33º Domingo do Tempo Comum: Caminhamos com Cristo em direção ao mundo novo

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REFLEXÃO PARA O 33º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B

“Quando virdes acontecer estas coisas, fica sabendo que o Filho do Homem está próximo, às portas.”

À medida que se aproximam os últimos meses do ano e também o final de mais um ano litúrgico, a Palavra de Deus irá nos conduzir a reflexão acerca da “Parusia” – Do grego Parousia, “volta, chegada, advento” – que nos remete à segunda vinda do Salvador (conf: 1Ts 4, 13-18).  Assim, refletimos sobre a presença de Jesus Cristo na história de humanidade através de duas visões: na primeira vinda, Ele se encarnou, anunciou o Reino de Deus, morreu e ressuscitou. Na segunda vinda, virá gloriosamente, realizando, enfim, a salvação plena oferecida à humanidade.

Na Primeira Leitura (Dn 12,1-3), o profeta Daniel anuncia a ação salvadora e libertadora de Deus ao povo escravizado e desesperançado. Não se trata, porém, de uma salvação meramente política e terrena. É um anúncio da esperança de uma vida para além deste mundo e da morte. Essa é a confiança e a fé que devem ajudá-los a permanecer fiéis a Deus, apesar da perseguição e do sofrimento. Deus agirá intervindo na história e sua ação alcançará tanto os vivos quanto os já falecidos e a sua perseverança e fidelidade serão recompensadas com a vida eterna. Será o fim do mundo? Sim e não. O mundo que chegará ao fim será o da injustiça, da corrupção, da arrogância que conduz a morte e surgirá um mundo novo, de justiça, de felicidade, de paz e de vida em abundância.

E quando acontecerá esta intervenção divina que mudará os rumos da história? Na Segunda Leitura (Hb 10,11-14.18), a Carta aos Hebreus nos releva quando, onde e por meio de quem Deus realizou a Salvação. Jesus, o Filho Unigênito, encarnou-se para realizar o plano de Deus de libertar a humanidade do pecado tornando-a participante da vida eterna. A mensagem é dirigida aos discípulos espalhados pelo mundo, que anunciam o Evangelho e são perseguidos pelos pagãos e vivem as dificuldades dos problemas internos dos cristãos. As comunidades cristãs estão desanimas, cansadas e fragilizadas por causa das perseguições. O autor da carta os lembra de que Jesus Cristo, com a sua vida e missão, introduziu-nos à intimidade com Deus. Ele ensinou-nos a vencer o egoísmo e o pecado e a fazer da vida um dom de amor a Deus e aos irmãos. Por isso, exorta os cristãos a viverem com fidelidade os compromissos assumidos no Batismo.

O Evangelho  (Mc 13,24-32) nos coloca diante de Jesus, já em Jerusalém, poucos dias antes de sua Paixão e Morte. Reunido com os discípulos, Jesus Cristo, ao falar de fenômenos que provocarão mudanças nos astros, revela que num futuro com data conhecida apenas pelo Pai, o mundo marcado pelo pecado deixará de existir e que do seu amor surgirá um mundo novo de felicidade em plenitude. É preciso que seus discípulos estejam atentos aos sinais que anunciam essa nova realidade e permaneçam dóceis, abertos e disponíveis para acolher os planos e os desafios de Deus.

Ao contrário do que o nosso senso comum pode induzir, a mensagem do Evangelho não pretende nos apavorar com ameaças de castigo. Pelo contrário, exorta-nos a manter a fé viva. Como cristãos, continuadores do Reino anunciado por Jesus, enquanto caminhamos neste mundo, seremos abordados pelo sofrimento e pela perseguição. Mas não devemos nos desesperar, porque Jesus virá. As suas palavras não se tratam de uma metáfora, são a certeza de que esse mundo novo, de vida plena e de felicidade, irá surgir com todo vigor.

Mesmo em meio às catástrofes naturais, à pandemia e à guerra, a humanidade que se deixa conduzir por Deus não caminha para a destruição. Deus é o Senhor da história, mas espera a nossa colaboração para realizar seu Projeto de Amor. Não podemos ficar de braços cruzados. Precisamos passar por um processo de conversão que implica renunciar ao egoísmo, ao orgulho, à prepotência, à exploração do outro, à injustiça (valores do mundo antigo) e testemunhar os valores do Evangelho e do mundo novo em ações concretas, como a partilha, o serviço, o perdão, o amor, a solidariedade, a paz e a doação de si mesmo pela salvação do outro.

Pe. Paulo Sérgio Silva.

Paróquia Nossa Senhora da Conceição – Farias Brito.

 

Foto de capa: reprodução da internet

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