21º Domingo do Tempo Comum: Semana de Oração pelas Vocações Leigas

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Amados irmãos e irmãs, aproxima-se o fim do mês de agosto, mês que a Igreja reserva para aprofundar a reflexão sobre a Vocação, enquanto reza por todas e cada vocação que Deus concede à Igreja como caminho para atualizar a graça redentora de Cristo e dom para servir à humanidade. Como uma jornada, cada semana é percorrida tendo como tema um tipo, modelo e vocação. Na primeira semana, rezamos pelas Vocações Sacerdotais; na segunda, pelas Vocações Matrimoniais e Familiares; na terceira; pelas Vocações à Vida Consagrada e Religiosa; e na quarta semana rezamos pelas Vocações Leigas.

No centro da reflexão que a liturgia deste domingo nos oferece, aparecem os dois temas em torno dos quais se constrói toda a missão cristã: Jesus Cristo e a Igreja. Por isso, o Evangelho nos convida, discípulos de todas as épocas, a aceitar e acolher Jesus como “o Messias, Filho de Deus”. Dessa decisão de segui-lo, nasce a Igreja que é a comunidade dos discípulos de Jesus, chamada e organizada a partir da vocação e missão de Pedro. A missão da Igreja é dar testemunho e permanecer anunciando a proposta de salvação que Jesus veio trazer. A Pedro, que representa a comunidade cristã, é confiado o poder das chaves. Estas simbolizam o poder de interpretar as palavras e ensinamentos de Jesus, de adaptá-los aos desafios do mundo e de acolher, na comunidade cristã de todos os tempos, todos aqueles que decidirem viver com convicção a proposta do Reino que Jesus oferece.

Para permanecer fiel à sua vocação essencial, a Igreja deve conhecer Jesus Cristo. Este conhecimento não se realiza ou acontece puramente como um processo intelectual. Como nos recorda o Documento de Aparecida, este conhecimento é fruto de um encontro pessoal e permanente com a pessoa de Jesus.

A passagem que nos é apresentada, assim como Evangelho de Marcos, ocupa um lugar central no Evangelho de Mateus (Mt 16, 13-20). Trata-se de um momento de mudança, quando a Cruz começa a ser apresentada no caminho de Jesus. Depois do êxito inicial do seu ministério, Jesus começa a sofrer a oposição dos líderes religiosos e políticos e experimenta a falta de interesse genuíno da multidão que o acompanhava. A sua proposta do Reino não é acolhida, a não ser por um pequeno grupo, o grupo dos discípulos. Jesus, então, dirige várias perguntas sobre Ele mesmo aos discípulos. Não se trata de uma preocupação para medir sua popularidade, trata-se, sobretudo, de tornar a sua missão clara para os discípulos e confirmá-los na sua opção de segui-lo e de se decidir pelo Reino.

As respostas dividem o Evangelho em duas partes ou intenções.  A primeira, de carácter mais ‘cristológico’, centraliza-se em Jesus e na definição da Sua identidade. A segunda, mais ‘eclesiológica’, volta-se para a Igreja, que Jesus reúne em torno de Pedro. “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” As diferentes respostas expressam a opinião daqueles que não conseguiram vivenciar um verdadeiro encontro com Jesus Cristo. Como resultado desse encontro superficial, não conseguem conhecer Jesus, não entendem a sua condição única (é o Filho de Deus), não compreendem a originalidade nem o propósito de sua missão (é o Messias). Estas pessoas reconhecem, apenas, que Ele é um homem chamado por Deus e enviado ao mundo com uma missão igual a dos profetas do Antigo Testamento. Nessa visão dos “homens”, Jesus é bom, é justo, é generoso e escutou os apelos de Deus como Moisés, Elias ou João Batista. Embora seja muito importante o que afirmam, não é o suficiente para ser sinal do Reino. Na verdade, significa que os “homens” não entenderam a novidade do Messias, nem a profundidade do Seu mistério.

