13º Domingo do Tempo Comum – Vocação: Chamado de Deus e resposta humana

Compartilhe:

Quem põe a mão no arado e olha para trás, não está apto para o Reino de Deus.” (Lc. 9,62)

Ainda em contexto de retomada da caminhada litúrgica do tempo comum – tempo propício para aprofundar nossa relação de discípulo com o Mestre – a Palavra de hoje afirma que Deus nos convida constantemente a ser instrumentos da sua açãotransformadora e salvadora do mundo. Deus nos chama livremente e livres e inteiramente disponíveis devemos responder, pois somente assim estaremos aptos para realizar as exigências do seu Reino de Paz, Justiça e Amor.

A primeira leitura (1Rs 19,16b.19-21) nos ensina que a vocação de profeta nasce de uma profunda experiência de Deus que chama para contemplar o mundo através dos seus divinos olhos e atuar em nome de sua vontade salvadora. Elias, ao ser chamado por Deus em meio a um reinado contaminado pelo mal, denuncia as maquinações e age em favor do povo sofredor. Chegando ao final de sua missão, prontamente obedece ao Senhor e convida um novo profeta para continuar a missão. Se trata de Eliseu, um agricultor que cultiva a terra juntamente com outros trabalhadores. As 12 juntas de bois que utiliza simbolizam sua ligação com as 12 tribos de Israel. O manto que Elias coloca sobre seus ombros representa a autoridade profética dada por Deus. Eliseu exerce sua liberdade. Prontamente abandona sua profissão, partilha com a família e amigos o que possui e segue Elias. Como Eliseu, tenha a coragem de livremente seguir a vontade de Deus?

Na segunda leitura (Gl 5,1.13-18) o Apóstolo Paulo continua seu ensinamento sobre a liberdade de Cristo e em Cristo. Os gálatas, influenciados por pregadores, pensavam que eram obrigados a seguir certas normas da lei de Moisés como se estas fossem condições essenciais para a salvação. As dúvidas, além de gerarem intrigas e conflitos, levam alguns membros da comunidade a enxergarem a liberdade como justificativa para busca dos interesses individualistas. O apóstolo então os recorda que a liberdade em Jesus Cristo não é pretexto para satisfazer os instintos egoístas. Pelo contrário, a liberdade cristã é o caminho que leva ao amor recíproco que conduz ao ato de doar-se radicalmente pelo bem do outro. Cristo livremente trilhou o caminho do amor, do dom da vida; responder aoseu chamado, tornar-se seu discípulo é identificar-se com Ele, aceitar doar-se por amor e nascer para a vida nova deliberdade. Pois “foi para a verdadeira liberdade que Cristo nos libertou” (Gl. 5,1). Os cristãos ao invés de ouvirem os “desejos da carne” (desejos egocêntricos) devem deixar-se guiar pelos apelos do Espírito Santo.

No Evangelho (Lc. 9,51-62), depois apresentar aacolhida da cruz como condição essencial para ser seu seguidor, Jesus – enquanto sobe para Jerusalém – apresenta o “caminho do discípulo”, ou seja, o modo de viver que deve ser acolhido por eles. Mesmo já tendo professado sua fé em Jesus como Messias vindo de Deus, o comportamento dos discípulos revela que ainda não estão prontos para viver como cristãos. A busca por seu o maior entre os discípulos e a atitude violenta de João e Tiago revelam um coração ainda confiando no poder e naviolência como solução para a humanidade. Estamos nós com as mesmas atitudes? Será que Jesus deveria mesmo fazer descer fogo do céu? Será que Jesus compraria uma pistola para atirar naqueles samaritanos?

Em seguida somos apresentados a três vocações que devem questionar nossa própria vocação. Lucas quer assim nos apresentar as condições e exigências para ser verdadeira e livremente discípulo de Jesus. Não somos nós que apresentamos nossas condições, é Jesus quem o faz. É justo e necessário estar livre e não depender de acomodações – tocas, ninhos, conforto e poder – (primeiro vocacionado).

O segundo vocacionado representa os cristãos que ainda estavam muito apegados ou dependentes da lei de Moisés. Com a chegada de Jesus a lei passou e deve ser enterrada por aqueles que ainda se preocupam com ela. O cristão deve seguir Jesus. O terceiro vocacionado que pede para ir se despedir dos pais é a imagem daqueles que vivem a indecisão, a dificuldade de renunciar aos negóciosdo mundo e que são incapazes de usar da liberdade para responder a vocação vinda de Deus.

Em suma, os três relatos resumem as atitudes que Jesus espera de seus discípulos. Todos são chamados, ouvem as condições e devem livremente responder. Uma vez dada a resposta positiva, devem manter sua liberdade em resposta radical para permanecer inteiramente a disposição do Reino. Pois se Cristo doou-se em plenitude, o discípulo deve também viver com e na inteireza de coração, isto é, doar-se também em plenitude.

Pe. Paulo Sérgio Silva

Paróquia Nossa Senhora da Conceição – Farias Brito.

Posts Relacionados

Facebook

Instagram

Últimos Posts