1º Domingo da Quaresma: ‘Na imensidão do vosso amor, purificai-me!’

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£. Caríssimos irmãos e irmãs, em Cristo Jesus, graça e paz! ‘O Espírito conduziu Jesus ao deserto para ser tentado pelo diabo’. Como entender este versículo? Que a verdade sempre nos leva a confrontar a mentira. No deserto, sinal de abandono total e de inteira confiança e disposição ao amor de Deus, Jesus nos apresenta seu ‘ato de justiça que trouxe, para todos os homens, a justificação que dá a vida’. O homem ao estabelecer por sua vontade livre o que é o bem e o mal perde a candura de uma respeitosa convivência no ‘jardim das delícias’ (Éden). Por isso tanta devastação do meio ambiente, lixo, poluição, desmatamento, aquecimento global, exacerbada degradação dos recursos minerais e naturais (fauna, flora, biomas). Não obstante tudo isso, a autêntica e amorosa relação com Deus é desfeita. A humanidade, por si, quer ser deus. O Espírito leva Jesus ao deserto para resgatar a verdade mais intima do homem: reconhecer que tudo que o circunda é dom, comunhão, partilha…

£. As tentações, antes de nos indicar qualquer ensino moral, ressaltam que a Palavra de Deus pode ser usada com fins que lhes são alheios e estranhos. Note-se, com isso, que o diabo (divisor, adversário) usa a Sagrada Escritura para persuadir Jesus a não seguir na sua missão. Mal utilizada ou pouco compreendida, pior ainda, pregada por falsários, a Escritura induz e provoca a infidelidade aos preceitos do Senhor. Pode-se dizer, portanto, que esta é uma quarta tentação.

£. ‘Não só de pão vive o homem…’ Importa que tenhamos cuidado com as nossas satisfações individuais. Pois, geralmente, queremos impor e sobrepor nossos gostos e posições particulares aos demais. Não importando os meios para tal fim. Jesus ensina o caminho da fraternidade e da solidariedade verdadeira: a multiplicação dos pães não acontece por causa de um, mas para a saciedade de muitos outros.

£. ‘Não tentarás o Senhor teu Deus.’ Não são poucas as ocasiões em que implicamos a fé com a realidade desse ou daquele milagre ou acontecimento extraordinário. Quer-se um deus de espetáculos, de emoções vãs, de sentimentalismos… Muitas vezes, a oração, sinal de encontro, e, consequentemente, de diálogo, se resume em pedir ou exigir esta ou aquela graça particular. Esquecemos que a Graça por excelência é o Espírito Santo.

£. ‘Adorarás ao Senhor, teu Deus.’ Podemos até não ter um altar dedicado ao ‘bezerro de ouro’ (como os israelitas no deserto), mas nos comportamos, em alguns casos, como fieis servidores desse deus (ídolo). Quando? Ao ser o dinheiro que nos manipula e tudo justifica, e não o inverso; ao ser os bens materiais mais importante que a sadia vida familiar; o interesse como sério impedimento de se ter boas e sinceras amizades; ao me fazer, pretensamente, melhor que os outros, pondo-me como pedra fundamental e autorreferência… Superar as tentações, como o fez Jesus, é fazer surgir em nós a verdadeira humanidade que Cristo nos doou.

Por: Padre George de Brito, Sacerdote diocesano e Pároco do Sagrado coração de Jesus, em Crato; Especialista em Filosofia Hermenêutica e Mestre em Teologia Dogmática.

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