O discípulo, para enfrentar os desafios da missão e não sucumbir aos caminhos e às tentações do mundo, necessita conhecer verdadeiramente quem é Jesus e qual o é centro da Sua Vida e da Sua Missão. Pedro, ao responder à segunda pergunta, representa uma comunidade que viveu o encontro e entendeu quem é o seu Mestre. Dizer que Jesus é o “Messias” significa dizer que Ele é esse libertador a quem Deus enviou para libertar Israel e oferecer a salvação definitiva. Mas não é apenas isso. Chamar Jesus de “Filho do Deus vivo”, significa afirmar que Ele vive em total comunhão com Deus, em uma relação de profunda intimidade e que Deus o confiou à missão de salvar a humanidade. Pedro assim reconhece a unidade entre Jesus e o Pai, e que Ele realiza os planos do Pai no meio dos homens. Os discípulos são chamados a entender o mistério de Jesus para poder colaborar com essa missão.

Em seguida, temos a resposta de Jesus à confissão de fé da comunidade dos discípulos apresentada pela voz de Pedro. Jesus começa felicitando Pedro pela clareza da fé que expressa. Mas essa fé não é mérito de Pedro, é um dom de Deus, uma vocação. É preciso, então, ser fiel a esse Dom. A entrega das chaves equivale à nomeação de “administrador da casa” com poder de “atar e desatar”. Um poder que requer fidelidade, responsabilidade e aptidão ao serviço, para que não venha a acontecer à situação relatada na primeira leitura (Is 22, 19-23), onde um administrador infiel usa de seu poder para benefício próprio.

Assim, Pedro se torna administrador e supervisor da Igreja, com autoridade para interpretar as palavras de Jesus, adaptar os ensinamentos às situações da vida diária e para acolher ou não novos membros na comunidade dos discípulos do Reino. Todos são chamados por Deus a participar da comunidade do Reino, mas aqueles que não querem viver as propostas de Jesus não podem permanecer na comunidade.

O discípulo deve transformar sua experiência de encontro com Jesus em serviço. E, para isso, Deus oferece uma variedade e uma infinidade de vocações missionárias e leigas. Vocações que o Espírito Santo inspira no coração de cada batizado. Não como uma imposição, mas como chamado, como convite a servir ao próximo, para que, por meio desse serviço, encontre a plenitude que Jesus oferece.

Diante dessa sabedoria divina, que designa um caminho de plenitude para cada filho e filha, o discípulo deve louvar a Deus, como o Apóstolo Paulo faz na segunda leitura (Rm 11, 33-36).  Afinal, o verdadeiro cristão é aquele que, mesmo sem entender o alcance dos planos de Deus, confia inteiramente em suas mãos e deixa que a sua admiração e a adoração sejam expressas num hino de louvor: “Glória a Deus para sempre. Amém”.

Irmãs e irmãs, encerremos esse nosso diálogo com a oração vocacional: “Senhor da messe e Pastor do rebanho, faz ressoar em nossos ouvidos teu forte e suave convite: ‘Vem e segue-me’! Derrama sobre nós o teu Espírito, que Ele nos dê sabedoria para ver o caminho e generosidade para seguir tua voz. Senhor, que a messe não se perca por falta de operários. Desperta nossas comunidades para a Missão. Ensina nossa vida a ser serviço. Fortalece os que desejam dedicar-se ao Reino na diversidade dos carismas e ministérios. Senhor, que o rebanho não pereça por falta de pastores. Sustenta a fidelidade de nossos bispos, padres, diáconos, consagrados e consagradas, ministros leigos e leigas. Dá perseverança a todas as pessoas vocacionadas. Desperta o coração dos jovens, para o ministério pastoral em tua Igreja. Senhor da messe e Pastor do rebanho, chama-nos para o serviço de Teu povo. Maria, mãe da Igreja, modelo dos servidores do Evangelho, ajuda-nos a responder ‘Sim’. Amém!

Por: Padre Paulo Sérgio Silva

Paróquia São Sebastião – Distrito de Mangabeira, Lavras – CE

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