4º Domingo da Páscoa: Conduzidos a Deus pelo Bom Pastor

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HOMILIA DO 4º DOMINGO DA PÁSCOA – ANO B

CONDUZIDOS A DEUS PELO BOM PASTOR

“Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem.”

Depois de apresentar Jesus Cristo como a Misericórdia Divina encarnada, a liturgia da Palavra deste 4º Domingo da Páscoa o apresenta agora como Bom Pastor. Esse título nos indica que Ele é o modelo de sacerdote e guia para toda a humanidade. Significa reconhecer que Ele nos ama de forma incondicional a ponto de ser capaz de dar vida por nós. Aos fiéis redimidos pela ressurreição, para pertencer ao seu rebanho, é preciso permanecer na disponibilidade para escutar a sua Palavra e segui-lo no caminho do amor e da doação total.

Na Primeira Leitura, a comunidade cristã, através do testemunho de Pedro, ao afirmar Jesus Cristo como único salvador, reconhece-o como seu pastor e guia que nos conduz em direção à verdadeira vida. Diante da perseguição, a comunidade precisa decidir se irá calar o anúncio do Evangelho, por ordem dos líderes e anciãos, ou permanecer fiel a Jesus Cristo. Assim, Lucas, autor do Atos dos Apóstolos, ensina a não nos deixar iludir por outras figuras, por outros caminhos, por outras sugestões que nos apresentam propostas falsas de salvação. Pedro compara a insensatez dos que rejeitam o evangelho de Jesus à cegueira de um construtor que rejeita uma pedra, que vem depois a ser aproveitada por outro construtor, como pedra principal num outro edifício forte e inabalável.

Na Segunda Leitura, São João convida-nos a contemplar o amor do Bom Pastor por toda a humanidade. Amando-nos com um amor imensurável, Deus se esmera em levar-nos a superar a nossa condição de fragilidade. Na missão do seu Filho Unigênito, Deus revela que o seu objetivo é integrar-nos à sua família e tornar-nos “semelhantes” a Ele pelo chamado à Santidade. A filiação divina é uma realidade que nos atinge no dia do nosso batismo e acompanha-nos ao longo da peregrinação por esta terra e que implica uma vida de coerência com as obras e as propostas de Deus. Todavia, somente no céu, conheceremos e compreenderemos a sua realização plena.

Cientes de nossas debilidades, precisamos confiar nossa vida e história aos cuidados Daquele que é capaz de nos proteger e guiar, ao ponto de “se entregar a si mesmo para dar a vida às suas ovelhas”. Eis o que distingue o bom e verdadeiro pastor do pastor mercenário: é a atitude diante do “lobo” (aqui simbolizando tudo o que põe em perigo a vida das ovelhas: a corrupção, a injustiça, a violência, o pecado, o ódio do mundo).

O pastor mercenário é contratado por dinheiro. O rebanho não é dele. Ele ama o dinheiro, não as ovelhas que lhe foram confiadas. Apenas cumpre o seu contrato e foge quando percebe o perigo para ele e para seus interesses pessoais. O verdadeiro pastor é aquele cuja fonte do serviço é o amor e não o dinheiro. Ele não vive para cumprir um contrato, mas para que as ovelhas tenham vida em abundância. O bem das ovelhas é a sua prioridade vital. Por isso, arrisca tudo em favor do rebanho e está disposto a dar a própria vida por essas ovelhas.

Quem gasta a vida servindo à vontade de Deus, não perde; está construindo o mundo e o caminho da vida eterna e verdadeira. Sua doação não termina em fracasso, mas em glorificação. Para quem ama, a morte não dá a última palavra, pois o amor gera vida verdadeira e definitiva.

O nosso “Pastor” é, de fato, Jesus Cristo, ou temos outros “pastores” que nos arrastam por caminhos de pecado e interesses egoístas? Quem conduz e condiciona as nossas escolhas é Jesus Cristo? Ou é nosso político corrupto, o apresentador da televisão, o herói ou heroína da novela?

Pe. Paulo Sérgio Silva

Paróquia Nossa Senhora da Conceição – Farias Brito.

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