Mossoró, no Rio Grande do Norte).
“Acolhemos pessoas que vêm da realidade de droga e álcool. Somos uma comunidade de anúncio onde, dentro deste anúncio, fazemos o trabalho de recuperação com estas pessoas. Aqui acolhemos as mulheres com seus filhos, porque a maioria vem com eles é tanto que hoje estamos com doze mulheres e nove crianças. Ano passado passaram por aqui 70 meninas e, este ano, já foram mais de 100. Ficamos felizes quando vemos que elas se recuperam”, falou a coordenadora.
Três pilares norteiam o tratamento nesta Comunidade Terapêutica: Oração, Trabalho e Vida Fraterna.
A casa é mantida através de doações como alimentos perecíveis e não perecíveis, materiais de limpeza e higiene pessoais. Para contribuir é só entrar em contato através do telefone (88) 98121-4159 ou ir até a Casa de Acolhimento que fica no Sítio Boa Vista, após a Escola Agrícola, em Crato- CE.
Por: Jornalista Patrícia Silva- DRT 3815/CE

















