4° Domingo do Advento: Manifestemos nosso “sim” para a realização das promessas de Deus

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Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que significa: Deus está conosco”(Mt 1,23)

Amados irmãos e amadas irmãs!

            Aproximam-se os últimos dias da caminhada do Advento 2022. Esse tempo de espera ativa e fecunda, em preparação ao Natal do Senhor, proporcionou-nos forte experiência de vigilância, esperança, convicção e comprometimento na missão. Somos convidados a abandonar nossos planos individuais para aderir ao plano de salvação de Deus. Esse plano, anunciado já no Antigo Testamento, torna-se uma realidade concreta e plena com a Encarnação de Jesus.

            A primeira leitura (Is 7,10-14), apresenta-nos o diálogo entre o profeta Isaías e o rei Acaz. Em tempo de crise na fé e sofrimentos, o profeta sugere ao rei, que mediante a dúvida, peça um sinal a Deus. O rei recusa-se a ter tal atitude. Mas o profeta revela que Deus oferecerá livremente o maior sinal de todos: eis que enviará o tão esperado “Messias”. Enfim nascerá o Emanuel, que será concebido por uma virgem. À luz da experiência e da sua caminhada de fé as comunidades cristãs, compreenderam que Jesus Cristo – Filho de Deus e de Maria – é a realização plena da promessa que Deus fez a Davi e que foi perpetuada pelo anúncio dos profetas. Ao povo que clamava pela reconstrução do templo de Salomão, é revelado que a casa de Deus onde Ele habita entre a humanidade é o próprio Jesus mesmo. Ele é o Santuário da vida. Deus armou sua tenda entre nós para ser o verdadeiro templo acessível a todos que desejam a salvação. O coração humano é o templo onde Deus deseja habitar. E ao aceitarmos a sua divina presença em nós, Deus se torna o nosso Templo de Salvação.

Na segunda leitura (Rm 1,1-7), São Paulo, no início de sua Carta aos Romanos, convida os cristãos a não esquecerem o essencial em sua vocação de discípulos: anunciar a Boa Nova da Encarnação do Senhor para que a salvação advinda dela chegue ao conhecimento de toda a humanidade. Na conclusão desta carta, o Apóstolo chama a esse projeto de salvação (a Encarnação), preparado por Deus desde sempre, de o “Mistério”. No entanto, apesar de o nomear como mistério, ele recorda que não há mais nada escondido, pois a Encarnação de Jesus é a plenitude da revelação de Deus. É um mistério de amor e de grandeza imensurável, mas que, por misericórdia divina, foi revelado a todos, especialmente os corações humildes e simples que possuem a capacidade de acolhê-lo e colocá-lo em prática em cada momento da história. O Apóstolo proclama que a salvação se manifestou, em Jesus, a todos os povos, a fim de que a humanidade inteira se torne a família de Deus. E é esta a atitude e o testemunho que se espera dos discípulos e das comunidades cristãos ao redor do mundo; segundo o exemplo de Maria e José apresentados como modelos de disponibilidade no Evangelho, os cristãos devem abdicar dos seus projetos pessoais ou individuais para permanecerem inteiramente disponíveis a Deus afim de serem instrumentos para o anúncio da salvação.

O Evangelho (Mt 1,18-24) nos apresenta o relato dos acontecimentos posteriores ao momento em que Jesus se encarna na história, para nos trazer a salvação. Sem mencionar a presença divina Lucas, através dos fatos acontecidos entre o Anjo do Senhor e Maria e José, mostra a ação misteriosa de Deus conduzindo a história para a plenitude dos tempos (Gl 4,4).

O diálogo do anjo Gabriel com Maria e também com José, ensina-nos que a realização do projeto de Deus torna-se possível quando a humanidade aceita dizer “sim” a Deus, acolher Jesus e apresentá-Lo ao mundo. Deus age livremente e sem oferecer maiores explicações. Maria e José provavelmente já haviam feitos seus projetos de vida. Haviam planejado um casamento comum e uma vida tranquila. Deus entrou na vida dos noivos. Convidou Maria para ser a Mãe do Seu Filho e que a ação seria por conta do Espírito Santo. Maria, generosamente oferta o seu sim, sem exigir maiores explicações, mas apenas obedecendo a Deus e confiando em Seu amor.

José e Maria desempenham papéis essenciais de colaboradores do plano salvífico de Deus. Os dois, enquanto casal e sozinhos também, enfrentam desafios e obstáculos no percorrer da estrada da obra da salvação. José recebe dupla missão: acolher Maria e dar o nome à criança, o que significa tomá-la por filho. Ao fazer isto José permanece fiel a sua fé e Lei que pedia para o irmão acolher a viúva e os filho do irmão falecido, lhes dando o nome e a segurança necessárias. José se torna o último dos patriarcas. Como os sábios do Antigo Testamento, ele soube interpretar corretamente seus sonhos (Gn 37,5-11 / 40,5-15). Esta atitude é vista como um dom concedido por Deus aos que eram fiéis e justos. Maria, por sua vez, ao pronunciar seu Sim e gerar misteriosamente uma criança, abdica da boa imagem de moça zelosa e piedosa que provavelmente possuía dentro da comunidade Nazaré. Ela mesmo sabendo dos perigos que traria para ela e toda sua família, não oferece justificativas a nenhum daqueles que murmuravam diante da gravidez que começava a tornar-se pública, oferece sua inteira liberdade a vontade de Deus e conserva sua confiança em sua providência divina.

As vidas de José e de Maria foram totalmente mudadas por Deus. Porque Maria e José foram abertos à vontade de Deus, acolhendo as suas missões, a Humanidade abandonou o caminho da destruição e do mal e foi redimida. A salvação vem a nós pelo sim de Maria e de José. Hoje no tempo atual também muitos ainda dependem do nosso sim para que o anúncio do Evangelho chegue até eles. Em um mundo cada vez mais distante de Deus e mergulhado no egocentrismo, nós, cristãos, necessitamos urgentemente entender que ser discípulo de Jesus Cristo, sempre significará colocar incondicionalmente toda nossa vida a serviço da Igreja em sua missão de anunciar o Boa Nova da Salvação.

Diante do convite de Deus a missão, qual deve ser a nossa resposta?  Maria de Nazaré foi uma pessoa de oração e de fé, que fez a experiência do encontro com Deus e aprendeu a confiar totalmente n’Ele. Na agitação diária, encontramos tempo e disponibilidade para ouvir Deus, para viver em comunhão com Ele e perceber os seus sinais? Deixemo-nos tocar por Deus. Cabe a Ele conduzir Seu plano de amor para nós e para o mundo. Digamos como Maria, “Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Jo 1,14).

Como terra fecunda que germina vida ao receber o orvalho da manhã, bastou um coração aberto, para acolher o anúncio, para que se iniciasse o momento mais sublime da história da humanidade: “o Verbo de Deus se fez carne e veio habitar no meio de nós”.

Acompanhemos nossa Mãe Santíssima nos últimos dias de sua feliz espera rezando como no salmo 88: “Ó Senhor, eu cantarei eternamente o vosso Amor, de geração em geração em cantarei vossa Verdade.

Pe. Paulo Sérgio Silva

Paróquia Nossa Senhora da Conceição – Farias Brito.

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