6º Domingo da Páscoa: Permanecer no Amor Cristo para ser presença divina no mundo

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HOMILIA DO 6º DOMINGO DA PÁSCOA – ANO B

Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor”.

Continuando a catequese pascal que visa fortalecer nossa união e pertença a Jesus Cristo, a liturgia do Domingo nos convida a contemplar o amor de Deus manifestado na pessoa, nas palavras e nas ações de Jesus presente na vida da humanidade pela ação dos seus discípulos.

A Primeira Leitura nos ensina que a salvação oferecida por Deus através do seu Filho Unigênito, Jesus Cristo, – e levada ao mundo pelos discípulos – destina-se não a um grupo privilegiado ou seita, mas a toda humanidade, sem exceção. Deus, em seu infinito amor, não pertence a uma raça ou a um determinado grupo social, por isso a condição decisiva para pertencer ao seu Reino é a disponibilidade em acolher a oferta salvífica que Ele faz. Com a manifestação do Espírito Santo e a decisão de Pedro de batizar o centurião Cornélio e sua família, a comunidade cristã expressa sua compreensão de que a salvação, oferecida por Deus e entregue por Cristo, não era um patrimônio dos judeus ou dos cristãos, mas um dom oferecido a todos que permanecem com o coração dócil à benfazeja Graça de Deus.

A Segunda Leitura, aprofundando a imagem da benevolente graça divina, apresenta uma das mais profundas definições: “Deus é amor”. A encarnação do Verbo Divino e a sua morte na cruz revelam a infinita grandeza do amor do Pai pela humanidade. Para São João, ser “filho de Deus” e “conhecer a Deus” são frutos de uma transformação que acontece quando nos deixamos envolver pela dinâmica do amor divino e nos tornarmos manifestação concreta deste Amor amando os irmãos e irmãs.

No Evangelho, Jesus define o caminho que os discípulos devem percorrer para serem transformados pelo amor de Deus: Viverem o mandamento do Amor. O amor partilhado é a condição para permanecer unido a Jesus e para dar frutos de salvação. Os discípulos são os “amigos” que conheceram o amor do Pai revelado por Jesus Cristo. Assim sendo, a missão da comunidade cristã é testemunhar o amor de Deus à humanidade. Através desse testemunho, o projeto salvador de Deus será concluído e nascerá uma Nova Humanidade. Para São João, o verbo “Permanecer” (do grego – méno; utilizado 40 vezes no seu Evangelho) é de suma importância para a compreensão da indissolúvel união existente entre Cristo e sua Comunidade. O discipulado não é baseado em uma união meramente moral. Trata-se de uma união vital, que gera vida espiritual naquele que crê. No Batismo, tornamo-nos “outros cristos”, pois a vida de Cristo passa a ser gerada em nós. Em cada Eucaristia, comungamos do seu Corpo e Sangue. Nossa vida é unida à Sua vida, vida divina que deve transbordar para a humanidade através de nós. De modo espiritual e sacramental, isso é um fato. Mas como isso transborda e se realiza em nosso dia a dia? É uma pergunta que não deve ser respondida de uma só vez. Essa é uma reflexão para todos os dias e para toda a vida.

Assim como no Evangelho do domingo passado, Jesus Cristo nos oferece o critério para sabermos se estamos ou não permanecendo n’Ele e com Ele: se guardamos ou não seus mandamentos, ou seja, se vivemos ou não praticando a sua Palavra. E ao mesmo tempo, Ele nos oferece a confirmação de que permanece conosco: o Espírito Santo que d’Ele recebemos derramado em nossos corações.

Pe. Paulo Sérgio Silva

Paróquia Nossa Senhora da Conceição – Farias Brito

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