30º Domingo do Tempo Comum: Ver com os olhos e o coração para poder ser discípulo

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REFLEXÃO PARA O 30º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B

“No mesmo instante, ele recuperou a vista e seguia Jesus pelo caminho.”

Neste domingo em que celebramos o Dia Mundial das Missões, a Palavra de Deus nos convida a buscar Jesus Cristo, luz do mundo, e a acolher o caminho de salvação que Ele veio apresentar à humanidade. Como Bartimeu, devemos deixar decididamente a vida antiga e seguir Jesus no caminho do amor e do dom da vida, pois somente acolhendo a proposta do Reino de Deus poderemos passar da escravidão à liberdade, da morte à vida.

Na Primeira Leitura (Jr 31,7-9), em clima de radiante alegria, o profeta Jeremias anuncia a libertação o povo de Israel exilado na Babilônia e os convida a retornar à Terra Prometida sendo conduzido pelo próprio Deus, Pai que ama e cuida dos seus filhos. Trata-se de apenas um pequeno grupo que retorna, mas é um sinal vigoroso de esperança, benevolência e salvação: cegos, aleijados, grávidas e parturientes. Os cegos e aleijados são a expressão da caridade de Deus para com os abandonados, injustiçados e indefesos. As grávidas e parturientes são sinal de vida nova, recomeço da história do povo eleito. Aos reconhecer o zelo e cuidado do Senhor, Israel canta, jubiloso: “Maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria!”. (Sl. 126,3)

A Segunda Leitura (Hb 5,1-6) apresenta Jesus, a quem o Pai escolheu do meio do seu povo e constituiu como sumo sacerdote em favor da salvação deste mesmo povo. O sacerdote possui a função de ser mediador entre Deus e a humanidade, e Jesus Cristo, por ser verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, tornou-se o sumo pontífice, a perfeita mediação capaz de realizar plenamente a comunhão/religação entre o divino e o humano. No entanto, faz-se necessário que a humanidade “acredite” em Jesus, que escute sua Palavra e que a transforme em gestos concretos na própria vida.

No Evangelho (Mc 10,46-52) continuamos acompanhando os últimos dias de missão de Jesus durante a peregrinação para Jerusalém com seus discípulos. A cura realizada ao longo do caminho apresenta o cego Bartimeu como modelo de fé e de discípulo missionário de Jesus Cristo, enquanto revela a necessária e urgente conversão pela qual os discípulos deveriam passar, uma vez que ainda alimentavam o desejo de um messias guerreiro e violento ao invés do Messias servidor. O cego Bartimeu, em sua atitude de súplica e de seguimento, torna-se a imagem da Igreja em saída, Igreja Missionária que segue e anuncia a presença de Jesus Cristo no mundo.

São apresentados dois tipos de cegueiras: a cegueira física (o cego Bartimeu) e a cegueira espiritual (os discípulos). Bartimeu tinha consciência da sua condição e queria mudar, por isso diante de Jesus, grita e suplica com fé e esperança. Aqueles que acompanhavam Jesus, ao invés de facilitar o encontro, criam uma barreira tentando silenciá-lo. Os que tentam calar o cego representam todos aqueles que colocam obstáculos a quem quer deixar a sua situação de miséria e de escravidão para aderir à proposta libertadora e salvadora que Cristo realiza. São aqueles que pensam ser “donos” da mensagem do Evangelho.

Jesus enfim o ouve e o chama. Ao ouvir o convite, o cego joga o manto e pula. O manto era tudo o que ele possuía; logo, “jogar o manto” significa renunciar às próprias seguranças. O ato de renúncia tornou o cego uma pessoa livre. Por isso, o gesto de pular expressa alegria e liberdade. O seu salto é a expressão da mudança radical na sua vida, o efeito do encontro transformador com Jesus.

Diante da cura, da passagem do comodismo da escuridão para o ver da luz, o homem passa a seguir Jesus pelo caminho. Torna-se Discípulo e Missionário. Em nossa vida, já reconhecemos nossa necessidade da presença transformadora de Jesus? Somos como Bartimeu que grita e suplica com fé ou somos como os discípulos que criam barreiras para silenciar a verdade e impedir que outros encontrem Jesus? Seguimos Jesus com alegria ou ainda estamos acomodados no caminho de nossa vida?

Pe. Paulo Sérgio Silva

Paróquia Nossa Senhora da Conceição – Farias Brito

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