18º Domingo do Tempo Comum: Buscar e ser saciado pelo verdadeiro Pão da Vida

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HOMILIA DO 18º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO B

BUSCAR E SER SACIADO PELO VERDADEIRO PÃO DA VIDA

“Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim não terá mais sede” (João 6,35)

A Igreja no Brasil inicia o mês dedicado às vocações a partir deste domingo, 1º de agosto, durante o qual, em cada semana, rezaremos por uma vocação específica. Toda vocação é um chamado de Deus para servir. Fomos chamados à vida e, na vida, chamados à santidade, fruto da fé em Cristo.

A liturgia da Palavra aprofunda a reflexão iniciada no domingo anterior. As leituras trazem a imagem do pão, alimento mais comum e básico para todas as culturas. Assim, compreendemos que Deus, na pessoa do seu Filho, deseja oferecer ao seu povo e à humanidade não apenas o alimento material e passageiro, mas o verdadeiro alimento que sacia e concede a vida eterna, plena e definitiva.

A Primeira Leitura (Êx 16,2-4.12-15), o episódio do Maná apresenta a ternura e o cuidado de Deus para com o povo eleito, ao mesmo tempo em que revela a condenável ingratidão deste mesmo povo ao desejar o retorno à escravidão que o levava à morte e também à falta de alimento. Mesmo este clamor sendo justo e ingrato, Deus o escuta e sacia, embora não seja Sua vontade manter o povo na imaturidade e dependência. Enquanto o conduz à terra prometida, deseja ajudá-lo a crescer, a amadurecer, a superar o egoísmo e a tomar consciência de outros valores como a comunhão, a unidade e a partilha.

Na Segunda Leitura (Ef 4,17.20-24), São Paulo continua as orientações de como viver a vocação cristã. Em vista disto, lembra aos efésios que a fé em Jesus implica deixar de ser homem velho e o passar a ser homem novo, isto é, exige o abandono das práticas do pecado e um esforço contínuo para viver a fé recebida no batismo. O encontro com Cristo deve significar, para todos nós, uma mudança radical, um jeito completamente diferente de se viver diante de Deus, diante dos irmãos, diante de si mesmo e do mundo. O antigo e o novo aqui apresentados são a vida velha no paganismo e a novidade da experiência com Cristo. Essas realidades, no entanto, fazem-se também presentes em nós, no tempo atual. Desse modo, a celebração litúrgica constitui um momento oportuno para nossa autoavaliação.

O Evangelho (Jo 6,24-35) faz parte do chamado “discurso do Pão da Vida”, por isso Jesus apresenta-Se como o “Pão” que desceu do Céu para dar vida ao mundo. À multidão que O segue, abismada depois de presenciar a milagrosa multiplicação do pão, pede que aceite esse “Pão”. E o isso significa? Que a multidão escute as Suas palavras, que as acolha no coração e as pratique transformando os valores do Reino em vida e verdade.

A multidão, por sua vez, está equivocada. Busca Jesus Cristo apenas como meio para alcançar um fim. Verdadeiramente não procura Jesus, mas a solução dos problemas materiais. Trata-se de uma procura imediata, interesseira e egoísta. Essa mentalidade não está muito distante de nossa atual sociedade marcada pela ansiedade, imediatismo e materialismo, que busca Deus na intenção de conseguir dinheiro, fama e abundância de bens materiais, não se esforçando para fazer com que todos tenham os mesmos direitos e as mesmas oportunidades – e as tenham em abundância. É preciso esforçar-se por conseguir não só o alimento que mata a fome física, mas sobretudo o alimento que sacia a fome de vida e dignidade.

O que nós devemos fazer para praticar as obras de Deus? É justo, necessário e nos faz todos ser mais santos acolher as propostas de Jesus, aceitar viver no amor e partilhar daquilo que se tem com os irmãos e irmãs no serviço a todos. É preciso deixar que a Eucaristia recebida por nós diariamente transforme a nossa vida na presença real do Cristo, porque comungar do seu Corpo e do seu Sangue exige escutar a sua Palavra, acolher e vivenciar os valores do Evangelho, imitar o seu jeito de viver e fazer da nossa vida um dom de amor.

Que a Eucaristia, Pão da Vida Eterna, alimento de nossa vida espiritual, leve-nos a ser presença e sinal da comunhão com o Deus Vivo e Verdadeiro.

Pe. Paulo Sérgio Silva

Paróquia Nossa Senhora da Conceição – Farias Brito

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