2º Domingo do Tempo Comum – Façamos o que Ele nos disser e nossa vida será transformada

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Sua mãe disse aos estavam servindo: fazei o que ele vos disser”.

No início do Tempo Comum, tempo oportuno para se conhecer a missão de Jesus, a liturgia nos apresenta o início do ministério de Jesus através do primeiro sinal que ele realiza como manifestação da presença do Reino de Deus. A imagem do casamento surge então como símbolo que revela a relação de amor que Deus (o marido) estabeleceu com o seu Povo (a esposa).

Na primeira leitura, o profeta Isaías, escrevendo para o povo que retornava terra à prometida depois do exílio na Babilônia, utiliza imagens próprias de núpcias, definindo o amor de Deus como inabalável, perene e eterno e assim mantendo viva a fé e a esperança do povo eleito. Deus desposa seu povo escolhido, e nesse amor reside a alegria de Deus que continuamente renova a Aliança e transforma e perdoa, mesmo em face das infidelidades à Aliança. Com este novo recomeço, a cidade de Jerusalém que estava “abandonada e deserta”, voltará a ser chamada de esposa e predileta.

O Evangelho apresenta, no contexto de uma festa decasamento (lugar da “aliança”), que Deus é revelado na pessoa do seu Filho, Jesus Cristo. A ação de Jesus manifesta-se através de um “sinal” que indica o essencial da sua missão: revelar a humanidade o Deus Pai que os ama, e que com o seu amor transforma suas vidas emalegria e a felicidade plenas. O vinho é sinal de alegria na sagrada escritura. Se não há alegria, não há festa. As seis talhas (potes) de pedra representam algo incompleto, imperfeito. O material (pedra) representa a frieza da relação. As talhas são de pedra e estão vazias. O fato de estarem vazias representa uma vivência religiosa feita apenas de ritos, mas sem vínculo com a vida cotidiana.

É importante ressaltar a presença de Maria. Foi elaque com seu coração cheio de graça, percebeu a tristeza no casamento. Maria representa o povo de Israel em sua fidelidade que busca Deus (Jesus) para transformar a situação de tristeza em felicidade. O mestre sala responsável pela organização da festa que estava acomodado representa aqueles cristãos que mesmo enxergando os sinais dos tempos, preferem ficar sentadose de braços cruzados. Já os que serviam representam todos na humanidade que estão abertos, atentos e decididos a “fazer o que Jesus disser.”

A segunda leitura fala dos “carismas” – dons, através dos quais o Espírito Santo continua a manifestar o amor de Deus. Como o vinho nas bodas de Caná, os dons são sinais do amor de Deus, ofertados para servir a toda a humanidade. Por isto, são Paulo alerta para o perigo de transformá-los em meios para competição, egoísmo, divisão e promoção do orgulho. Atitudes que causam conflitos e exclusão. Os dons são expressão do amor e da unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo, por isto, o Apóstolo insiste em recordar que eles não são frutos de méritos pessoais, mas sinais da graça que devem ser colocados a serviço do bem comum e de todos, assim como o vinho trazido por Jesus foi servido a todos da festa de Caná.

Em mundo tão diverso e cheio de pretensos messias salvadores é necessário não esquecer o essencial: JesusCristo. É ele o centro da Festa. É ele que devolve, restitui a alegria da humanidade. Sua vida e missão transformam a história da humanidade. Todavia para que isto ocorra em plenitude é necessário também permanecermos atentos ao que ele nos disser através do Espírito Santo e da Igreja.Isto nos lembra a importância do tempo de escuta do Sínodo que estamos vivendo. Longe de preservar ritos e instituições acomodados, sua missão trouxe uma impetuosa novidade. Esta novidade acontecerá quando finalmente chegar a sua “Hora” (a sua morte na Cruz) onde do seu lado aberto, do seu coração, derramará novamente água e sangue como sinal do amor pleno de Deus.

 

Pe. Paulo Sérgio Silva

Paróquia Nossa Senhora da Conceição.

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